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Nasce o futuro Rei do Reino Unido!

O dia mais esperado pelos súditos britânicos nos últimos tempos chegou: a duquesa de Cambridge, Kate Middleton, deu à luz às 16h24 (horário de Londres) a um saudável menino com 3,7kg.

Seguindo a tradição da família real inglesa, um mensageiro do Palácio de Buckingham colocou em um cavalete o documento assinado pelo médico com os detalhes do bebê

O rapazote (ainda sem nome) ocupa o 3º posto na fila de sucessão ao trono britânico, atrás do avô (Príncipe Charles) e do pai, Príncipe William.

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Do UOL:

O nascimento do bebê real movimentou apostas na Grã-Bretanha. Com a esperança de receber o grande prêmio, os jogadores apostaram sobre o sexo, o nome, o peso e até a cor do cabelo do futuro rei (ou rainha).

Segundo uma pesquisa publicada pelo jornal britânico “Mail on Sunday“, entre os nomes que os britânicos gostariam de dar para o novo membro da casa real, os preferidos eram James, no caso de um príncipe, ou Victoria, se fosse uma princesa.

De acordo com o jornal “Sunday Times”, as preferências mostram uma tendência tradicionalista, já que James I foi um soberano muito apreciado na história do país, reinando entre 1603 e 1625.

O nascimento do bebê só foi anunciado ao público após seguir um extenso protocolo no Palácio de Buckingham. Logo após a chegada do herdeiro real, as principais informações do bebê, como sexo, peso, altura e horário do nascimento foram escritas em um papel oficial, timbrado com o brasão da família real.

Esse papel então foi levado por um assessor da realeza presente no hospital a um motorista, que, por sua vez, levou as informações até o Palácio.

A Rainha Elizabeth 2ª e membros mais velhos da família real foram então informados da chegada do bebê, assim como os pais da Duquesa de Cambridge. Só depois disso é que o nascimento foi divulgado aos súditos, com a colocação de um cavalete na frente do Palácio. O Twitter oficial do Palácio anunciou o nascimento apenas após o cumprimento de todas essas etapas.

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Quem será o próximo presidente do Brasil?

Se alguém me perguntasse há três meses quem ganhará as eleições para a presidência da república em 2014, eu seria louco se não respondesse que a reeleição da Dilma era a única aposta racional.

Rapidamente, o cenário mudou. Como em toda boa competição, um acidente no meio do caminho juntou os principais candidatos e indicou que, apesar de estarmos muito longe das urnas, a corrida está acirrada.

Ao mesmo tempo, alguns pré-candidatos correm o risco de perder fôlego. Vem comigo e vamos analisar as chances dos principais candidatos ao cargo mais importante do Brasil.

1) Dilma Rousseff

A atual presidente da república continua sendo a principal favorita. Ainda que as mais recentes pesquisas indiquem uma queda vertiginosa na sua popularidade e intenções de voto, Dilma conta com algo que nenhum de seus adversários pode contar: a máquina pública. Os gastos com publicidade do governo federal atingiram R$ 391 milhões em 2012. É um aumento de 11% em relação ao ano anterior. Fora isso, os programas sociais têm forte apelo popular e influenciam diretamente o direcionamento de milhões de brasileiros, temerosos de perder seus benefícios.

Contra Dilma, os atuais protestos mancharam a imagem da presidência. A aura de boa gestão, até então surpreendentemente intocada – apesar dos diversos escândalos que resultaram na demissão de diversos ministros e do péssimo desempenho da economia – agora já não parece mais tão reluzente.

Some-se a isto a inflação persistentemente alta e a insatisfação com a corrupção e ausência de representatividade e tem-se a receita perfeita para o bolo desandar. Não é a toa que a popularidade de Dilma caiu tão rapidamente.

2) Lula

Lula tem se mantido sordidamente afastado das manifestações e do governo desde que os protestos se espalharam pelo Brasil. O ex-presidente, que de bobo não tem nada, sabe do efeito devastador que os protestos têm sobre a imagem dos líderes do momento, e tem ficado em cima do muro em boa parte das opiniões destiladas até o momento.

Não são poucas as pessoas que desejam a volta do ex-presidente ao Palácio do Planalto. E as comparações a Getúlio Vargas são inevitáveis – e “nos braços do povo“, Lula pode construir sua candidatura a mais quatro anos no poder. Oficialmente, Lula nega a intenção de voltar à presidência, declarando apoio incondicional à reeleição de Dilma. Mas se as intenções de voto de sua escolhida continuarem a cair, não duvide: o ex-metalúrgico poderá assumir as rédeas da nação novamente.

3) Marina Silva

Marina recebeu mais de 20 milhões de votos em 2010 e tenta, de todas as formas, ter seu rosto nas urnas novamente em 2014. Contra ela, a incapacidade de gerir um partido político sustentável – com o perdão da ambiguidade – pode ser determinante.

Marina pode enfrentar um teto de vidro, porém: assim como em 2010, suas intenções de voto são majoritárias entre eleitores mais instruídos e ricos: 44% das pessoas que recebem mais de 10 salários mínimos declaram suporte à sua candidatura na mais recente pesquisa feita pelo Ibope.

