Arquivo da categoria: Política

Ocidente vs. Irã: comparando padrões de beleza

O Irã é parte de um grupo de países onde mulheres têm poucos direitos. Mas não foi sempre assim. Antes da Revolução Islâmica, Teerã era uma cidade rica, desenvolvida… e livre. Suas universidades e museus, conservando riquezas históricas da Pérsia, eram símbolos de um país em rápido desenvolvimento.


A equipe da Cut Video fez dois vídeos, demonstrando o padrão de beleza ocidental (de brancas e negras) e iraniano ao longo de 100 anos. As montagens são fantásticas, e as conclusões eu deixo para vocês.

Se você ficou curioso para saber como era o Irã antes de 1979, confira o vídeo abaixo.

Anúncios
Etiquetado , , , , ,

Tradição e linearidade vs. contemporaneidade e renovação

Neste domingo, finalmente fui passear na região da novíssima Ópera de Oslo (inaugurada em 2008) e fiquei admirado pelos prédios da região. Vejam as imagens abaixo.

Resolvi pesquisar e descobri que aqueles edifícios fazem parte de um projeto chamado Barcode, que por sua vez é integrante do projeto Fjord City (vale a pena ler mais a respeito neste link).

Em linhas gerais, o projeto visa renovar a antiga região portuária e das docas da cidade de Oslo, e para isto foram contratados arquitetos que dariam uma nova funcionalidade à região com edifícios sustentáveis. Isto aumentaria as áreas de escritórios e moradias sem pressionar o meio ambiente do entorno da cidade (por gerar novas regiões utilizáveis em uma região central).

Este projeto lembra bastante o projeto Porto Maravilha, que dará uma nova face à antiga região portuária e das docas do Rio de Janeiro, incluindo a construção de dois museus e uma infinidade de outros edifícios. Já falamos sobre estes projetos aqui ó.

Nos dois casos, há polêmicas que circundam o projeto. No Rio, motoristas estão indignados com a perda do Elevado da Perimetral, que será derrubado como parte do projeto urbanístico. Aqui em Oslo, habitantes e urbanistas criticam a falta de vida na nova região. Além disso, os novos prédios são uma afronta à arquitetura tradicional de uma cidade com mais de mil anos de história.

Não quero tirar a razão de motoristas que levarão mais tempo para chegar aos seus destinos ou de saudosistas noruegueses. Mas o interesse comum deve ser colocado acima de opiniões individuais. O Projeto Porto Maravilha e o Projeto Fjord City são ótimas adições às duas cidades, cada qual com a sua necessidade.

Passei quase dois meses sem ir à região de Bjørvika e a ausência de linearidade não havia sido notada. Sim, quando desci do bonde a impressão foi de desembarcar em uma cidade completamente diferente, mas e daí? Oslo precisa de espaço, precisa de modernidade e é uma importante capital nórdica, uma das cidades mais ricas do planeta. Fomentar a inovação e a expressão artística está enraizado na cultura local, e é admirável o crescimento da cidade.

No Rio, o Porto Maravilha renovará uma região que era apenas ponto de passagem para milhares de pessoas apressadas no coração da cidade. Não se deve priorizar apenas as regiões nobres, tampouco se deve ser necessário expandir os limites urbanos para que desenvolvimento e crescimento ocorram. Reinventar, recriar, redimensionar.

Puerto Madero, em Buenos Aires, e Port Vell, em Barcelona, são exemplos de sucesso de reconstruções de regiões centrais destas cidades.

Etiquetado , , , , , , , , , , , , ,

Vídeo mexicano choca o planeta

Em diversos cantos do mundo, pessoas de diferentes origens repetem: “Esse não é o mundo que eu quero deixar para os meus filhos”.

Seguindo essa ideia, o grupo “Nuestro Mexico del Futuro” produziu um vídeo chocante, em que crianças realizam atos que infelizmente já não nos chocam tanto quando praticados por adultos.

