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“Que horas ela volta?” expõe diferenças sociais com direção e atuações primorosas

Após grande sucesso no Festival de Sundance, onde teve sua estreia mundial, “Que horas ela volta?” veio a Berlim para surpreender. O filme foi ovacionado pelo público da sala principal do “Zoo Palast”, que contou com a presença da diretora e redatora, Anna Muylaert, da atriz Camila Márdila e de produtores do filme. Parte do encanto pode ser notado nesta análise do Hollywood Reporter:

This densely layered yet almost fast paced-feeling drama, from writer-director Anna Muylaert (…) dissects with both chilling precision and humor such matters as class differences, real mothers vs. caretakers and whether privilege and one’s own station are things that can be questioned or changed. After a Sundance/Berlin double dip, this should see interest from festivals and smart distributors from all four corners of the globe.

Em Sundance, o filme recebeu o prêmio de melhor atuação do júri – concedido a Regina Casé, fantástica como a empregada doméstica Val, e a novata Camila Árdila, apenas em sua segunda aparição nos cinemas. Em Berlim, o filme faz parte da mostra “Panorama”, que não concorre ao Urso de Ouro. No entanto, ao julgar pelo sucesso com o público, o filme ainda fará muito barulho em outros festivais e, por que não, na bilheteria.

O cinema brasileiro é conhecido por dois principais ingredientes: tragédia e sexo. Mesmo abordando o fosso (e as pontes) entre diferentes camadas sociais, o filme foge a esse estigma com maestria. Trabalhado de forma leve e com pitadas de humor, “Que horas ela volta?” é cativante.

Diferenças sociais, porém com tantas semelhanças

À primeira vista, a diferença de classes é o tema principal de “Que horas ela volta?”. O filme conta a história de uma pernambucana, Val, que deixou sua família para trás para trabalhar como empregada doméstica em uma família de classe alta em São Paulo. O equilíbrio é quebrado quando sua filha, Jéssica, vem para a cidade prestar vestibular. A garota tem atitude e energia suficientes para mexer com todos na casa.

Enquanto Val afirma que “Quando eles oferecem alguma coisa, é porque eles esperam que você diga não”, Jéssica não apenas aceita como sugere seus interesses. Ela não aceita, como sua mãe, ser tratada como “cidadã de segunda classe”, e Val fica apavorada com essa ideia. Para ela, cada um nasce sabendo seu lugar na sociedade. Jéssica, por outro lado, vê nos estudos a possibilidade de ascensão social.

Porém, o principal foco da história está no conceito de mãe: seria esta a biológica ou a de criação? E justamente aí reside a mais importante ponte entre classes: enquanto Val deixou sua filha em Pernambuco para trabalhar em São Paulo, “Dona” Bárbara constrói sua carreira à custa de seu relacionamento com Fabinho, que vê em Val a figura maternal.

Anna Muylaert pode ainda não ser famosa entre o grande público, mas tem eu seu currículo a participação nos roteiros de “O ano em que meus pais saíram de férias” e o recente “Praia do Futuro”. Com atitude simples e discurso resumido, Anna dedicou o filme a todos que fazem cinema em Pernambuco. Julgando pelo sucesso com audiência e especialistas, a diretora e roteirista pode ser uma das primeiras brasileiras a brilhar internacionalmente atrás das câmeras. Com o sucesso de sua atuação, Casé corre por fora para ser a segunda brasileira indicada ao Oscar – após Fernanda Montenegro, em 1999.

“Que horas ela volta?” ainda estreia nos cinemas brasileiros em 27 de agosto!

PS: Aparentemente, não fomos os únicos a adorar o filme. “Que horas ela volta” levou o prêmio de melhor filme de ficção pelo público da mostra panorama. Parabéns!!

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Trilogias e Sagas: Por que fazem tanto sucesso no Brasil?

Há algum tempo as trilogias e sagas têm feito muito sucesso no Brasil – e também em boa parte do resto do mundo, diga-se de passagem.