Outro ponto de resistência é seu posicionamento à esquerda do espectro político nacional. A resistência a um alinhamento mais de centro (à la Lula 2006) pode ser seu calvário. Mas Marina é uma mulher inteligente e deve saber se adaptar às necessidades. Seus posicionamentos religiosos, por exemplo, devem passar longe de sua plataforma política.

Temas complexos e distantes das preocupações dos mais pobres podem fazer sua rede voltar vazia nas próximas eleições. Se ela se reinventar, porém, preparem-se: podemos ter a primeira presidente negra do Brasil.

4) Aécio Neves

Neto de Tancredo, presidente eleito em 1985 (que nunca assumiu o cargo, pois sucumbiu à falência generalizada dos órgãos), é a esperança do PSDB de retornar ao poder. As suas chances, porém, são baixas.

O partido não colheu os louros das manifestações que derrubaram a popularidade de Dilma. A falta de união interna é um dos principais entraves ao sucesso da campanha de Aécio à presidência.

O distanciamento das camadas mais populares da população, reconhecido até mesmo pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, é outro fator que dificulta os planos do senador mineiro.

Por outro lado, o PSDB tem nome e estrutura para a corrida. A candidatura de Aécio Neves deve receber fortes injeções financeiras, e isso pode colaborar para o crescimento do tucano nas pesquisas.

5) Eduardo Campos

O governador de Pernambuco mantém aceso o sonho de chegar à presidência. A força de seu nome e a elogiável gestão em seu estado contam a seu favor. Porém, romper com o PT seria um péssimo negócio para o PSB em 2014, o que gera até mesmo divergências internas quanto à sua potencial candidatura.

Pessoalmente, acho pouco provável que Eduardo Campos prossiga com seus planos de se candidatar. Um acordo com o partido dos trabalhadores em troca de maior representatividade nacional, porém, pode mudar os rumos de Campos.

6) Outro

A chance de um nome surgir do nada e assumir a presidência em 18 meses existe, mas é baixa. Joaquim Barbosa é desejado por muitos, mas não esboça o menor interesse em largar uma sólida carreira jurídica e o 4º cargo mais importante do país pela politicagem que as eleições envolvem. A insatisfação do PMDB com o tratamento dispensado por Dilma pode fazer o maior partido do Brasil lançar candidatura própria, ainda que não exista a menor chance dos pmdbistas algum dia chegarem a um consenso. Nomes como Ciro Gomes e José Serra já estão envelhecidos e desgastados, mas sempre podem concorrer pela atenção dos eleitores.

Meu palpite: continuaremos sob uma gestão feminina. Entre Dilma e Marina, a novidade deve prevalecer no segundo turno (se Marina conseguir tecer sua REDE e decidir amainar seu discurso de esquerda em relação à gestão econômica).

E você, o que acha? Palpite nos comentários!

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O povo derrubou as passagens de ônibus. E agora?

Nesta quarta-feira, o povo brasileiro teve uma vitória política única. Após dias de protestos por todo o país (e no exterior), os prefeitos das duas maiores cidades brasileiras tiveram que recuar e baixar as passagens do transporte público. Mas as manifestações iam muito além dos vinte centavos, e isso todos já sabiam. O que acontece agora?

Há dois cenários mais prováveis (e opostos).

1) A preguiça desmantela o “movimento” e tudo fica como está

Não é à toa que, quando alguém decide caçoar da capacidade de mobilização do povo brasileiro, cita um trecho de nosso hino: “deitado eternamente em berço esplêndido”. Não somos naturalmente mobilizados. Ao contrário dos franceses e gregos, o brasileiro “deixa a vida me levar/vida leva eu”.

O estopim das mobilizações foi a elevação nas tarifas de ônibus. Pois bem, a alta não existe mais. Mesmo que ela tivesse persistido, o assunto corria o risco de cair no esquecimento (assim como Marco Feliciano, Renan Calheiros e tantas outras pautas inevitavelmente acabaram em pizza no passado).

Mas justamente o recuo dos prefeitos pode alimentar as manifestações, porque…

2) Onde passa boi, passa boiada.

O ditado popular cai como uma luva neste caso. O povo brasileiro deu uma “pequena” demonstração de insatisfação (comparada aos meses de protestos contra a troika e suas medidas de austeridade na Grécia, por exemplo) e o governo já recuou. A presidente se escondeu o quanto pode, e em sua única aparição pública no período foi vaiada por pessoas que pagaram pelo menos R$280 para ver a estreia da seleção na Copa das Confederações. Governador e prefeito tiveram que engolir seus discursos e acatar a opinião pública. E tudo isso fortalece o “movimento”.

Insisto nas aspas porque não há um movimento. São vários, simultâneos. Não há pauta única: há insatisfação generalizada com a situação do país. E ao mesmo tempo que isso torna difusa a solução do problema, isso também torna as manifestações mais fortes e persistentes.

Ao ceder sem exigir nada em contrapartida, os políticos abrem uma brecha para a fortificação dos protestos. Mas não havia como exigir nada! Mesmo que se tivesse negociado com o Movimento Passe Livre, principal mobilizador dos primeiros protestos, não seria possível impedir que os manifestantes continuassem nas ruas, criticando o governo.