Veja:

Etiquetado , , , , , ,

Porque o governo não deveria trazer médicos cubanos

Nos últimos dias, uma calorosa discussão tomou conta das redes sociais e, por conseguinte, da grande mídia.

Alvo de protestos, o programa Mais Médicos busca atrair profissionais de outros países

A chegada do primeiro grupo de médicos estrangeiros que atuarão no Brasil sob o programa Mais Médicos provocou protestos diretos de alguns médicos brasileiros, ilustrado por uma marcante imagem no aeroporto de Fortaleza, em que um profissional negro é vaiado por manifestantes.

Em primeiro lugar, acredito que as manifestantes estavam erradas. Aquele homem não deveria ser o alvo de seus protestos, mas os governantes do Brasil. Piores ainda são manifestações preconceituosas como a da jornalista Micheline Borges. Não concordo com o jornalista Reinaldo Azevedo que diz que não há xenofobia no Brasil. Há, sim, infelizmente. Mas essa não é a raiz do problema.

Os médicos cubanos vivem em um regime ditatorial comunista, e seus salários mensais no país de origem são de US$25 a US$41 (menos de R$100). Fora isso, Cuba carece de diversas liberdades individuais. Com o acordo que o governo brasileiro fez com a Organização Panamericana da Saúde (OPAS), os médicos cubanos devem receber de R$2500 a R$4000. Quem não toparia a troca?

Pois bem, assim como países paupérrimos da África e do Caribe, regiões inóspitas do país carecem de médicos e demais profissionais da saúde. São 701 municípios sem um médico sequer, e mais umas centenas com um ou dois profissionais. Trazer profissionais qualificados do exterior é algo que até mesmo países desenvolvidos fazem, como o Canadá e a Austrália, por exemplo.

Mas onde está o problema com os médicos cubanos, você deve estar se perguntando?

Os médicos receberão apenas de 25-40% do dinheiro pago pelo governo brasileiro pela “importação”. O restante vai para o bolso dos irmãos Castro. É isso mesmo.

Do Correio Braziliense:

Para o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, é justo que o povo cubano receba parte destinada ao pagamento dos médicos cubanos, pois, segundo ele, o governo da ilha investiu muito na formação desses profissionais. “Nós entendemos que é justo que o povo cubano, que se sacrificou pela formação desses médicos, tenha também a possibilidade de aferir dos rendimentos que esses médicos vão ter no país. É uma questão entre os médicos e o país”, disse Carvalho.

No acordo, os repasses financeiros serão feitos do Ministério da Saúde para a Opas, da Opas para o governo cubando, que é quem pagará os médicos. Inicialmente nem a Opas e nem o Ministério da Saúde souberam especificar quanto dos R$ 10 mil pagos por médico será repassado para os profissionais, porém, o secretário adjunto de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Fernando Menezes, disse depois que a remuneração ficaria entre R$ 2,5 mil e R$ 4 mil.

Você concorda com os argumentos do ministro quanto à “justiça” no redirecionamento de dinheiro do Estado brasileiro (também conhecido como o SEU dinheiro, dos SEUS impostos)?

Mais além, tente vislumbrar: que motivos um governo teria para abrir mão de 4 mil profissionais da saúde, especialmente em um país tão ou mais pobre quanto o Brasil?

Ao menos no papel, o programa prevê ampliação das vagas de medicina no Brasil e investimentos nas unidades de saúde espalhadas pelo Brasil, mas… será que acontecerá mesmo? Porque até mesmo integrantes do governo admitem que a burocracia impede que a verba que seria destinada a investimentos de fato se transforme em atividades reais.

As condições de trabalho de profissionais da saúde em hospitais públicos no Brasil é calamitosa. De norte a sul do país, as reclamações são similares: falta de equipamentos, medicamentos, profissionais, superlotação, etc etc. Trazer médicos estrangeiros ajuda, é claro, mas não é a solução para o gargalo da saúde no Brasil.

