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Menosprezando a previsibilidade da economia, governo deve prorrogar redução do IPI novamente

Demite sua equipe econômica, Dilma. Antes que demitam você. Ou que demitam logo o Brasil inteiro das rodas de países para se investir.

Ignorando (ou menosprezando) a previsibilidade da economia, deve ser anunciada ainda hoje a manutenção da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis e linha branca até o meio do ano que vem – ou quando o governo decidir.

As justificativas seriam:

1) Evitar um estouro da inflação no primeiro mês do ano. Já é prevista elevada alta de preços naquele mês pelos reajustes sazonais da educação e de preços controlados, como os do transporte público, além do início do repasse da elevação dos custos de produzir automóveis no país (a partir de 1º de janeiro de 2013, ao menos 60% dos carros vendidos no Brasil deverão ter air bags e freios ABS – em 2012, a obrigatoriedade era sobre 30% dos veículos).

2) Ajudar a “ainda enfraquecida” indústria nacional. Leia-se: responder aos interesses de lobbies com força no país.

O que o governo parece não entender – ou ignorar – é que a previsibilidade dos impostos do país, que nunca foi boa, só piora.

Segundo estatísticas do Banco Mundial divulgadas em meados deste ano, o Brasil é o 130º lugar mais fácil para se fazer negócios – ou o 65º pior, como queira. Sim, o Brasil está atrás até de países como Etiópia, Uganda, Paquistão ou Paraguai.

Na facilidade de pagar impostos, o Brasil está em 156º. Isso mesmo. Estamos entre os trinta PIORES do planeta.

Para começar um negócio: 121º.

Fazer negócios com outros países: 123º.

Resolver insolvências: 143º.

Depois o governo culpa a crise ou os empresários pelo baixo crescimento econômico.

VER-GO-NHO-SO.

Uma pena que as pessoas se enganem que a manutenção do IPI reduzido é algo bom. Quem investe em um país sem saber quanto vai pagar de impostos? Sem saber qual vai ser o preço final de seu produto? NINGUÉM. Se os impostos estão atrapalhando os negócios, Dilma, é porque se precisa uma reforma fiscal. Não decretos governamentais e medidas “temporárias”.

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Demite o Mantega, Dilma!

A sugestão é da revista britânica The Economist, mas eu faço coro.

Se Dilma quer se reeleger, ela deve trocar sua equipe econômica – e logo.

Dois anos após crescer 7,5%, a economia brasileira pode amargar um crescimento próximo a 1% em 2012. Pior, os investimentos estão em um nível recorde – de baixa. Enquanto no Peru o investimento corresponde a 30% do PIB e a 27% do PIB no Chile e na Colômbia, no Brasil ele chegou a 18,7%.

A The Economist destaca que o governo tem tentado incentivar o investimento e a produção, baixando a taxa básica de juros em mais de cinco pontos percentuais (para o nível atual, de 7,25%, apenas dois pontos percentuais acima da inflação) e concedendo uma enormidade de incentivos fiscais.

Porém, a forma que isso tem sido feito apenas aumenta a incerteza no ambiente econômico brasileiro, já bastante instável e complicado. O Brasil sempre foi um país caro: custos trabalhistas, logística defasada, etc. Tudo o que eu sempre falo aqui.

Quando se cresce constantemente acima de 4,5% é difícil argumentar. Mas crescendo entre 1% e 1,5%, fica difícil se manter o status quo.

JUST two years ago, when Dilma Rousseff was elected Brazil’s president, the country’s economy was booming. It then ground to a halt and is now struggling to recover. Despite increasingly frantic official efforts at stimulation, the moribund creature grew by only 0.6% in the third quarter—half the number forecast by Guido Mantega, the finance minister. Most market analysts now expect GDP growth to be less than 1.5% this year and not much more than 3% next year. So much for the notion that the B in the BRICs is a speedy economy.

