Arquivo da categoria: Professor Economistinha

Quer aprender alemão online e de graça? O Deutsche Welle vai te ajudar.

Aprender uma segunda língua é primordial para o seu crescimento pessoal. Falar inglês já não é diferencial no mercado de trabalho há bastante tempo – e o espanhol caminha para se tornar igualmente importante.

Como coração pulsante da Europa, a Alemanha é uma das principais origens de investimentos no Brasil. São Paulo é considerada a maior cidade industrial da Alemanha, com a concentração de fábricas de grandes marcas germânicas como Volkswagen, Siemens, Basf, Mercedez-Benz e Bayer.

Para te ajudar a entender um pouco mais da língua germânica, o Deutsche Welle preparou uma telenovela em curtos episódios no Youtube. A lista completa pode ser acessada neste link, e você pode assistir ao primeiro episódio abaixo. De forma leve e divertida, a série ajuda aqueles que já possuem uma base de alemão.

Se você ainda é um iniciante, neste link você encontrará aulas mais completas. Divirta-se!

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Setor Externo ameaça economia brasileira

Não foi por falta de aviso. Nem por falta de histórico.

As crises do petróleo escancararam o déficit em conta corrente brasileiro nas décadas de 1970 e 80, e a solução final veio apenas com o plano real, suas elevadíssimas taxas de juros e empréstimos com o FMI para evitar um novo calote da dívida.

Durante a última década, o Brasil surfou uma onda de elevação dos preços das commodities (produtos básicos, como soja, milho e minério de ferro) e não teve de se preocupar com sua conta corrente.

A forte entrada de investimentos e os superávits na balança comercial (exportações maiores que as importações) fizeram com que a conta corrente fosse assunto de livros de história.

Porém, isso começou a se inverter com o estopim da crise do sub-prime americano em 2008 e desde então vem se agravando. Com o sucateamento da indústria brasileira, importamos mais e mais produtos industrializados. Mas ainda exportávamos muita soja e ferro, e estava tudo bem. Mas o cenário pode se inverter de vez – e isso pode deteriorar fortemente o cenário econômico nacional.

Da Folha:

A possibilidade de que a desaceleração na China e a retomada dos EUA ocorram em ritmo mais forte do que o previsto representa um risco para o Brasil.

As duas maiores economias do mundo caminham em direções opostas.

Se esse descasamento se acelerar rapidamente, o Brasil poderá se deparar com dificuldades para financiar o crescente rombo em suas contas com o exterior, que chegou a 3% do PIB (Produto Interno Bruto).

Uma fraqueza mais acentuada da China levaria a uma desaceleração maior das exportações brasileiras, podendo provocar um maior deficit em conta-corrente.

Esse saldo negativo nas transações do país com o exterior precisa ser financiado com recursos externos.

Nos últimos cinco anos de deficit, os investimentos estrangeiros diretos cobriram os buracos. Em 2013, essa situação mudou. O país voltou a depender de recursos mais voláteis, como investimentos em ações e renda fixa.

A expectativa de analistas para a entrada desses fluxos no Brasil em 2013 é boa.

A possível pedra no caminho pode ser uma recuperação mais rápida dos EUA.

Isso levaria parte desses recursos a sair de mercados emergentes e migrar para ativos americanos, principalmente em um possível cenário de alta de juros nos EUA.

Reservas de US$ 375 bilhões ajudariam a conter uma desvalorização do real.

Mas, segundo o economista Affonso Celso Pastore, a tendência seria de uma “correção contracionista” no Brasil, ou seja, com impacto negativo sobre a atividade:

“Se houver restrição de capital quando os Estados Unidos começarem a retirar liquidez do mercado, o câmbio no Brasil sofrerá um ajuste”, disse Pastore durante seminário da EMTA (Emerging Markets Trade Association) na última quinta-feira.

Uma desvalorização mais forte do real pressionaria a inflação, que está próxima ao teto da meta, de 6,5% (o centro da meta é 4,5%).

Isso poderia forçar o Banco Central a aumentar mais os juros, freando o crescimento bruscamente.

O renomado economista Mansueto Almeida não crê que isso seja grave no momento, mas alerta para os riscos no longo prazo:

O problema agora é que começamos a voltar para um déficit em conta corrente elevado, sem perspectiva de redução nos próximos anos. Se de fato a taxa de investimento começa a crescer e caminhar ao longo dos próximos anos para romper a barreira dos 20% do PIB, o déficit em conta corrente vai se aprofundar ainda mais e, possivelmente, vamos romper a barreira dos 4% do PIB novamente.

