Dica de site: Pq?

Descobrimos um site maravilhoso e queremos compartilhar com vocês, leitores do Economistinha. O Porque.

O objetivo do Porque é desmistificar a economia. Para isso, eles contam com a colaboração de dois grandes economistas, meus queridos ex-professores Carlos Eduardo Gonçalves e Mauro Rodrigues, além de Irineu Evangelista de Carvalho e grande equipe.

O Porque é muito bem feito, com design atraente e vídeos engajantes. Vale a pena conhecer.

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Antes do Economistinha nascer, sonhávamos em usar o site para simplificar conceitos de Economia para aqueles que não estudaram Ciências Econômicas. Entre nossos primeiros textos, falamos sobre a relação de atividade econômica, inflação e juros, sobre oligopólios e outros conceitos econômicos.

Ao longo do tempo, mudamos nosso foco. Hoje, O Economistinha é uma revista variada, com colunas opinativas de economia e política, matérias especiais sobre negócios, direitos humanos e atualidades e a mais nova coluna de turismo, a 48h.

Não vou mentir: não é fácil simplificar conceitos econômicos. Estou feliz em ver economistas que respeito e, admito, são mais competentes que eu, assumindo essa tarefa.

Visite o Porque neste link.

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48h em Curitiba

Curitiba tem fama de ser a cidade mais fria do Brasil – e não apenas no clima. Talvez por isso nem tanta gente do resto do país ou do mundo vá conhecer a capital ecológica do Brasil. Isso que ela fica à aproximadamente mesma distância de São Paulo que o Rio de Janeiro!

Quebre esse paradigma. Formada majoritariamente por descendentes de imigrantes poloneses, italianos, alemães, ucranianos, entre muitos outros, Curitiba vai te conquistar pelo estômago, dado que cada imigrante trouxe consigo a sua cultura e culinária. Outra coisa que você não vai esquecer: a área verde (são 33 parques e bosques).

Curitiba, a Capital Ecológica

Sexta, 18h

Ao chegar, sugiro pegar o Ônibus Aeroporto Executivo, que te deixará nos principais hoteis da cidade e custa apenas R$13. Deixe suas malas no hotel e vá ao Schwarzwald Bar, mais conhecido como Bar do Alemão. No coração do Largo da Ordem, o bar é uma instituição na cidade.

(Foto: Divulgação)

Prove a carne de onça ou escolha algum dos pratos típicos alemães, como as salsichas (Wurst) ou o gorduroso, mas delicioso joelho de porco (Eisbein). Para beber, a cerveja é uma obrigação. Sugiro o submarino, que contém uma mini-caneca com Steinhäger. Ela é um brinde para você levar para casa!

Sábado, 11h

O que Curitiba tem de melhor? Seus parques. Jardim Botânico, Ópera de Arame e Parque Tanguá são alguns dos mais belos, e com certeza valem a visita. Porém, é inviável visitá-los todos em apenas um fim de semana sem correr contra o tempo.

O ônibus de turismo (R$35, com direito a quatro reembarques) é uma ótima forma de ter uma primeira impressão da cidade, mas toma um dia inteiro. Além disso, ele geralmente está lotado em fins de semana de sol.

Se você puder enforcar a sexta-feira e ficar 72h na cidade, recomendo fortemente (fazer o tour na sexta). Caso contrário, não. O pessoal do Matraqueando fez um post sensacional dando dicas de como aproveitar esse tour.

(Foto: Curitiba Turismo)

Comecemos o dia em Santa Felicidade, o bairro tipicamente italiano de Curitiba. Geralmente lotado aos domingos, o ideal é visitá-lo aos sábados. Explore as lojinhas de artesanato e almoce no Madalosso, o maior restaurante da América Latina.

Sábado, 14h

Em tardes de sol, a Praça de Espanha é onde você quer estar.

Nas tardes de sábado, a Praça da Espanha é um dos principais pontos de encontro dos jovens curitibanos. Ela foi reformada e reaberta em abril/2015, o que a torna ainda mais atraente e aconchegante. Frequentemente, rádios locais proporcionam concertos no palquinho da praça. Tem coisa melhor?

Sábado, 16h30

Você não precisa ir muito longe para encontrar alguns dos melhores cafés e sobremesas da cidade. O meu favorito é a Rose Petenucci, a apenas uma quadra da Praça da Espanha. Aproveite os sorvetes artesanais nos dias mais quentes.

