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Você sabe como o PIB é calculado?

Em 2011, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro ultrapassou o britânico, tornando a economia brasileira a 6a maior do planeta, apenas atrás de EUA, China, Japão, Alemanha e França. Muito bonito, muito legal, mas… poucas pessoas entendem como o PIB é realmente calculado.

O PIB representa a soma de tudo que é produzido em um país em determinado ano. Se seu carro foi produzido em 2011, ele não entrará na conta do PIB de 2012, por exemplo. Bens intermediários (aqueles que são utilizados na produção de outros) também não são considerados. Isto porque seu valor seria duplicado, quando se considerasse o valor do bem final.

Isto pode gerar confusão, claro, porque um bem pode ser final até virar intermediário – imagine um padeiro que compra farinha de trigo, por exemplo. Na hora que ele reporta seus custos e receitas, o valor da farinha estará lá – e terá que ser retirado, para considerarmos apenas o valor do pão. Complicado, né?

Por esta e outras razões, o PIB é medido por apenas uma instituição – o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), demora um bom tempo para ficar pronto (mais de dois meses de cálculos…) e sofre revisões.

O PIB também é medido sob duas óticas, da oferta e da demanda.

OFERTA:

Sob a ótica da oferta, o PIB é igual à soma dos Serviços (aprox 65%), Indústria (aprox 30%) e Agropecuária (aprox 5%). São considerados apenas produtos feitos dentro das fronteiras nacionais, ok?

A diferença entre PIB e PNB (Produto Nacional Bruto) é que o PNB considera tudo o que é produzido por empresas nacionais, seja dentro ou fora das fronteiras. Desconta-se, também, a produção de empresas estrangeiras no Brasil.

DEMANDA:

Sob a ótica da demanda, o PIB é igual à soma do consumo das famílias, do governo, dos investimentos públicos e privados e da diferença entre exportações e importações. Teoricamente, esta soma será idêntica à anterior, mas uma pequena diferença pode ocorrer – afinal, não é fácil somar TUDO o que se produz e consome em um país, não é?

Este método foi criado pelo economista britânico Richard Stone, na década de 1940, que foi laureado com o Nobel em 1984.

Espero que tenha ajudado vocês a entender um pouquinho melhor como funciona o cálculo das riquezas geradas por um país. Observem que o PIB não considera qualidade de vida, desigualdade social… Ele é bastante frio, e por isto questionado como medida de riqueza.

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Aprenda a controlar seus gastos!

Agora que todos já aprenderam a planejar seus gastos de acordo com suas necessidades, chegou a hora de aprender a controlar os seus gastos.

Sim, eu sei que isso não é nada fácil, especialmente quando tudo ao nosso redor nos compele a gastar mais e mais, especialmente com produtos ou serviços não essenciais ao nosso dia a dia.

Novamente, há diversas formas de se controlar os gastos:

1) Uma das mais usadas é anotar TUDO o que se gasta, todos os dias. Esta também é a mais fácil de dar errado. Gastos pequenos tendem a ser esquecidos, especialmente aqueles por impulso, e aos poucos você abandona este método.

2) Uma opção é realizar gastos pequenos apenas em dinheiro, e anotar os saques em caixas automáticos. Estabeleça um limite para estes gastos, e coloque-os como lazer, ou como supérfluos. Mesmo que você sobrestime estas categorias, ao menos você não perderá o controle com facilidade.

3) Há a possibilidade de realizar gastos com supérfluos APENAS no cartão de crédito. Assim, você não precisa anotar no mesmo dia: quando chegar a fatura, você terá o registro de tudo.

4) Por fim, há a maior solução para os preguiçosos, que foi o primeiro método que utilizei para controlar meu dinheiro. Faça uma análise atenta de como está gastando seu dinheiro, e identifique os gargalos. Será apenas uma estimativa, porque você não terá dados, mas tenho certeza que será possível identificar alguns pontos em que está gastando mais do que deve. Quando eu fiz, meu problema era a alimentação fora de casa: restaurantes e lanchonetes. Aí, você anota apenas os gastos nestas áreas, e estabelece limites bem claros, para evitar o descontrole. Você não terá um registro preciso de suas despesas, mas evitará ficar no vermelho.

Para anotar os gastos, alguns apelam para a agenda anual, outros para um caderno, alguns possuem uma planilha no computador pessoal. Todos estes métodos, porém, compelem você a negligenciar a anotação quando está longe. Também, podem se tornar complicados demais.

Para ajudar vocês, criei uma planilha no Google Docs que é simples, prática e objetiva. Para quem ainda não conhece, o Google permite que você tenha acesso a estes documentos em qualquer computador ou até mesmo no seu smartphone. Não terá desculpas para perder o controle, ok?