The motors of growth that powered Brazil in the past decade are sputtering. Prices of commodity exports, though still high, are no longer rising. Consumers are using more of their income to pay off the loans with which they had bought cars and televisions. Low unemployment means there are fewer idle hands to be put to work. Instead of relying on consumption, growth now has to come from higher productivity and investment. That means hacking away at the “Brazil cost”: the combination of red tape, heavy taxes, expensive credit, creaking infrastructure and an overvalued currency that makes it a punishingly expensive country to do business in.

Esses comentários fizeram barulho na imprensa brasileira hoje, repercutindo no governo.

“No dia em que a Economist nomear ministro no Brasil nós deixaremos de ser República”, disse Fernando Pimentel, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Pois bem, a The Economist não nomeia ministro. Mas quando é que a imprensa brasileira especializada vai sair de cima do muro (rabo preso?) e criticar a política econômica acéfala de Guido Mantega?

Já passou da hora de Mantega cair. E se Dilma não perceber isso logo, em 2014 ela deve cair junto com ele.

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Haddad em SP, Fruet em Curitiba: o que muda no país com essa eleição?

A essa altura, todos os brasileiros já sabem os prefeitos de suas cidades a partir de 1 de janeiro (por mais quatro anos). Em Curitiba, por exemplo, após ficar em terceiro em todas as pesquisas de primeiro turno, Fruet virou o jogo e superou Ratinho Jr, do PSC, neste domingo. Em SP, um crescimento ainda mais surpreendente: o candidato petista Fernando Haddad saiu de menos de 10% para sepultar a vida política do ex-ministro José Serra.

Então, o que essa eleição representa?

De maneira geral, gostaria de destacar o crescimento dos partidos de centro-esquerda (frente os de centro-direita). Aquilo que já se havia visto no governo federal continua se estendendo nas gestões locais, e partidos como PT e, principalmente, PSB, cresceram significativamente.

Mais do que o crescimento dos partidos, cresceu uma ideia: a de que é melhor ter um Estado maior, porém mais provedor de serviços à população.

Localmente, vemos o desgaste do PSDB em São Paulo – especialmente das velhas lideranças, representadas por Serra, Alckmin e cia. Em Curitiba, isso já havia se mostrado no primeiro turno: o candidato do governador Beto Richa ficou apenas em terceiro. Mais do que isso, ganhou o candidato em quem Richa não havia acreditado há um ano, gerando a saída de Fruet do PSDB.

Dilma sai muito fortalecida desta eleição, conquistando as prefeituras de Curitiba e São Paulo. As cidades, também: com governos municipais de situação, a chance de maior destinação de recursos para investimentos oriundos de um governo extremamente gastador, mas que tem preferência pelos municípios “amigos”, aumenta.

Eu estou muito contente com a eleição de Gustavo Fruet em Curitiba: um político sério, íntegro, dedicado e atento às necessidades da cidade. Acredito que os próximos quatro anos serão ótimos para a minha cidade. Mais do que isto: estarei vigilante.

E vocês, estão satisfeitos com os prefeitos eleitos nas suas cidades?

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Como Dilma construiu e agora desconstrói sua imagem

A presidente Dilma construiu, em seu primeiro ano de mandato (e desde os tempos de ministra, sob a presidência de lula-molusco), uma imagem séria, responsável e até mesmo um pouco sisuda. Mas isto vem se desconstruindo nos últimos tempos, sob a pressão cada vez mais forte de sua base aliada – inclusive de seu antecessor. Copio abaixo um texto do jornalista Fernando Rodrigues, o qual assino em baixo. Leiam, analisem e comentem. Vocês acham que a presidente está certa em ceder às pressões?

Dilma está desconstruindo sua imagem

Marta e Crivella ministros e apoio ostensivo a Haddad na TV…

….contrastam com reputação pública criada pela presidente

Imagem e credibilidade são difíceis de construir. Dilma Rousseff foi montando sua reputação, tijolo a tijolo, desde o início do governo Lula. Ela é durona, gosta de administrar, é intransigente com a politicagem. O episódio das demissões em série de ministros encrencados em 2011 conferiu à presidente a fama de ter comandado uma faxina ética no governo.

