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Qual a melhor cidade do mundo para se viver?

Em maio deste ano, publicamos aqui que, pelo sexto ano consecutivo, Viena, na Áustria, era a melhor cidade para se viver. Segundo a consultoria Mercer, os museus, o excelente transporte público e a rica cultura tornam a capital austríaca imbatível.

Mas mamãe The Economist não concorda. De acordo com o mais recente ranking, divulgado pela EIU (Economist Intelligence Unit, braço de estatísticas da famosa revista britânica), a melhor cidade do mundo para se viver fica na Austrália. Mais especificamente, Melbourne.

(foto: visitmelbourne.com)

Logo atrás, vêm Viena, na Áustria, e Vancouver, no Canadá, com pontuações muito próximas da líder australiana. Completam o top 5 Toronto, que recentemente recebeu os jogos panamericanos, e, empatadas no 5o lugar, Adelaide, Austrália, e Calgary, Canadá.

(foto: vienna.info/Christian Stemper)

De acordo com a publicação, disponível para download gratuito após login neste link, a qualidade de vida no mundo, como um todo, caiu no último ano. Conflitos, atos de violência e terrorismo e a ascenção de grupos como o Estado Islâmico (ISIS, na sigla em inglês) fizeram com que o mundo se tornasse um lugar pior para se viver.

(foto: Wikipedia)

Com isto, Damasco, na Síria, despencou para a última posição do ranking (140a). Kiev, na Ucrania (132a), e Tripoli, na Libia (136a) tambem perderam muitos pontos no último ano.

Por outro lado, há melhoras no mundo em desenvolvimento. Harare, no Zimbabue (133o), e Kathmandu, no Nepal (124o), foram as cidades com maior incremento na sua pontuação.

As cidades brasileiras não foram bem. O Rio de Janeiro é a melhor do país, em 91o, seguido de São Paulo, na 95a posição. No continente, Buenos Aires lidera (62a colocada no mundo), seguda de Santiago (64a) e Montevideu (68a).

Protesto à Brasileira

Neste domingo, 16 de agosto, centenas de milhares de brasileiros[1] foram às ruas de mais de duzentas cidades no Brasil e no mundo para protestar.

No topo da pauta, o pedido de impeachment (ou renúncia) da presidente da república, Dilma Rousseff e a averiguação do envolvimento do ex-presidente Lula em desvios de dinheiro público e corrupção.

No entanto, alguns fatos marcaram essa demonstração democrática. Por um lado, extremistas de direita feriram a constituição ao pedir uma intervenção militar, enquanto outros carregavam cartazes com um discurso de ódio à Dilma. Felizmente, é uma minoria.

Por outro, os protestos tiveram cara de festa. Com sol e calor em boa parte do país, um alienígena recém-chegado poderia pensar que estávamos no carnaval ou na Copa do Mundo.

Avenida Paulista, em SP, completamente tomada por manifestantes (Foto: Paulo Whitaker/Reuters)

Amigos se reuniam para selfies, manifestantes fantasiados chamavam a atenção de cima de trios elétricos… O ápice foi a coreografia, criada e executada em Fortaleza.

Foi o necessário para que as viúvas de um governo natimorto abusassem da ironia nas redes sociais, ridicularizando os protestantes. Tudo virou motivo para o deboche, inclusive um manual de boa conduta no protesto. Não foram poucos os meus amigos que compartilharam coisas do tipo, e eu fui gratuitamente ofendido em um grupo de facebook por perguntar a respeito dos protestos.

Em Brasília, boneco inflável do ex-presidente Lula chamou a atenção durante o protesto (Foto: Evaristo Sa/AFP)

Essas pessoas são as mesmas que costumam posar de defensores das minorias, do alto de seus falsos-tronos morais, e isso que mais me enoja. Porque essas pessoas não entendem ou respeitam o Brasil e sua cultura.

O brasileiro comum não ouve Chico e lê Hegel: brasileiro ouve axé, funk, pagode, tecnobrega e lê a coluna de esportes do jornal dominical.

Ao coreografar “Fora Dilma, Fora Lula, Fora PT”, o brasileiro tornou o protesto mais brasileiro do que nunca. Brasileiro é festivo, é sorridente. E dançando também se protesta.