Sábado, 20h

Depois do rodízio no horário de almoço, você deve querer algo mais leve, certo? Se você for como eu, não.

Minha sugestão para o jantar de sábado é o Restaurante Madero. Deliciosos hambúrgueres grelhados, servidos em pão francês, são o carro chefe da casa que já conta com mais de 30 unidades e continua se espalhando pelo país.

Sábado, 23h

No sentido horário: Shed, James, WS e Sheridan's

No sentido horário: Shed, James, WS e Sheridan’s

Noite de sábado é hora de se jogar. Curitiba é eclética, mas não se pode dizer o mesmo sobre os curitibanos. Cada tribo tende a ir sempre aos mesmos bares, o que faz a cidade parecer um ovo.

Se você gosta de rock, um dos melhores lugares da cidade é o Sheridan’s, com música ao vivo em um ambiente intimista. Aos fãs de música brasileira, a WS se destaca: samba no ponto com muita gente bonita. Para os fãs de indie e pop, a dica é o James – a mais famosa casa LGBT friendly da cidade, com um público bastante jovem. Por fim, se você prefere chapéu de caubói e botas cano alto, o Shed é a sua mais nova casa. A mais famosa, porém, é a Woods.

Ao contrário de SP, aqui se chega cedo na balada. Em algumas, vale a pena chegar ANTES de abrir, para pegar a menor fila possível. Compre uma cerveja na loja de conveniência mais próxima e seja paciente…

A vantagem é que a noite também acaba mais cedo – não se assuste se você voltar para casa 3h da manhã. Mais energia reservada para o domingo!

Domingo, 10h

Na manhã de domingo, você ficará feliz que a noite de Curitiba geralmente acaba cedo. É hora de chacoalhar a poeira e botar o pé na rua. Mais especificamente, em um dos maiores clássicos da capital paranaense: a feirinha do Largo da Ordem.

Feirinha do Largo da Ordem, um clássico curitibano, reúne todas as tribos

São dezenas de barraquinhas com artesanato local, comidinhas e objetos vintage. Aproveite para conferir a Catedral Metropolitana, na Praça Tiradentes, a Igreja do Rosário, o Palácio Garibaldi e a Mesquita de Curitiba, todos na região.

Domingo, 13h

Domingo é dia de churrasco. Curitiba possui alguns Costelões que ficam abertos 24h por dia. Se você resistiu a esse atentado ao seu estômago na noite passada (provavelmente optando por um dogão), agora é a hora de se deliciar. A dica é o Costelão do Gaúcho que fica na Av. Mateus Leme. Polenta frita e cebola roxa em conserva são os meus acompanhamentos favoritos.

Domingo, 14h30

Depois de tanta carne, você provavelmente vai querer deitar na grama e tirar um cochilo, certo? Pois é exatamente isso que você vai fazer. Muitos parques de Curitiba não autorizam cachorros soltos, e por isto este amplo gramado foi organicamente transformado em um dos destinos favoritos dos curitibanos: o Parcão.

Aqui, crianças e animais aproveitam o sol dominical em harmonia. Aproveite!

Quando cansar de descansar, explore as galerias do Museu Oscar Niemeyer, que atualmente espõe obras confiscadas na operação Lava Jato da Polícia Federal, e descubra a história dos imigrantes poloneses no vizinho Bosque João Paulo II.

Domingo, 18h

O Brooklyn fica em uma região histórica de Curitiba

Antes de partir, uma parada para café: pertinho do Shopping Mueller (onde você provavelmente estará se começar a chover), o Brooklyn Coffee Shop é frequentado por moderninhos e casais apaixonados.

E aí, gostou do meu roteiro por Curitiba?
Se você é da cidade, o que você mudaria?

Entre em contato conosco e escreva sobre a sua cidade favorita!

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Independente

Feliz aniversário, Brasil! Rumamos aos 200 anos de independência (já são 193!) em meio a uma das maiores crises da nossa história.