Observem as listas dos filmes mais vistos no cinema em 2012, segundo o Guia Folha:

1º – “Os Vingadores”
 – “Amanhecer – Parte 2”
 – “A Era do Gelo 4”
 – “O Espetacular Homem-Aranha”
 – “Madagascar 3 – Os Procurados”
 – “Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge”
 – “Alvin e os Esquilos 3”
 – “Valente”
 – “Até que a Sorte Nos Separe”
10º – “Os Mercenários 2”

E também a dos livros de ficção mais comprados, segundo a Veja:

1º – “Cinquenta Tons de Cinza”
 – “Cinquenta Tons Mais Escuros”
 – “Cinquenta Tons de Liberdade”
 – “A Guerra dos Tronos”
 – “O Festim dos Corvos”
 – “Jogos Vorazes”
 – “A Dança dos Dragões”
 – “A Fúria dos Reis”
 – “A Tormenta de Espadas”
10º – “Em Chamas”

Nos filmes, apenas o nono colocado, o único nacional da lista, e Valente, o oitavo, não se utilizam de sucessos anteriores. Mas não se engane: a sequência da animação estrelada pela princesa ruiva não deve demorar a sair, enquanto a continuação da história estrelada por Leandro Hassum e Danielle Winits já tem até data de estreia, 25 de dezembro deste ano.

Dentre os livros, a lista foi completamente dominada por histórias seriadas: do soft porn para senhoras de E.L.James à ficção para jovens adultos de Suzanne Collins, passando pela Idade Média de George R.R. Martin.

Mas por que estas histórias têm feito tanto sucesso no Brasil?

Apesar das similaridades, acredito ser melhor começar a analisar separadamente os fenômenos literários e cinematográficos.

Dentre os livros, é interessante notar que a diversidade de estilos é grande, e as únicas coisas que realmente os unem seriam o fator “série” e que todos os líderes de audiência são adaptáveis para as telas (seja para seriados televisivos, “A Guerra dos Tronos”, ou para os cinemas). Mulheres de meia idade e jovens adultos não parecem ter muito em comum, mas geraram fortunas aos selos Intrínseca e Rocco no último ano.

Nos filmes, a força dos grandes estúdios por trás dos blockbusters é visível. O fenômeno super-heróis não é recente, e há ao menos dez anos tem levado uma legião aos cinemas a cada lançamento. Tirando-se fracassos isolados (como “O Lanterna Verde”, decepção de bilheteria), levar personagens dos quadrinhos para as telas já virou rotina, enchendo de dinheiro os bolsos dos proprietários de Marvel, DC Comics e cia. O mesmo se pode dizer de animações como A Era do Gelo ou Valente: ao menos desde que Shrek cativou crianças e adultos há (já longínquos) 12 anos, filmes desse tipo são comuns nos cinemas de todo o mundo.

Porém, é curioso que nenhum filme “alternativo” tenha conseguido destaque nos cinemas nacionais. Isto vem na contra-mão das principais premiações internacionais (leia-se Oscar e Globo de Ouro) dos últimos anos. Filmes pequenos ou alternativos, como Guerra ao Terror, O Artista e Pequena Miss Sunshine cativaram o público e a crítica, mas em 2012 não tiveram destaque semelhante em nosso país. Por quê?

Uma razão está no crescimento da chamada “nova classe média”. Este público tem frequentado cada vez mais os cinemas e livrarias de todo o Brasil, mas em geral não consome filmes e livros “cult”, “alternativos”. Por motivos culturais e sociais, eles buscam principalmente o que mais se divulga na mídia, produtos da moda.

É um momento inclusivo, em que estes desejam fazer parte e mostrar que estão por dentro do que está acontecendo. IPhones, Tênis Nike ou bolsas Louis Vuitton fazem parte dos desejos de consumo, e esta tendência se estende aos cinemas e livrarias. “Se a vizinha/amiga leu cinquenta tons, eu preciso ler também.”

Além disto, os atuais sucessos geraram uma legião de fãs, cada um em seu público-alvo (desde o público infantil, nas séries de animação, até as senhoras, no caso de cinquenta tons, passando-se pelas adolescentes fãs de Crepúsculo e aos jovens fãs de Guerra dos Tronos ou Batman).

