O apocalipse do governo Dilma II


Acabou. Todo o esforço feito pelo ministro da fazenda, Joaquim Levy, para a manutenção do grau de investimento foi em vão. Ontem, a S&P rebaixou o Brasil ao nível de investimento especulativo. Ela, que foi a primeira agência de rating a apreciar a evolução do país entre 1994 e 2008, também foi a primeira a pregar o caixão do governo Dilma II.

O rei está morto. (Foto: Wilton Junior)

Por que eu digo isso?

Será que o ministro vai dar tchau-tchau ao governo? (foto: Marcelo Camargo)

Antes de tudo, isso tira a pressão sobre Levy. Ele era o Messias desse governo, e sabia disso. Ainda que não conseguisse aprovar qualquer proposta de reestruturação do Estado, ele possuía boa reputação com o mercado. Com ele na Fazenda, o mundo esperava um milagre. Porém, sem apoio de Dilma, ele pouco pode fazer. Agora, ele está livre. Não é segredo que ele estava descontente no governo. Com a perda do grau de investimento, ele pode pedir demissão se assim quiser. O seppuku final de um guerreiro solitário.

A presidente, por sua vez, pareceu perceber o chão se abrindo a sua frente. Porém, pressionada pelo partido, pela população descontente e ludibriada pelos falsos profetas Paulo Bernardo e Aloísio Mercadante, ela capitulou. Entregou a um congresso oposicionista um orçamento deficitário para 2016. “Nós agora vemos menos convicção, dentro do gabinete da presidente, sobre a política fiscal”, disse a S&P, com razão.

(Foto: Ailton de Freitas) 

Com isso, o governo Dilma II acabou. Fique ela no poder ou não, entraremos em uma terceira fase. A primeira, de destruição das finanças públicas; a segunda, tentando remendar buracos de bala com bandaid. E a terceira?

O que vai acontecer agora?

Na manhã dessa quinta-feira, o dólar deve encostar em R$4. É verdade que o mercado já precificava a perda do grau de investimento, mas ainda assim haverá mudanças. Diversos fundos de investimento e pensões só podem investir em países seguros: agora, esse dinheiro tem que sair. Com mais gente querendo vender reais, a moeda se desvaloriza.

O que vem depois ninguém sabe. Moodys e Fitch devem seguir a Standard & Poor’s. Tudo depende do governo: se ele mantiver as políticas atuais, o Brasil deve sangrar por muito tempo. Além de uma dolorida recessão em 2015 e 2016, o crescimento deve ser lento e difícil após disso. Os brasileiros entrarão em 2020 mais pobres que em 2010. A miséria voltará a subir. E com isso, qualquer melhora social conquistada desde 1994 será revertida.

Porém, o governo pode mudar (via renúncia, impeachment ou um inesperado surto de ilustração da presidente). No curto prazo, o governo precisa cortar muitos gastos e aumentar a receita com mais impostos.

A única forma que eu vejo para população e empresariado aceitarem estes remédios amargos é se vierem acompanhados de um sério compromisso de reestruturação do Estado no longo prazo. Uma séria reforma da previdência, drástica redução do Estado e simplificação do ambiente de negócios.

Com isso, poderemos voltar a sonhar. Por enquanto, teremos que aguentar os pesadelos da realidade.

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