Portanto, por motivos ideológicos, acredito que o programa Mais Médicos deve ser olhado não apenas pela ótica prática, mas também sob a ótica política e diplomática. Ricardo Noblat pensa o contrário, e eu sugiro que vocês também leiam seus argumentos.

Veja abaixo o discurso do Dr. Rogério Bicalho e se informe. O que você acha do programa Mais Médicos?

Senhora Presidente. Após 6 anos de Faculdade de medicina , 2 anos de residência em um Hospital Federal Sucateado, 3 anos de residência em Cirurgia Oncológica no INCa ( onde existem filas enormes de pacientes para operar ) fui para o interior. Aqui chegando resolvi dedicar um dia da semana para operar pacientes com câncer do SUS. Brigando com todos por estrutura, equipamentos para o centro cirúrgico ……… Consegui …….. MAS PAREI….. Estou enviando em anexo o demonstrativo de pagamento . São 10 pacientes operados por um especialista BRASILEIRO . Notem que operei em novembro e dezembro e recebi em maio do ano seguinte . Portanto a senhora quer me culpar pelo caos na saúde , me pagando em média 200 reais por cirurgia de câncer , demorando 5 meses pra pagar . Sem dar condições mínimas , sendo que muitas vezes eu que comprava os fios cirúrgicos . Senhora presidente estou a disposição para voltar , largo minha clínica particular e volto . Mas me paga de forma justa e em dia . Não precisamos de médicos estrangeiros assim como eu existem milhares por aí…. Tá lançado o desafio me paga que volto.

Etiquetado , , , , , , , , , , ,

A visita de R$118 milhões. Você paga.

Centenas de milhares de jovens católicos celebraram na tarde de ontem a chegada do pontífice à cidade do Rio de Janeiro para a Jornada Mundial da Juventude.

No entanto, essa visita ilustre tem uma contra-partida salgada: a conta.

Os governos federal, estadual e municipal gastarão R$ 118 milhões com a visita. D’O Globo:

Só o governo federal desembolsará R$ 62 milhões, sendo R$ 30 milhões com ações de segurança e defesa. Estado e município darão R$ 28 milhões cada.

Enquanto o Papa estiver em território brasileiro, a segurança terá um efetivo de 10.700 homens, sendo 9 mil das Forças Armadas e 1.700 da Força Nacional. Só em Guaratiba, onde acontecerá uma vigília e a missa campal, haverá 1.500 homens da Força Nacional. A Igreja vai entrar com a contratação de 2 mil seguranças privados.

O governo trabalha com a estimativa de que a Igreja arrecadará R$ 140 milhões com a taxa de inscrição dos participantes do evento, contando que entre 350 mil e 450 mil pessoas se inscrevam. Mas o Vaticano espera um público bem maior: 800 mil. Caberá à Igreja bancar a estrutura do evento e a hospedagem dos peregrinos.

Quem trabalha na organização do evento pelo governo justifica os gastos lembrando o caso de Madri, sede da jornada em 2011, quando 2 milhões de peregrinos se reuniram na capital espanhola. Os gastos do governo também ultrapassaram R$ 100 milhões, mas a arrecadação gerada pelos jovens no país superou as despesas em 200%.

O Vaticano vai mandar ao Brasil dois papamóveis, para a eventualidade de um deles quebrar. Os dois veículos têm que acompanhar o Papa em todos os lugares. Para transportá-los do Rio para Aparecida, onde o Papa celebrará uma missa no Santuário Nossa Senhora da Conceição de Aparecida, será usado um avião Hércules, operação que custará à União R$ 1 milhão.

Os gastos com seguranças são inevitáveis e necessários.

Infelizmente, o jornal não detalhou de que forma os R$118 mi serão gastos, mas… será que essa conta deveria sair do nosso bolso?

Etiquetado , , , , , , , ,
Anúncios