  • Nossas finanças públicas estão em frangalhos. Nossa dívida pública está saltando de R$ 2.3 tri em 2013 (53% do PIB) para perto de R$ 4.4 tri no fim do ano que vem (quase 70% do PIB).
  • Escândalo de corrupção. Alguns dos maiores nomes da política nacional estão envolvidos no Petrolão. São tantos políticos envolvidos no desvio de dinheiro público para financiamento de campanha que já não se sabe se sobrará alguém para apagar a luz.
  • Inflação altíssima. Mesmo com commodities em queda, a correção de preços administrados e núcleos de inflação resistindo à desaceleração econômica, o IPCA corre o risco de chegar a 10% neste ano.
  • PIB em queda franca. A nossa economia, que chegou a ser a sexta do mundo, corre o risco de sequer ser Top 10, sendo ultrapassada por Índia, Rússia e Itália. Estamos em meio à maior desaceleração em décadas!
  • Impopularidade recorde. Após o festival de mentiras de campanha, o brasileiro sofre. Consequência: nunca antes na história desse país um presidente foi tão impopular. Sem apoio no legislativo, Dilma vem perdendo várias batalhas no congresso e não consegue governar.

(Arte: brasil.gov.br)

Em meio a uma situação tão grave, é razoável se perguntar: temos o que comemorar?

Sim, e muito.

  • Nossa democracia está consolidada. Mesmo com um desgoverno no comando, pouco se fala em golpe de Estado. A oposição é consciente e busca, pelas vias legais, o impedimento da presidente. É sempre bom lembrar que impeachement é parte integrante da democracia.
  • Corruptos e corruptores estão sendo investigados. Isso ainda é incomum, mas exemplar. Grandes empresários estão sendo encarcerados e irão pagar por participar da corrupção.
  • Participação política. Há não muito tempo, o envolvimento político do brasileiro era praticamente irrelevante. Após as eleições, dificilmente se via manifestação de inquietude ou defesa com os rumos do país. Isso mudou. Em 2013, as manifestações tomaram o país. Desde então, a voz das ruas não deixa o governo em paz. Contribui para isso, também, a proliferação das redes sociais. Hoje, todos têm voz.

Hoje é dia de comemorar. Parabéns, Brasil. Vamos em frente, construir um país mais justo, equilibrado e próspero.

48h

Essa é a mais nova e única coluna sobre viagens do Economistinha. E o mais legal de tudo? Ela é colaborativa.

O New York Times tem uma coluna fantástica chamada 36h. Sempre que eu vou para algum lugar, a primeira coisa que eu faço é googlar NYT + 36h + nome da cidade. Para quem vai passar um fim de semana em uma outra cidade e quer conhecer TUDO, ela é uma lista bacana.

Mas ela tem seus problemas. 

– Não tem NENHUMA cidade brasileira. Sério. Nem SP, nem Rio, nada*. O foco da lista é viagem de fim de semana, e vamos combinar que não é razoável voar da Europa ou dos EUA até o Brasil só para o fim de semana, certo? Então, nós vamos priorizar cidades brasileiras aqui no 48h.

– O mais importante, para mim: o 36h força você a correr. MUITO. Quando eu tinha meus 22 anos e comecei a viajar, queria conhecer TUDO em cada lugar que eu visitava. Maximizar a experiência.

Só que isso cansa muito, especialmente em uma viagem de fim de semana. Ao fim da viagem, você está esgotado, e no dia seguinte precisa acordar cedo para trabalhar novamente. A ideia da viagem não era descansar?

Nas minhas últimas andanças, adotei o conceito de slow travel. Planejo uma lista de coisas que posso querer fazer, mas não me obrigo a cumpri-la. Também deixo espaço aberto para explorar, caminhar, observar. Tentar entender como as pessoas daquela cidade aproveitam seu tempo livre.

Reconhece todas essas cidades brasileiras? Aqui na 48h, você vai explorá-las pelos olhos dos moradores

Reconhece todas essas cidades brasileiras? Aqui na 48h, você vai explorá-las pelos olhos dos moradores

O 48h do Economistinha nasce para suprir essa demanda: viagens de fim de semana em que a prioridade não é ver tudo o que a cidade tem a oferecer, apenas dando check em uma lista de pontos turísticos.

Aqui, a ideia é aproveitar a cidade. Vivê-la em cada vão momento. Explorar. Sim, você também vai passar por pontos turísticos, tirar suas selfies e postá-las nas redes sociais. Mas o mais importante é que você vai realmente conhecer a cidade que visita.

Os horários são apenas sugestões. Os locais, também. Faça a sua viagem e se divirta.

Quero que ela seja construída por habitantes da cidade, mas isso não é obrigatório. O que você mostraria na sua cidade para um amigo que veio passar um fim de semana? De sexta às 18h até domingo, no mesmo horário, uma viagem para espairecer.

Quais os seus restaurantes e bares favoritos, e que estão bombando nos últimos meses? Em que área da cidade ficar? O que fazer no domingo à tarde, antes de correr para o aeroporto? O que vai deixar saudades?