Enquanto o presidente da CUT, Vagner Freitas, conclama seus seguidores a “ir às ruas, entrincheirados, de armas na mão” para defender o governo a qualquer custo, o brasileiro protesta com pau de selfie e coreografia.

Ao se vitimizar, ironizar e dividir o país entre “nós vs. eles”, “ricos vs. pobres”, os governistas apenas inflamam extremistas e incentivam a violência e a intolerância.

Sinceramente, pode me chamar de coxinha. Eu prefiro me misturar a esta gente.

[1] De acordo com a policia militar, 879 mil pessoas se juntaram aos protestos em 205 cidades em 16/ago. De acordo com os manifestantes, eram aproximadamente 2 milhões.

Falta um ano. Afinal, vale a pena sediar os jogos olímpicos?

5 de agosto de 2016. Dois bilhões de pessoas estarão com os olhos vidrados na TV, admirados com as belezas que o Brasil desfila na cerimônia de abertura dos 31os Jogos Olímpicos de verão da era moderna.

Falta um ano.

Das 37 instalações esportivas, apenas estão prontas as arenas do futebol (reutilizadas da copa do mundo de 2014) e o sambódromo, palco do tiro com arco.

A pressão é grande. Obras atrasadas, poluição na baía de Guanabara, corrupção, e uma comunidade pobre no meio das instalações são alguns dos problemas (destacados pelo UOL aqui) que o Brasil enfrenta nessa reta final.

Com a economia em crise, vale a pena o investimento de mais de 38 bilhões de reais* para três semanas de festa?

Estimativas vs. Realidade

Quando o Brasil bateu Chicago, Madrid e Tóquio na disputa pelas olimpíadas, um estudo encomendado pelo Ministério do Esporte previa a movimentação de 51 bilhões de dólares em recursos e a geração de 120 mil empregos com os jogos olímpicos.

Charge maravilhosa por Adão Iturrusgarai

Porém, estudos econômicos demonstram que essas avaliações tendem a superestimar o impacto econômico de eventos como as olimpíadas. Como apontado por Porter e Fletcher nesse estudo, a utilização de um modelo I-O, típica nas estimativas de retorno a priore, é apenas recomendada para previsão de demanda a longo prazo – e não para eventos pontuais. Como eles demonstram, isso tende a distorcer os resultados apresentados.

Além disso, o custo de manutenção de elefantes brancos após os eventos é bastante relevante. O Brasil já sente isso, com estádios ultramodernos e gigantescos completamente vazios, apenas um ano após a realização da copa do mundo da FIFA.

Na Grécia, as Olimpíadas de 2004 foram um dos ingredientes para a crise que desola o país

Não é a toa que a maior parte dos países desenvolvidos vira as costas para a realização de eventos deste tipo. Recentemente, Boston retirou a sua candidatura aos jogos olímpicos de 2024. Para os jogos olímpicos de inverno de 2022, haviam apenas duas candidatas: Pequim e Almaty, no Cazaquistão. Outras candidatas retiraram sua candidatura. Com isso, a cidade chinesa foi escolhida (na última sexta-feira), tornando-se a primeira cidade a sediar tanto os jogos de inverno, quanto os de verão.

Como o Mashable destacou, eventos de grande porte são atrativos apenas para líderes controversos mostrarem o seu poder (algum paralelo com o desejo de Hitler de demonstrar a superioridade ariana em 1936?).

Eventos deste porte deixam um legado assustador para trás. Uma possível solução seria termos sedes fixas – e Atenas seria a candidata ideal para os jogos olímpicos de verão.

Voltando ao Brasil

Falta um ano para a abertura das Olimpíadas. Pela primeira vez, elas serão na América do Sul. Se vale a pena receber os jogos? Provavelmente não. No entanto, isso já é uma certeza. O custo já está comprometido.

Então, vamos fazer uma olimpíada histórica, em que os valores de excelência, amizade e respeito sejam promovidos e elevados à máxima potência.

*Segundo as estimativas mais recentes. Esse valor deve subir, visto que a desvalorização cambial elevará o custo de equipamentos importados.

Fiquei pelado no parque

Ontem, eu fiquei pelado no maior parque da cidade.