Estes fãs são consumidores ávidos por qualquer coisa relacionada aos filmes ou livros admirados que estão dispostos a pagar até R$1500 para ficar próximos de seus ídolos. E isto movimenta uma grande indústria dedicada a mais e mais produtos ou serviços relacionados às séries de sucesso.

Aí reside um dos principais motivos das séries existirem, e cada vez com mais frequência: dinheiro. Parece simplório resumir a isto no fim deste artigo, mas é um ciclo virtuoso: os fãs gostam do filme/livro -> geram recursos -> saem novos filmes/livros -> mais sucesso e mais dinheiro. Não é a toa que “Até que a Sorte nos separe” e “Valente” já estão próximos de lançar sequências, ainda que esta não fosse a intenção inicial.

Ainda que um ou outro filme/livro alternativo consiga ganhar espaço, enquanto existirem fãs e enquanto o público não demandar criatividade e novidades, existirão sequências.

Atualização: meu amigo Julio Lucchesi, que entende muito mais de cultura que eu, fez um comentário no facebook que eu achei que vale a pena ser publicado por adicionar MUITO aos meus comentários. Leiam e analisem.

Algumas contribuições históricas ao debate. Séries, trilogias e coleções fazem parte das mais antigas regras de marketing cultural do planeta e desconhecem divisões internacionais ou de gêneros de conteúdos. Uma reflexão clássica sobre o tema é o “The Business of Enlightenment” do Robert Darnton que mostra como a Enciclopedia de Didedot e dos iluministas foi, na verdade, um grande negócio comercial.

Me parece que a divisão entre mercado e produtos “cult” também não se aplica muito bem nesse caso, já que diversos filmes ou livros ditos alternativos também foram concebidos como séries longuíssimas (vide os sete volumes de “Em busca do tempo perdido” do Proust ou as 14 partes do “Berlin Alexanderplatz” do Fassbinder). 

Acho que o lançamento em série tem tudo a ver com o consumo cultural em geral. É uma maneira simples e interessante de cativar o público que fica no aguardo para os próximos lançamentos. Editoras e produtos entenderam muito bem isso.

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Qual o seu Bond Car favorito?

Todo mundo tem um James Bond favorito (Moore? Connery? Craig?).

Outros tantos sabem todas as Bond Girls da história e são apaixonados por uma ou outra…

Mas qual é o seu Bond Car favorito? A lista passa por algumas raridades/preciosidadades, como o clássico de 1962 (que reaparece em Skyfall), alguns muscle car como Ford Galaxie e Chevrolet Impala e até um Lotus. Qual o seu favorito?

James Bond 007 Cars Evolution

Everyone has a favourite Bond – and a favourite Bond girl – but what’s your favourite Bond car? Infographic by Evans Halshaw. View the interactive version here.

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007: Qual o melhor James Bond da história?

Nesta sexta-feira, estreará nos cinemas de todo o Brasil (e de boa parte do mundo) o mais novo filme da franquia 007: Skyfall.

A série, que já conta com seis atores diferentes no papel de James Bond desde a estreia com Sean Connery, chega a 50 anos de sucesso com 23 filmes e muita história para contar. Neste ano, a trilha sonora deste ano (que já teve grandes nomes como Madonna, A-Ha, Duran Duran, Tina Turner) é embalada pela cantora britânica do momento: Adele.

Mas uma pergunta sempre se faz: quem é o melhor James Bond da história? O atual? O primeiro? George Lanzenby, que fez apenas um filme? Segundo dados estatísticos (em número médio de drinks, conquistas e mortes), é um dos mais controversos: Pierce Brosnan. Isso mesmo: o ator é o único a somar mais de 10 mortes por filme, o que lhe garante a vitória. Agora se você tem uma queda pelo álcool, o vencedor é outro: Daniel Craig, que inclusive teve uma participação especial na abertura dos Jogos Olímpicos 2012, fica na frente disparado.

E para você, qual o melhor 007 de todos os tempos?

UPDATE: Não poderia deixar de compartilhar com vocês esse compilado sensacional de cenas dos 50 anos da série:

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