E por isso, o mais provável é que estes últimos dias sirvam de lição para o povo. A união e mobilização traz resultados – e dificilmente o povo ficará acuado daqui para a frente.

Quais as consequências finais disso?

Se os movimentos persistirem por bastante tempo, podemos finalmente vislumbrar uma reforma política. Reforma a partir da qual os partidos busquem verdadeiramente representar o povo, e que pode levar a maior transparência e cobrança.

Se isso realmente vai acontecer, só o tempo dirá.

Vem pra rua!

 

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Vinte centavos que fizeram o Brasil acordar

Seria irresponsabilidade minha deixar passar um tópico tão relevante no cenário social e político brasileiro atual.

Sim, porque o levante contra a administração pública vai muito além dos vinte centavos de incremento na tarifa do transporte público na maior cidade do país. Isso é natural quando se tem inflação em patamares persistente e consideravelmente altos, somados aos ganhos salariais dos profissionais do setor. Ele até foi postergado a pedido do governo central para evitar um pico de inflação no início de ano. Não lembra?

O povo brasileiro acordou. Não acredite na mídia mainstream, ignore os episódios de violência (o quanto puder) e analise com frieza:

O brasileiro trabalha 150 dias por ano para pagar impostos. É isso mesmo: quase cinco meses APENAS para doar para o governo. Estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário aponta que, em 2013, o contribuinte brasileiro destinará 41,08% do seu rendimento bruto para pagar tributos sobre os rendimentos, consumo e patrimônio, entre outros. No ano que passou, a arrecadação tributária total chegou a R$ 1,59 trilhão, equivalente a mais de 36% do PIB nacional.

E o que ganha em troca?

– Ensino público fundamental e médio entre os piores do mundo. Segundo relatório do Fórum Econômico Mundial, o Brasil está na 116a posição (em um ranking com 144 países) em educação. Em matemática e ciências, estamos atrás até mesmo da Etiópia, onde os índices de miséria são assombrosamente superiores aos brasileiros.

– Saúde pública ineficiente em diversas regiões do país. Não há leitos suficientes em diversas cidades, e pacientes são tratados como lixo.

– Falta de segurança/elevados índices de violência; das 50 cidades mais violentas do mundo, 16 estão no Brasil.

– Transporte público insuficiente e de péssima qualidade. Trânsito entre os piores do planeta.

E muito, muito mais estatísticas negativas.

Segundo estudo do UBS, as passagens de ônibus de São Paulo e Rio de Janeiro (cidades em que os protestos contra os aumentos têm sido mais intensos) ainda estão longe do topo da lista. Então se você acha que essa discussão é sobre R$0,20, repense.

A inflação ainda está na memória de muitos brasileiros, e o governo demorou para perceber que o seu sonho de uma noite de verão regado a bolsa família e incremento do consumo via crédito acabou faz tempo. Se o governo não agir rapidamente para consertar as bases da economia brasileira, sofrerá as consequências nas urnas em 2014.

Esqueça a discussão vândalos vs. policiais. Vamos discutir o Brasil do qual queremos nos orgulhar.

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Será possível resolver os problemas da união europeia numa folha A4?

Para primeira crónica no “Economistinha” podia começar logo a falar da enorme crise que afeta atualmente o Continente Europeu, a União Europeia e em especial a Zona Euro!

Mas mais importante que falar das razões da crise, (pelo menos por agora) é a necessidade de compreendermos porque é que a União Europeia e as Instituições que a compõem não conseguem dar uma resposta coordenada e eficaz para promover a mudança deste ciclo recessivo que está a afetar o velho Continente.

 

Como tal vamos tentar perceber como funciona a União Europeia e quais as instituições que a compõem! Como funcionam? Quais os seus poderes? Serão realmente democráticas? E como podia a União Europeia ser, para conseguir dar uma melhor resposta à crise e às apreensões dos povos europeus?

 

Rui Tavares é Eurodeputado independente e explica de forma acessível a todos a encruzilhada de Tratados e “patamares de democracia” que atualmente definem a União Europeia e que faz com que os povos Europeus sintam cada vez mais um distanciamento da Europa. Deixa no fim, é claro, uma sugestão de União Federal e de criação de respostas coletivas para a crise, isto tudo numa folha A4. Sendo que um Europeísta convicto subscrevo as suas palavras!

Rui Tavares (Lisboa, 1972) é historiador, cronista e deputado ao Parlamento Europeu (independente, Verdes/Aliança Verde Europeia), onde trabalha nas áreas de Liberdades e Direitos Civis, Direitos Humanos e Cultura e Educação.

É doutorando na Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris, onde conclui uma investigação sobre censura no século XVIII. Publicou, entre vários títulos, “O Pequeno Livro do Grande Terramoto” (Tinta-da-China), e traduziu autores setecentistas e oitocentistas. Escreve duas crónicas por semana no jornal “Público”.

Uma excelente intervenção no TedX Cascais em Portugal que vale a pena assistir!

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