E eu adorei.

Essa semana está muito quente em Berlim.

Muito.

Hoje a temperatura chegou a 32 graus. No sábado, a expectativa é de chegar a 39.

Com essas temperaturas, não há nada melhor do que se refrescar junto à natureza.

Berlim não tem praia, mas tem vários lagos. Entre piscinas públicas, rios e lagos, há mais de 100 opções para dar um mergulho. E para quem nunca experimentou, não há sensação de maior integração com a natureza como nadar rodeado de patos, gansos e outros animais silvestres.

Isso é ainda melhor nu.

Na Alemanha contemporânea, o FKK (Frei Körper Kultur, ou Cultura do Corpo Livre) já não é tão popular quanto na antiga Alemanha Oriental. O Der Tagesspiegel comentou isso recentemente. Ainda assim, há diversos locais onde você pode se bronzear como veio ao mundo.

Créditos: Norbert Sander, Der Tagesspiegel

Um deles fica no coração da capital: o parque Tiergarten. Para não assustar turistas e conservadores, recomenda-se discrição (não vá fazer como a peladona de Porto Alegre). Você encontra a melhor área para o FKK, ao sul da Siegesseule. Para uma lista completa de endereços para tirar a roupa sem problemas na Alemanha, clique aqui.

A minha experiência

Desde que começou o verão, estava curioso para praticar o FKK.

Já havia ido a praias nudistas (em Sitges, na Espanha, e em Florianópolis), então o choque inicial não seria tão grande. Mas aqui na Alemanha, a sensação de liberdade é ainda maior.

Ninguém está nem aí se você esta pelado ou vestido, gordo ou magro, jovem ou idoso. Na área FKK do Wannsee, vi gente de 8 a 80 anos (200m, dos aprox. 1000m de praia às margens do lago, são dedicadas ao FKK).

Mas a primeira vez no parque, no meio da cidade, é especial.

Rodeado de árvores e arbustos, ao gorjear dos pássaros, nunca me senti tão bem.

Depois de encontrar tamanha liberdade na Alemanha, eu me pergunto: por que temos tanta vergonha da nossa nudez? Por que não temos mais áreas (praias, piscinas, saunas, parques) de nudez opcional?

O que você acha? Você iria a uma área nudista?

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Um café para amar Dublin

Um domingo chuvoso e um fim de viagem exaustivo.

Eu não esperava muito da cidade, especialmente após visitar Temple Bar no sábado e me sentir em pleno carnaval.

Mas assim que nos afastamos do circuito turístico rumo ao St. Stephen’s Green, mudamos de ideia. Especialmente ao parar no Coppinger Row, um dos cafés/restaurantes mais em voga em Dublin.

Escolhemos os ovos marroquinos com salsicha de almôndega, pimentões vermelhos grelhados, iogurte de menta e torradas:

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E ovos pouché com molho hollandaise sobre carne de porco desfiada, acompanhados de salada de rúcula e tomates grelhados.

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Para o brunch, o restaurante serve quatro tipos de bloody mary. Provamos dois, e não há nada melhor para curar a ressaca.

O ambiente é acolhedor e aconchegante, seguindo a linha irlandesa mas com toques de modernidade. O público era majoritariamente jovem, de grupos de amigos a casais de namorados.

Copyright: Wild and Grizzly

Chegamos cedo – 12h30 – e não precisamos esperar por mesa. Como o Coppinger Row está ganhando bastante atenção da mídia, siga o nosso exemplo – eles reservam apenas para grupos com seis pessoas ou mais (na noite anterior, tentamos jantar no Elephant & Castle, mas a fila de espera era de 2h30!).

Os preços são razoáveis, e gastamos menos de 30€ por pessoa – brunch, café, bloody mary.

A Irlanda ainda não é tão visitada por brasileiros como a Inglaterra, França ou Espanha, por exemplo. Ela reserva grandes belezas naturais, especialmente nos condados de Kerry, Claire e Galway.

Mas se você decidir conhecer a terra dos celtas e passar pela capital, não deixe de ir ao Coppinger Row.

Este é o meu primeiro post com dicas para o que fazer em viagens. Se vocês quiserem mais posts como esse, comentem!

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