Conheça os países que querem roubar os holofotes dos BRICS: MIST


México, Indonésia, Coreia do Sul e Turquia. Com um ambiente de negócios mais favorável e menos turbulências, estes países tentam roubar os holofotes de seus concorrentes em desenvolvimento, os BRICS.

Dos MIST, a Coreia do Sul se destaca, tanto pelo nível de desenvolvimento quanto com as possibilidades de crescimento futuro

O próprio “criador” de ambas as alcunhas, Jim O’Neill, presidente do Goldman Sachs já não vê os BRICS como países em desenvolvimento, aliás. Para ele, essas economias já emergiram. Da Veja:

Brics e Mist terão juntos um Produto Interno Bruto (PIB) de cerca de 12 trilhões de dólares ao fim desta década em termos reais – dois terços provenientes dos Brics e um terço do total vindo da China. “Os Brics são muito importantes e ainda não se pode compará-los com os MIST”, afirma O’Neill.

Comparações à parte, a expansão econômica de México, Indonésia, Coreia do Sul e Turquia é inegável, enquanto o mundo desenvolvido agoniza em recessão ou estagnação econômica, e muitos emergentes veem seu dinamismo se esvair claramente. “Os países do MIST estão ganhando visibilidade por causa da desaceleração dos Brics. Brasil, Índia e China estão experimentando taxas de crescimento abaixo do previsto neste ano, não apenas devido ao ciclo econômico, mas também porque tomaram medidas que não foram tão bem recebidas pelos mercados”, afirma Christopher Garman, diretor de estratégia de mercados emergentes da Eurasia Group. No caso do Brasil, em particular, ele diz que o investidor está pessimista, sobretudo, com o baixo crescimento – que deve encerrar o ano em 1,75% segundo previsões do mercado financeiro. Contudo, ele lembra que os mesmos investidores avaliam que os esforços da presidente Dilma Rousseff para estimular o PIB – tais como os pacotes que têm sido anunciados e as medidas para ajudar a indústria – mostram uma “luz no fim do túnel”.

 O surgimento de levas de países que dão um salto rumo ao desenvolvimento não é fato isolado na história da economia global. Os Estados Unidos e o Japão, por exemplo, já foram nações emergentes que surpreenderam o mundo com seu vigor. Olhar para além dos Brics pode ser considerado, portanto, algo natural. “Muitos investidores começam a olhar para histórias de crescimento fora dos BRICS, e alguns fundos estão apostando em países do segundo escalão dos emergentes”, conta Garman. “O Mist reúne essencialmente os maiores países depois dos Brics”, completa. Apesar de economistas e investidores falarem dessa seleção de países há dois anos, tal predileção ganhou adeptos nos últimos meses por conta do agravamento da crise financeira europeia e seu impacto nos emergentes dos Brics – com destaque para o vexame brasileiro.

Discordo de O’Neill. É só andar pelas ruas de Moscou, São Paulo, Pequim ou Nova Déli para se notar que eles estão longe de já terem emergido. Estes países ainda são extremamente desiguais e tem inserido famílias na classe média aos milhões. As possibilidades são imensas, e as dimensões desses países os tornam os mais importantes países em desenvolvimento.

Algo é notável: os investidores estão fugindo do mundo desenvolvido. As poucas e distantes possibilidades de recuperação do crescimento nessas nações faz com que se busquem mais alternativas, e os países em desenvolvimento são a única saída. Desses, tenta-se desprender quais são mais seguros, mais prósperos e mais atraentes. E exatamente por isso os MIST ganharam importância.

Mas os BRICS ainda estão muito à frente dos MIST em vários aspectos. Politicamente, a influência do grupo é determinante. Economicamente, nem se fala. Eles (nós) representam quase metade da gente do mundo. Movimentam grande parte do comércio internacional. E ainda crescem mais.

Portanto, caros concidadãos dos BRICS, não precisamos ter medo dessa “neblina”. É só fazer a lição de casa direitinho (facilitar os negócios, diminuir a carga tributária, etc) que ainda seremos a estrela da festa.

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