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Lições das Olimpíadas para a sua vida

Os Jogos Olímpicos de Londres se aproximam do fim, e diversos acontecimentos das últimas semanas podem contribuir positivamente para a sua vida e para a sua carreira.

Inspirado em um texto da Você S/A e na surpreendente eliminação precoce da dupla Juliana/Larissa, separei algumas lições que se podem tirar dos jogos olímpicos:

1) Planejamento e Dedicação são fundamentais para se alcançar os objetivos.

Se você quer muito alguma coisa, é preciso lutar por ela.

Não se deixe levar pelas adversidades ou por opiniões contrárias. É claro que é preciso atenção à realidade e aos seus “adversários” no caminho, mas é preciso acreditar e se preparar para o que vier pela frente. Se você não estiver preparado, a chance de perder é maior.

2) Você vai errar. Você vai perder. E é preciso saber lidar com isso.

No caminho da vida, você não vai acertar sempre. Por mais que você treine, por mais que você seja superior aos seus oponentes, por mais que alguém tenha prometido o contrário: as derrotas virão.

Aí, o importante é ter jogo de cintura para dar a volta por cima e seguir em frente. Aprender com os erros, avaliar a situação adversa e levantar a cabeça.

3) Há regras que você precisa obedecer.

Por mais que pareça existir um caminho mais fácil, há certas regras que, se você não cumprir, terão consequências negativas. Atletas entregaram o jogo para evitar adversários mais difíceis e foram desclassificados; outros, são pegos no dopping.

No seu caminho, talvez pareça mais fácil passar por cima de outras pessoas, molhar a mão de alguém, dar um “jeitinho”.

Em alguma hora, você vai cair.

Vocês vêem mais alguma dica dos esportes para a sua vida? Deixem-na nos comentários!

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Projeções de PIB baixo e inflação mais alta. Entenda os números do Relatório de Inflação do Banco Central.

Do Relatório de Inflação do Banco Central*:

No que se refere a projeções de inflação, de acordo com os procedimentos tradicionalmente adotados e levando em conta o conjunto de informações disponível até 8 de junho de 2012 (data de corte), o cenário de referência, que pressupõe manutenção da taxa de câmbio constante no horizonte de previsão em R$2,00/US$ e meta para a taxa Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) em 8,50% a.a., projeta inflação de 4,7% em 2012, de 5,0% em 2013 e de 5,1% para o segundo trimestre de 2014.

No cenário de mercado, que incorpora dados da pesquisa realizada pelo Departamento de Relacionamento
com Investidores e Estudos Especiais (Gerin) com um conjunto significativo de instituições, as projeções apontam inflação de 4,7% em 2012, de 4,9% em 2013 e de 5,1% para o segundo trimestre de 2014.

No que se refere ao balanço de riscos, o Copom avalia que o cenário internacional manifesta viés desinflacionário no horizonte relevante, ou seja, torna favorável o balanço de riscos para a inflação doméstica. Para o Comitê, desde o último Relatório, vistos em conjunto, os desenvolvimentos domésticos indicam, no horizonte relevante, um balanço de riscos favorável.

O Copom também pondera que têm contribuído para a redução das taxas de juros domésticas, inclusive da
taxa neutra, o aumento na oferta de poupança externa e a redução no seu custo de captação, as quais, na avaliação do Comitê, em grande parte, são desenvolvimentos de caráter permanente.

Diante do exposto, mesmo considerando que a recuperação da atividade vem ocorrendo mais lentamente do que se antecipava, o Copom entende que, dados os efeitos cumulativos e defasados das ações de política implementadas até o momento, qualquer movimento de flexibilização monetária adicional deve ser conduzido com parcimônia.

De acordo com o cenário de referência, a projeção para o crescimento do PIB em 2012 se posiciona em 2,5%, 1,0 p.p. menor do que o valor projetado no Relatório de Inflação de março de 2012. A mudança na projeção de crescimento reflete, em parte, o fato de a recuperação estar se materializando de forma bastante gradual.

O Banco Central do Brasil, assim como qualquer banco relevante do país e como boa parte dos bancos centrais do globo, tem um departamento de pesquisas econômicas, que conta com um seleto grupo de economistas altamente gabaritados e treinados para fazer estudos e previsões sobre a economia nacional.

Estes profissionais desenvolvem análises sérias, que resultam em publicações como o Relatório Trimestral de Inflação, sempre com artigos interessantes e relevantes para o país.

Isto posto, vamos analisar os resultados de tanto estudo.