(Foto: Instituto Municipal de Turismo de Curitiba)

Na próxima semana, nossa primeira parada será em Curitiba. Já temos algumas cidades engatilhadas. Porém, entre em contato conosco (através da nossa página no facebook ou mande um email para economistinha@gmail.com) e escreva sobre a sua cidade!

Bem vindo ao 48h. A casa é sua.

PS: *Eu escrevi esse texto no fim de agosto. No dia 2/set, o NYT publicou um 36h Rio de Janeiro. Ainda assim, é muito pouco. Vem viajar pelo Brasil com a gente!

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Empoderadas: Mudando a vida de mulheres negras

Soffia Gomes da Rocha Gregório Correa poderia ser o nome de uma monarca ibérica, mas MC Soffia é uma criança como tantas outras. Criativa, ela gosta de brincar com as amigas. Ela mora na periferia. Ela é negra. E com muita auto-estima, ela está lentamente mudando o mundo ao seu redor.

Com histórias como a de MC Soffia, o canal Empoderadas busca apresentar mulheres negras de distintas áreas de atuação. O objetivo? Empoderar outras mulheres.

O Economistinha fez uma entrevista exclusiva com Renata Martins e Joyce Prado, idealizadoras do projeto que tem mudado a vida de mulheres negras por todo o Brasil.

Joyce Prado, à esquerda, e Renata Martins, à direita, com convidadas do Empoderadas

Joyce Prado, à esquerda, e Renata Martins, à direita, com convidadas do Empoderadas

Economistinha: Olá! Antes de tudo, parabéns pelo projeto. Como vocês tiveram a ideia de criar o Empoderadas?

Renata – O projeto nasce de um olhar sensível para sociedade, assim como, de uma reflexão de como a sociedade nos olha. E, ao refletir sobre essa tentativa de representação nos meios de comunicação tradicionais, percebemos que mulheres negras são em sua maioria sub-representadas. A realidade, o cotidiano midiático; TV, cinema, publicidade ou impresso, não condizem com os milhares de mulheres incríveis que conhecemos, que cruzamos ao longo de nossa vida.   

Joyce – Sim, nos pareceu urgente a necessidade de ter um espaço onde as mulheres negras pudessem ser representadas, pudessem ter voz para falar sobre suas experiências de vida e de trabalho. Sobre o que sentem e pensam. O empoderamento é, também, um autoconhecimento que pode ocorrer através de diferentes processos. Acho que conseguimos evidenciar isso através da série também.

Economistinha: Qual tem sido a resposta das espectadoras do canal?

Caption de episódio do Empoderadas

Caption de episódio do Empoderadas

Renata: O projeto EMPODERADAS tem tido respostas maravilhosas e inspiradoras. O projeto nasceu tendo mulheres negras como público alvo, porém, os frequentadores e multiplicadores de nossa página são diversos; mulheres negras de várias idades, mulheres de etnias e idades variadas, homens de todos os perfis e também o público LGBT, por fim, o projeto tem feito sentido para todas as pessoas que anseiam por um Brasil mais múltiplo e representativo. 

Joyce: Sim, é muito bom ler os comentários e ver as pessoas que se identificam com as experiências das entrevistas, as que são empáticas e se sensibilizam. A forma como algumas falas se potencializam no vídeo. Às vezes, uma frase reverbera na vida de outra pessoa e gera mudança, uma nova percepção de mundo.

Economistinha: A imagem da mulher negra é frequentemente sexualizada no Brasil. O que vocês acham que deve ser feito para que isso mude?

Renata: Não podemos esquecer que essa construção imagética equivocada entorno do corpo das mulheres negras é resquício da escravidão. O mundo, assim como o Brasil, não teve interesse em desconstruir esse imaginário, pois, não dá para questionar esse lugar da hipersexualização da mulher negra sem questionar privilégios dos brancos e se, a comunicação tradicional é gerida por algumas famílias tradicionais, para elas, é muito importante que as coisas continuem tais como sempre foram.

empoderadas-1Dentro deste contexto, penso que o caminho ainda será lento e gradual e que a mudança virá quando mais mulheres negras tiverem consciência de sua história e de que essa representação caricata é ideológica e mantenedora dos privilégios. Gostamos de sexo como qualquer outra mulher, no entanto, gostamos também de estudar, trabalhar, ler criar, pensar, respeito e dignidade, não somos objetos sexuais, somos mulheres dotadas de beleza, força, criatividade e capacidade intelectual. 