O pior de tudo isso é que o Brasil ainda é uma economia muito fechada e já estamos com um déficit em conta corrente elevado. Dado o nosso histórico, isso preocupa, até porque um país que cresce com o uso elevado de poupança externa tem câmbio valorizado, algo que o governo e indústria não querem.

Estamos na iminência de uma crise do setor externo? De maneira alguma. Estamos longe disso. O problema é que para crescer mais rápido vamos precisar, cada vez mais, da ajuda do resto do mundo. Uma  estratégia que tem riscos no longo prazo e um modelo que implica uma moeda mais valorizada. Esse é um novo problema para o próximo governo.

Se você não entendeu, tudo isso pode contribuir para desacelerar ainda mais o crescimento da economia brasileira nos próximos anos e elevar a inflação. Uma combinação nada agradável que os Brasileiros acima d0s 30 anos lembram bem.

E agora, Dilma?

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Sobre tomates, sazonalidade e a inflação em geral

A forte elevação do preço do tomate nos últimos meses gerou burburinho nas redes sociais e nos noticiários brasileiros. Diversas charges e imagens com o produto viralizaram, e até mesmo a apresentadora Ana Maria Braga comprou a briga por preços mais acessíveis para o tomate.

Mas o que foi que eu fiz?

O tomate é uma das frutas (sim, tomate é uma fruta) preferidas do brasileiro. Dificilmente você verá uma salada sem este alimento rico em licopeno. E exatamente por isso a alta no preço fez tanto barulho.

tomate_sedDe acordo com o Ceagesp, entre março e julho temos um período de fraca sazonalidade para a produção do tomate. Ou seja, a oferta cai (se quiser saber mais sobre a sazonalidade do tomate, acesse este trabalho de conclusão de curso sobre o tema).

Como o tomate é um bem com demanda bastante inelástica, a redução na oferta repercute rapidamente em elevação nos preços. Não entendeu? Calma, eu explico.

Bens com demanda inelástica são aqueles que, mesmo com a elevação nos preços, o consumo não cai tanto. No sentido oposto, não é porque o preço cai que todo mundo comprará mais. Produtos da cesta básica, em geral, possuem demanda mais inelástica.

Confira o gráfico. A oferta passou da linha verde mais à direita para a mais à esquerda. A curva de demanda (representada pela linha vermelha) não varia. Portanto, o equilíbrio de mercado passa do ponto A para o ponto B, em que uma quantidade menor é vendida a um preço mais elevado.

Na ausência de outras alterações, quando o período de entressafra acabasse, a oferta retornaria à curva verde à direita e o preço retornaria ao patamar anterior.

É claro que a economia não é tão simples, pois diversos outros fatores externos também influenciam na formação do preço do tomate. Mas de forma simplificada, esse é o motivo pelo qual os preços sobem quando a sazonalidade é de baixa produção.

Tá achando o tomate caro demais para o seu bolso? Substitua-o por cenoura, pepino ou outras leguminosas que estejam mais acessíveis. Se os hábitos de consumo se alterarem, a curva de demanda ficará mais elástica, ou seja, mais inclinada. Com isso, o preço não subirá tanto na entressafra, e você poderá economizar algum dinheiro!

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A importância do discurso oficial no combate à inflação

Todos já devem saber do rebuliço causado por uma frase infeliz (para dizer o mínimo) de nossa excelentíssima senhora presidente da república, Dilma Rousseff, da semana passada:

Eu não concordo com políticas de combate à inflação que ‘olhem’ a questão do crescimento econômico, até porque temos uma contraprova dada pela realidade: tivemos um baixo crescimento no ano passado e um aumento da inflação, porque houve um choque de oferta devido à crise e fatores externos.

Que frase infeliz, hein Dilma…

A reação do mercado foi imediata: a expectativa de juros futuros dos investidores cedeu, acreditando em uma influência direta da presidência sobre as decisões do Banco Central.

Além da possibilidade de menosprezo ao controle da inflação em si, que já é um problema grave, a frase de Dilma respingou na autonomia do Banco Central. Aí você me pergunta: mas porque é importante ter um BC independente? Deixarei o economista Roberto Luís Troster responder:

troster

 

O governo pode confundir seus próprios interesses de curto prazo (como Troster disse, popularidade/eleições) com os de longo prazo do Estado, da nação (estabilidade e crescimento sustentado). E aí reside a importância de um BC independente.

Voltando, então, à questão principal deste post: Por que o discurso é tão importante?

Porque os preços são formados, basicamente, por:

1) Preços passados. O preço de ontem é fator importante na formação do preço de hoje.