Nesta edição, os analistas REDUZIRAM as projeções para o crescimento econômico em um ponto percentual. Caso este número se materialize, o crescimento seria ainda menor que o de 2011 (considerado ruim pelo governo). Para a inflação, as projeções AUMENTARAM.

Mais: a expectativa é de aceleração da inflação no horizonte, ainda que o cenário internacional represente um viés desinflacionário. Ou seja: mesmo com a contribuição PARA BAIXO do restante do mundo, a estrutura econômica nacional prejudica os resultados macroeconômicos, freando o crescimento econômico e acelerando a inflação.

É mole?

Depois vocês dizem que é perseguição minha, mas o governo não está fazendo NADA para ajudar o país. Pelo contrário, só tem atrapalhado.

*Negritos meus.

**Se você tem curiosidade em saber mais sobre a economia brasileira contemporânea, vale a pena ler o relatório de inflação na íntegra. Leia-o aqui.

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Qual o futuro da economia mundial?

O mundo não acaba em 2012. E dificilmente a economia global entrará em recessão.

A pergunta de um trilhão de dólares (ou um bilião, em Portugal… quer entender? Clique aqui) é aquela que todos os economistas com rabo preso morrem de medo de responder. Como eu estou desempregado no momento e não respondo por nenhuma instituição (ou seja, meu palpite não vale um centavo), não tenho com o que me preocupar.

Alguns economistas esperam o pior, como mostrou a Exame:

Apesar dos sutis sinais de recuperação da economia americana no início do ano, como a melhoria nos índices de desemprego, para Lakshman Achuthan, CEO do Economic Cycle Research Institute, este não será um bom ano para os Estados Unidos. Analisando previsões para os indicadores de produção, emprego, renda e vendas, o instituto concluiu que o “crescimento econômico dos Estados Unidos está, na verdade, piorando e não se revitalizando”.

Para Albert Edwards, estrategista da Societe Generale (SocGen), não só a economia americana vai escorregar de novo para a recessão, como a bolha de crédito na China vai estourar e a zona do euro vai desmoronar.  “Se você acha que as coisas estão ruins agora, elas estão prestes a ficar piores”, disse ele, em entrevista ao The Globe and Mail.

Para Bill Gross, o megainvestidor fundador da Pimco, o problema na Europa é apenas um tumor localizado, mas o “câncer no crédito pode estar em metástase”. Em sua coluna no Financial Times, ele disse que o sistema monetário global é “fatalmente falho”, com rendimentos cada vez menores e mais arriscados, produzidos por crises de dívida e as respostas políticas a ela.

Para Peter Schiff, CEO da Euro Pacific Capital, o pior da crise ainda está por vir. Ele defende que a economia americana não está melhorando, mas sim ficando mais “doente” e que verdadeira crise não está no passado e sim no futuro. Para o analista, ao tentar evitar a “dor” da cura, os Estados Unidos só adiaram o sofrimento, que será ainda maior.

Para Marc Farber, investidor e autor da newsletter Gloom Boom & Doom Report, pode haver uma recessão global já no quarto trimestre deste ano ou no início do próximo. Para o investidor, há “100% de chance” que isso aconteça. Em entrevista à CNBC.com, ele destacou que, enquanto o mundo se preocupa apenas com a Grécia e com a Europa, há sinais preocupantes de que a atividade econômica na China e na Índia está diminuindo.

Pouco a pouco, vão sumindo as vozes que acreditam que a economia mundial está melhorando. Curioso que, em 2009, muitos achavam que a crise já havia ficado para trás, enquanto qualquer análise mais atenta apontaria os graves problemas que as políticas monetárias expansionistas (ou seja: encher o mercado de dinheiro para aumentar a liquidez dos mercados e fazer a economia girar novamente) teriam consequências graves.

Como os mercados financeiros são cheios de profecias auto-realizáveis, se os rumores de que a economia mundial deve ir novamente para o buraco, provavelmente ela irá. Mas não acredito que este seja o cenário mais provável.

Os principais líderes mundiais têm tentado controlar a crise do jeito que podem, mas sem realizar reformas substanciais. Ou seja, o cerne do problema não tem sido atacado como deveria. Apenas se tem maquiado o problema, através de medidas pontuais (geralmente envolvendo injeções monetárias aqui ou ali). Há três lugares de que não se pode tirar os olhos, se quisermos saber se a crise vai estourar (como em 15 de setembro de 2008):

– – – Europa: sem dúvida, o mais importante. Mesmo que a Grécia saia do Euro (cenário para que dou probabilidade de 40% atualmente), não é garantido que a crise se agravará substancialmente. Se isto acontecer, a volatilidade aumentará e os investidores virarão rapidamente seus olhos para a Espanha e seus bancos endividados. E como lemos aqui no Economistinha na semana passada, a situação da Espanha é de difícil resolução. Homer (Hollande e Merkel) teriam que abrir a mão e fornecer muito dinheiro tentando equilibrar as contas dos bancos (através do governo) da Espanha, e provavelmente a Europa se tornaria mais unida (diminuindo a independência dos governos nacionais). Provável? Não.