Não precisa ter medo da planilha, ela é prática e automatiza a maior parte das tarefas. Possui apenas dois passos, e durante todo o mês você precisará se preocupar apenas com um deles. Veja abaixo:

Nesta página, você registra seus gastos. Coloca o dia, a categoria, os detalhes e o valor gasto. Automaticamente, na tabelinha à direita, a soma é feita. No início de cada mês, basta duplicar esta folha, deletar as informações do mês anterior e começar a escrever os novos gastos.

Esta folha é o “briefing”, além do resumo dos gastos. A cada mês, basta copiar a tabelinha da direita da página correspondente e colar aqui. A coluna C tem as metas para aquele mês. Se você ultrapassa em alguma categoria, o texto fica vermelho e denuncia que você passou dos limites! Neste mês, eu teria gasto mais do que gostaria com Vestuário.

E pronto! Simples, não?

O ideal é que todos os dias você registre seus gastos. Parece um esforço grande, mas em um minutinho você fará isto. Não toma tempo algum, e vale muito a pena.

Vamos começar a registrar nossos gastos? Vocês conseguirão acessar a planilha acima através deste link. Dupliquem a planilha, salvem com o nome que preferirem e pronto! É só controlar os gastos.

Espero que vocês tenham gostado deste método e da planilha que construí especialmente para vocês. Qualquer dúvida, perguntem-me. Se tiverem sugestões, é só falar!

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Aprenda a se organizar financeiramente agora!

Desde que lancei O Economistinha, um dos temas que mais me pedem para abordar é finanças pessoais.

É possível controlar suas finanças sem grandes dores de cabeça. Vamos nos organizar?

Muitas pessoas não sabem organizar seu próprio dinheiro, e por isto acabam caindo no cheque especial com frequência, ou passam o fim do mês sem dinheiro para nada.

Há diversas formas de se organizar financeiramente, de ter controle de suas próprias finanças. Porém, diversas delas são complexas demais, e as pessoas pouco metódicas (como eu) tendem a abandonar tais métodos rapidamente.

Preparei dois posts (este e mais um, que irá ao ar amanhã) com algumas dicas de como se organizar melhor financeiramente, para evitar gargalos e retomar o controle da sua vida financeira.

Aproveitem que o mês de Abril começa na próxima semana para retomar o controle. Nesta semana, tome algumas medidas como teste, de forma a se organizar, para a partir da próxima você ter total noção de onde (e como) está gastando seu dinheiro.

A lição de casa de vocês para hoje é muito simples, e está no fim deste post.

1) Nunca gaste mais do que você ganha.

Esta pode parecer a dica mais estúpida, de tão óbvia, mas ainda assim MUITAS pessoas perdem o controle. Geralmente, isto está associado a gastos impulsivos (ou não) com cartões de crédito e débito, compras parceladas e contas em débito automático.

A cada mês, a diferença entre o que você ganha e o que você gasta se transforma em poupança (se positiva) ou dívidas (se negativa). Portanto, é sempre melhor tentar fazer com que esta subtração seja positiva.

Para ajudá-lo nesta tarefa, eu preparei uma tabelinha, que você verá a seguir. Antes, porém, você precisa ler a próxima dica.

2) Priorize os gastos.

Veja tudo com o que você costuma gastar, e dê prioridades a cada despesa. Gosto de separá-las em: PRIMORDIAIS, MUITO IMPORTANTES, IMPORTANTES e SUPÉRFLUAS.

Alimentação, por exemplo, é primordial. Mas quanto você gasta para comer a cada dia depende de quanto você pode gastar. (Exemplo: um restaurante mais caro pode ser luxo – e deve ser encarado como lazer).

Habitação também é importante, e uma decisão de longo prazo – você não consegue se mudar de um dia para o outro. Eletricidade, água, gás, etc…

E assim por diante.

Uma forma mais prática de estimar quanto você costuma gastar com cada item é verificar a peridicidade e o gasto individual.

Exemplo: Refeições fora de casa.

Frequência: De 2a a 6a.

Gasto médio: R$15.

Gasto mensal: Aprox 22 dias por mês, R$15 por dia: 22 x 15 = R$330.

3) Programe os pagamentos para quando você tem dinheiro.

Os pagamentos mais importantes, como luz, água, internet, celular, contas de cartões, etc, devem ser programados para quando você tem dinheiro na conta. Se você trabalha e recebe todo dia 5, por exemplo, agende a maior parte dos pagamentos para perto do dia 10. Assim, você evita problemas em caso de possíveis atrasos e não passa o mês desesperado, correndo atrás das suas finanças. O débito automático evita esquecimentos, mas também pode te levar a perder o controle de quanto gastou em cada conta. Pondere e decida se vale a pena!

