Falta um ano. Afinal, vale a pena sediar os jogos olímpicos?


5 de agosto de 2016. Dois bilhões de pessoas estarão com os olhos vidrados na TV, admirados com as belezas que o Brasil desfila na cerimônia de abertura dos 31os Jogos Olímpicos de verão da era moderna.

Falta um ano.

Das 37 instalações esportivas, apenas estão prontas as arenas do futebol (reutilizadas da copa do mundo de 2014) e o sambódromo, palco do tiro com arco.

A pressão é grande. Obras atrasadas, poluição na baía de Guanabara, corrupção, e uma comunidade pobre no meio das instalações são alguns dos problemas (destacados pelo UOL aqui) que o Brasil enfrenta nessa reta final.

Com a economia em crise, vale a pena o investimento de mais de 38 bilhões de reais* para três semanas de festa?

Estimativas vs. Realidade

Quando o Brasil bateu Chicago, Madrid e Tóquio na disputa pelas olimpíadas, um estudo encomendado pelo Ministério do Esporte previa a movimentação de 51 bilhões de dólares em recursos e a geração de 120 mil empregos com os jogos olímpicos.

Charge maravilhosa por Adão Iturrusgarai

Porém, estudos econômicos demonstram que essas avaliações tendem a superestimar o impacto econômico de eventos como as olimpíadas. Como apontado por Porter e Fletcher nesse estudo, a utilização de um modelo I-O, típica nas estimativas de retorno a priore, é apenas recomendada para previsão de demanda a longo prazo – e não para eventos pontuais. Como eles demonstram, isso tende a distorcer os resultados apresentados.

Além disso, o custo de manutenção de elefantes brancos após os eventos é bastante relevante. O Brasil já sente isso, com estádios ultramodernos e gigantescos completamente vazios, apenas um ano após a realização da copa do mundo da FIFA.

Na Grécia, as Olimpíadas de 2004 foram um dos ingredientes para a crise que desola o país

Não é a toa que a maior parte dos países desenvolvidos vira as costas para a realização de eventos deste tipo. Recentemente, Boston retirou a sua candidatura aos jogos olímpicos de 2024. Para os jogos olímpicos de inverno de 2022, haviam apenas duas candidatas: Pequim e Almaty, no Cazaquistão. Outras candidatas retiraram sua candidatura. Com isso, a cidade chinesa foi escolhida (na última sexta-feira), tornando-se a primeira cidade a sediar tanto os jogos de inverno, quanto os de verão.

Como o Mashable destacou, eventos de grande porte são atrativos apenas para líderes controversos mostrarem o seu poder (algum paralelo com o desejo de Hitler de demonstrar a superioridade ariana em 1936?).

Eventos deste porte deixam um legado assustador para trás. Uma possível solução seria termos sedes fixas – e Atenas seria a candidata ideal para os jogos olímpicos de verão.

Voltando ao Brasil

Falta um ano para a abertura das Olimpíadas. Pela primeira vez, elas serão na América do Sul. Se vale a pena receber os jogos? Provavelmente não. No entanto, isso já é uma certeza. O custo já está comprometido.

Então, vamos fazer uma olimpíada histórica, em que os valores de excelência, amizade e respeito sejam promovidos e elevados à máxima potência.

*Segundo as estimativas mais recentes. Esse valor deve subir, visto que a desvalorização cambial elevará o custo de equipamentos importados.

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