Mas mesmo este cenário é pouco provável. É mais credível que Angela Merkel cederá e mandará mais dinheiro para a Grécia, mesmo não sendo um país muito organizado. A Europa seguiria como está, empurrando o problema com a barriga e ganhando tempo… seriam anos de crescimento baixíssimo. Um Japão na década de 1990 no maior bloco econômico global.

– – EUA: o crescimento econômico americano tem surpreendido nos indicadores mais recentes, mas isto é uma ilusão temporária. Os fundamentos mostram que o desemprego continua alto, o endividamento das famílias ainda é preocupante e a chance de retomada rápida do consumo é baixa. Portanto, os mercados estão se animando sobre sinais pouco confiáveis. Se houver uma reversão rápida e sistemática nos indicadores, os analistas podem mudar de lado na mesma velocidade, elevando o temor de recessão e contraindo o crédito em todo o planeta. A economia mundial poderia ver 2008, all over again.

+ China: é o terceiro ponto que precisa se ter em atenção, mas pelo sentido contrário. Enquanto Europa e Estados Unidos podem se tornar vértices negativos na economia global, a China pode contribuir positivamente. Como os economistas do Bradesco pontuaram em seu Boletim Diário Matinal de hoje:

As especulações são crescentes de que a China lançará um novo pacote de estímulos, que poderia chegar a 2 trilhões de yuans, conforme vinculado na imprensa internacional. É fato que o governo chinês, após a frustração com o desempenho de sua economia em abril, mudou o tom da política econômica, ressaltando as medidas favoráveis ao crescimento. A partir de então lançou estímulos para compra de eletrodomésticos e anunciou incentivos para o setor automotivo; além disso, esperamos redução de impostos e ampliação das facilidades para os investimentos privados. Ainda assim, acreditamos que a elevação dos gastos fiscais voltados às obras de infraestrutura será o motor para evitar uma desaceleração mais forte da economia do país, sendo que a política monetária seguirá aliviando de forma gradual.

Estes são os principais pontos a se ter em atenção.

Não, a economia mundial não vai melhorar muito nos próximos meses. Mas dificilmente irá piorar muito.

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Joseph Kony: O vilão pop

Após ler um interessante texto do blog do Foreign Policy, decidi trazer a’O Economistinha uma discussão interessante: o que levou Joseph Kony a se tornar uma web celebridade do mal. Um vilão do mundo digital, uma web celebrity do mal.

Em apenas 6 dias, um documentário de 30min expondo as atrocidades cometidas por Kony alcançou a marca de 100 milhões de visualizações no Youtube. É o maior viral da história, superando “Charlie bit my finger”, Susan Boyle ou qualquer Rebecca Black. Repentinamente, ele se tornou assunto em todos os continentes, ainda que os efeitos disto no mundo real sejam incertos.

Kony vs. Al Assad: o duelo de vilões

Como o Foreign Policy sugeriu, enquanto o povo da própria região não se mobilizar, nada mudará. São raras as iniciativas de intervenção vindas de fora. Isto fere princípios de fronteiras nacionais e liberdade ainda muito fortes no mundo. Por outro lado, conceitos de direitos humanos vem ganhando força.

Mas o que levou ao sucesso repentino de Kony, enquanto mobilizações contra líderes mundiais muito mais perigosos (ex: Bashar Al Assad, ditador sírio que controla um exército que tem cometido atrocidades contra seu próprio povo) não conseguem tamanha visibilidade?

Segundo Riyaad Minty, Social Media da Al Jazeera, ainda que muitos mais vídeos sejam colocados na rede sobre o desrespeito aos direitos humanos na Síria, estes não são tão pessoais quanto “Kony 2012”. “Há muita morte e destruição, mas não tem aquela conexão pessoal com as pessoas”, disse Minty.

Cada vez fica mais claro que, na imensidão de conteúdo disponível na rede, que as pessoas buscam CONEXÃO com o interlocutor. É a web 2.0, interativa, conectada, multilateral. O usuário não procura uma bancada de telejornal, nem a desgraça “gratuita”. Ele quer fazer parte. E você, o que quer na internet?

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