Portanto, de hoje para amanhã quero que vocês montem uma tabela igual a abaixo, com as expectativas de gastos de vocês em cada área e a receita. Uma economia/poupança de 5% é o mínimo que eu espero de vocês! 😀 E recomendo ao menos 5% de “outros”, que podem incluir aleatoriedades não diretamente relacionadas a nenhuma outra categoria – para imprevistos. Faça a mão, não tem problema. O importante é que o total de gastos seja inferior ao total de receitas!

Na minha classificação, usei estas categorias:

Alimentação: Alimentação fora do domicílio.
Lazer: Festas, bares, cinemas, viagens, etc.
Transporte: Metrô, ônibus, combustível, pedágios e outros gastos de transporte (ex viagens de lazer).
Saúde: Academia, remédios, plano de saúde, etc.
Casa: Supermercado, aluguel, condomínio, contas de água, luz, internet, telefone, reformas, etc.
Educação: Gastos com educação, cursos, material didático, viagens com fins estudantis, etc.
Vestuário: Compras de roupas, calçados, etc.
Outros: Presentes, gastos extras, etc.

Talvez, a alguns, a forma que eu classifiquei não faça sentido. Não tem problema, construa a melhor forma de elencar e classificar os gastos PARA VOCÊ. A intenção é que, ao longo dos meses (após 2 meses já é possível ter uma fotografia interessante) você possa observar se suas estimativas estavam coerentes ou não, readaptá-las e ter o total controle das finanças, ok? Mãos a obra!

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Sobre atividade econômica, inflação e juros

Para quem não foi educado em economês, cada vez que William Bonner e Fátima Bernardes Patrícia Poeta mencionam alterações na taxa Selic o vazio se instala. Drama. What the hell isso quer dizer? Para isto, O Economistinha aqui está.

Segundo a curva de Phillips, o desemprego e a inflação são dois vetores opostos em um plano cartesiano, e a curva de Phillips apresenta as possibilidades de equilíbrio de uma economia, de forma convexa. Ou seja, para que a inflação se reduza, é preciso que o desemprego aumente. Para aumentar o emprego, a inflação, fatalmente, aumentará.

Ora, para que o desemprego diminua, é preciso que a economia esteja aquecida. Economia em alta, os empresários contratam mais. Por outro lado, se a demanda (a vontade de consumir) é superior à capacidade de produzir, isto gera pressão sobre os fatores produtivos – basicamente, falta produto – ao menos àquele preço. Aí, os preços sobem e a inflação se acelera.

Uma das ferramentas que um governo possui em uma economia aberta é o controle da taxa básica de juros. No Brasil, ela é chamada Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia, mas você não precisa decorar isto) e é determinada por reuniões periódicas do COPOM – Comitê de Política Monetária. Este comitê é formado por alguns dos maiores especialistas em macroeconomia no Brasil, diretores colegiados do Banco Central.

Por que a taxa Selic influencia a economia?

Porque a taxa Selic é a taxa-base da economia. Ela é muito próxima do juro do overnight que, de forma muito simplificada, seria a taxa de retorno de um investimento de duração de um dia livre de risco. Se os juros sobem, o incentivo para se investir na economia real diminuem. Se você pode ganhar dinheiro colocando o capital disponível no banco, para quê correr o risco construindo uma fábrica ou contratando novos funcionários? A mesma lógica vale para os bancos: eles estarão menos dispostos a emprestar, se podem ganhar dinheiro comprando títulos públicos, por exemplo.

E no sentido contrário, também é válido: juros menores ajudam a acelerar a economia.

E é por isto que o Banco Central baixa os juros quando a conjuntura não é favorável (desta vez, crise internacional) e a inflação está sob controle (há controvérsias…). Para dificultar a brincadeira, o efeito das alterações na Selic são defasados no tempo. Especialistas estimam que leve entre 6 e 9 meses para começar a se ver resultados. Ou seja, se o Banco Central erra, ferrou. Se a inflação voltar a acelerar e ultrapassar a meta (de 4,5% em 2012 e 2013, com dois pontos percentuais de tolerância para mais e para menos), o Presidente da instituição precisa mandar uma carta se explicando para o Ministro da Fazenda, e seu cargo corre o risco. Na história do Brasil, isto aconteceu duas vezes: em 2002 e 2003.

Para parar de blá blá blá, vocês viram que na semana passada o Copom cortou a Selic em 0,75 pp, né? Pois bem, a principal justificativa para tais atitudes são a crise europeia, como ficou explícito em atas de reuniões anteriores e implícito no comunicado:

Dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias, o Copom decidiu reduzir a taxa Selic para 9,75% a.a., sem viés, por cinco votos a favor e dois votos pela redução da taxa Selic em 0,5 p.p.

Esta redução, considerada vultosa, veio em um momento em que a instabilidade internacional é grande, mas a inflação acumulada em 12 meses está em 5,85% ao ano, e a inflação em 2011 ficou no teto da meta. O que você acha disso?

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