2) Atividade econômica: se a economia está aquecida, a demanda por produtos e serviços aumenta. Logo, os preços sobem para ajustar a economia. O oposto acontece em uma economia deprimida: se a demanda se retrai, o ofertante terá menores incentivos para subir os preços (se não reduzi-los).

3) Custos. Se os custos estiverem acima do preço final, é pouco provável que haja oferta. Neste caso, os preços devem subir.

4) EXPECTATIVAS.

Aqui mora a grande incógnita da formação de preços em uma economia.

Se os ofertantes acham que a economia vai melhorar (ou que seus custos vão subir), eles tentarão antecipar o movimento para não perder dinheiro. Aí, o nível de preços sobe mesmo.

Dentre outros motivos, é por isto que as taxas de juros futuras têm influência nos níveis de preço: se um produtor achar que terá de pagar mais juros no futuro para financiar investimentos, pode desistir de alguns. No agregado, isso desacelera a economia como um todo, freando a aceleração dos preços.

Devido a isto, economias mais indexadas tendem a apresentar inflação mais resistente.

Até hoje, ainda temos resquícios de quando boa parte de nossa economia era indexada: os contratos de aluguel, por exemplo. Eles são reajustados com base em índices de inflação como o IGP-M. Até a década de 80, até mesmo salários eram reajustados desta forma. Aí, quem podia se antecipar colocava uma gordurinha a mais, especialmente com o temor dos congelamentos de preços (a partir do plano cruzado).

Está formada a grande panaceia dos preços: a inflação vai subindo de patamar em patamar: de 2%am para 4%am, para 8%am, para 16%, até chegarmos aos estratosféricos níveis de mais de 1000% de inflação ao ano.

Portanto, Dilma, fique quietinha que continuamos gostando de você. Ou não.

 

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Você conhece os critérios atuais de avaliação do IDH?

Post escrito por Johnatan Góis.

Renda, educação e saúde… Todo mundo tem uma ideia básica sobre os critérios de avaliação do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), mas o ranking dos países divulgado anualmente pelo Relatório de Desenvolvimento Humano da ONU  não é obtido de forma tão simplista assim.
Em 2011, os parâmetros de avaliação sofreram uma das maiores mudanças desde o início da criação do índice em 1990 pelos economistas Amartya Sen e Mahbub ul Haq. Vamos a elas:

  • Renda: o Produto Interno Bruto (PIB) per capita foi substituído pela Renda Nacional Bruta (RNB) per capita. Relacionado com o PIB, a RNB inclui o dinheiro recebido do exterior, seja uma remessa de dinheiro enviada pelos residentes de fora ou então investimentos, e diminui-se o valor pago ao exterior, como empréstimos e remessas de lucros das empresas de origem.
  • Educação: engloba dois indicadores e ambos foram alterados. O primeiro, que substituiu a taxa de alfabetização, engloba a média de anos de estudos de pessoas a partir de 25 anos. O segundo, que tratava sobre a taxa bruta de matrículas, deu lugar à expectativa de anos de estudos que a pessoa espera receber contado desde o seu nascimento. Essa mudança foi importante, uma vez que os países com IDH muito alto possuem elevado índice de matrículas brutas e alfabetização, não permitindo diferenciá-los.
  • Saúde: nesse critério, não houve mudanças. Continua-se utilizando a esperança de vida como avaliação. Esse indicador reflete as condições sanitárias e o atendimento à saúde de um país.

Essa não é a primeira vez que o indicador passa por mudanças, as sugestões feitas por críticos e o surgimento de novos dados são alguns dos fatores de adaptação. Ainda assim, os valores foram mantidos: variando de 0 a 1, sendo que, quanto mais próximo de 1, mais desenvolvido é o país. Também foram feitas revisões dos valores do IDH de alguns anos anteriores para que se possa estabelecer uma comparação com os atuais.

Histórico

Apesar dos avanços das nações avaliadas pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), as disparidades entre os países desenvolvidos e os em desenvolvimento são gritantes. É claro que isso não ocorreu ao acaso e, sim, é um reflexo histórico do desenvolvimento econômico desde o Mercantilismo , que visava apenas ao crescimento da Metrópole. Não é à toa que a maior parte das nações com IDH muito alto são as da Europa e/ou as pertencentes à Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).

IDH Source


Brasil

O país tem mantido uma boa evolução desde a criação do índice. Em 2007, o Brasil alcançou a categoria de IDH Alto, mas ainda está longe dos países que possuem IDH muito elevado. Apesar das falhas, é inegável o seu crescimento econômico nas últimas décadas. A desigualdade social tão grande, as fragilidades do sistema de educação e de saúde são um dos aspectos visíveis que limitam a ascensão no índice.

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