Joyce: Além do que foi dito pela Renata, é preciso também se repensar toda uma sociedade machista que objetifica a mulher em diferentes situações, que muitas vezes faz com que elas se anulem e não tenham voz nas decisões que envolvem suas próprias vidas. Muitos homens veem suas parceiras como algo que lhes pertence, de que eles têm a posse. Essa visão objetificada do corpo feminino é ainda mais forte dentre as mulheres negras, pois em um passado recente éramos vistas literalmente como mercadorias. Muitas vezes sinto como se o meu corpo fosse público e disponível ao toque e aos olhares. Isso é realmente incômodo a mudança vai ser lenta e gradual, a partir de uma mudança social muito grande.

Economistinha: De acordo com o IBGE[1], a renda média de uma mulher negra é menos da metade da renda de um homem branco. O que deve ser feito para reduzir o hiato salarial baseado em etnia e gênero? 

Ilustração representa as diferenças salariais entre homens e mulheres, negros e brancos (Arte: O Dia)

Renata – A sonhada mudança estrutural parece um pouco distante e ela só aconteceria em um mundo ideal onde empresários e empregadores mudassem a lente do período colonial e deixassem de ver mulheres negras como serviçais e incapazes. Como esse mundo ideal é utópico, acredito que essa transformação se dará a partir de nós, a passos lentos. Ao passo em que compreendamos a nossa história, nos instrumentalizarmos através do estudo das técnicas e do conhecimento, seremos capazes de mudar a nossa própria história.

Ainda que mulheres negras ganhem menos, não somente em relação a homem branco, mas sim, em relação a mulher branca e o homem negro, são elas o novo rosto do empreendedorismo: em dez anos, o número de negros donos de micro e pequenos negócios cresceu 28,5% no Brasil. Em 2001, eram 8 milhões e 600 mil empreendedores declaradamente negros, número que saltou para mais de 11 milhões em 2011, de acordo com dados do Sebrae.

Apesar da luta cotidiana contra o racismo e o machismo, algumas mulheres resistem e, de alguma forma, conseguem driblar esse hiato salarial. O caminho é longo, mas já indica um cenário positivo.

Joyce: Gostaria de acrescentar que o maior acesso a educação e políticas públicas que garantam o acesso e a permanência de crianças e jovens negras nas escolas é fundamental para a mudança do cenário atual.

Economistinha: Qual o objetivo que vocês almejam alcançar com o Empoderadas? Quais os seus planos para o futuro?

Renata: Nosso objetivo é que o projeto cresça cada vez mais e que possamos nos comunicar com o maior número de pessoas possíveis, assim como seja material de apoio para professores e arte-educadores, isto é, que os episódios sejam multiplicadores e disparadores de discussões. Esperamos que essas mulheres que compõem a primeira temporada sejam visibilizadas e inspirem outras mulheres, como uma corrente do bem, onde uma dá a mão à outra e juntas possamos caminhar rumo a uma sociedade mais igualitária, menos violenta, mais humana.

“EMPODERADAS” é um projeto independente. Nosso próximo passo é pensar em apoiadores para uma segunda temporada e nossa intenção é que ela seja itinerante, se não neste momento pelo Brasil, quem sabe por dentro do estado de São Paulo ou de Estados vizinhos.

Economistinha: Qual a mensagem-chave que vocês querem dar aos nossos leitores?

02 - AnaRenata: Precisamos reaprender a olhar o Brasil, ele é múltiplo e potente. Há um mercado consumidor ansiando por ser representado. Há crianças negras ansiando por referências e representatividade. Há crianças não negras carentes de ampliação de repertório. É preciso reaprender a olhar o Brasil.

Joyce: É fundamental conseguirmos ver o mundo pelo olhar de outras pessoas, com realidades diferentes das nossas e com vivências distintas. Sinto que, atualmente, muitas pessoas pensam que o mundo se resume à sua realidade, que as reivindicações por representação digna e respeitosa são reclamações infundadas. A estes, peço que se permitam escutar e refletir o que outras pessoas têm a dizer.

Se você quer conhecer todos os vídeos do projeto, visite o canal Empoderadas no YouTube. Também curta a página no Facebook e siga o canal no Twitter.

[1] Como compilado pelo jornal O Dia. Visualizado em 24 de agosto de 2015. http://odia.ig.com.br/noticia/riosemfronteiras/2014-11-23/brancos-tem-renda-853-maior-que-a-dos-negros.html

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