De maneira premeditada ou inadvertida, Dilma foi ficando como uma espécie de ponto de equilíbrio entre o que foram Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva. Nem é tão elitista e distante do povão como o tucano nem tão populista e condescendente com mazelas brasileiras como o petista. De repente, Dilma até virou personagem de programas de um curioso “humor a favor”, algo raríssimo na história política do país.

Estava indo tudo muito bem. Até que o processo eleitoral deste ano começou.

Uma romaria de políticos do PT passou a frequentar o ex-presidente Lula para reclamar de Dilma. “Ela não trata o PT como deveria” e “Dilma está se arriscando a perder apoio político ao não aceitar demandas dos aliados” são duas frases que sintetizam os resmungos no muro das lamentações do PT e adjacências. Sem contar o desgarramento virtual do PSB, do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, virtual candidato a presidente daqui a dois anos.

Candidata à reeleição em 2014, Dilma se sentiu premida pela conjuntura política adversa que se formava no seu entorno. Começou a tomar atitudes erráticas. Cede e depois age como se fosse para dizer: “Eu sou do PT, mas o PT não manda em mim”. É um risco. Sinais trocados podem desconstruir a imagem que criou para si própria desde sua posse no Planalto.

Eis 4 fatos que podem até ter contribuído para Dilma dar mais coesão política ao seu governo e melhorar sua relação com o PT, mas que contrastam com sua reputação pública:

1) Ministério da Pesca – depois de dizer no final de 2011 ao programa Fantástico, da TV Globo, que não fazia “toma lá dá cá” (vídeo e texto), a presidente convidou em março passado, para a pasta da Pesca, o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ). O objetivo foi apenas político. O PRB tem fortes ligações com a Igreja Universal do Reino de Deus e com a TV Record.

Dilma deu um ministério para acalmar um grupo político-midiático relevante. Enfim, toma lá, dá cá.

2) Resposta a FHC em rede nacional de TV – o ex-presidente escreveu um artigo que teve pouca repercussão no dia de sua divulgação, no início de setembro. A presidente maximizou a crítica recebida do tucano e respondeu com nota oficial da Presidência da República. Não satisfeita, usou parte do seu discurso em comemoração ao 7 de Setembro para fazer um forte ataque às privatizações da administração de FHC. Segundo ela, o tucano “torrou patrimônio público para pagar dívida, e ainda terminou por gerar monopólios, privilégios, frete elevado e baixa eficiência”. Tudo em rede nacional de TV.

Não se trata aqui de negar ou confirmar os problemas das privatizações tucanas. O ponto é outro: convém a uma presidente da República usar uma rede nacional de TV para fazer política partidária? Afinal, Dilma poderia dizer tudo o que falou e muito mais no programa partidário semestral que o PT tem na TV.

3) Vídeo pró-Haddad – pressionada por Lula, a presidente aceitou que gravar e deixar divulgar já um vídeo no qual defende Fernando Haddad, o candidato do PT a prefeito de São Paulo.

Dilma havia procurado o vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), há alguns meses e disse que não faria campanha para ninguém no primeiro turno destas eleições. Ou seja, falou uma coisa e fez outra.

Pior um pouco foi o tom e o palavreado usado por Dilma. A presidente foi além de recomendar o voto no PT em São Paulo –o que seria compreensível. Ela fez uma ameaça velada aos eleitores paulistanos ao dizer que Haddad é “a pessoa certa” para a cidade “consolidar projetos fundamentais do governo federal”. Com Haddad, os paulistanos terão “muitas creches” e “novas moradias”.

Ou seja, contrário senso, se Haddad é “a pessoa certa”, as outras pessoas na disputa são as erradas. Em outras palavras, se Haddad não for eleito, São Paulo não vai “consolidar projetos” com dinheiro federal para ter “muitas creches” e “novas moradias”.

4) Marta Suplicy na Cultura – esse é outro exemplo explícito de toma lá, dá cá. A senadora pelo PT de São Paulo, Marta Suplicy, ficou emburrada por vários meses por ter sido alijada da disputa pela Prefeitura de São Paulo. Recusava-se a participar da campanha de Fernando Haddad, uma escolha pessoal de Lula.

Aí Marta Suplicy se acertou com Dilma Rousseff e Lula: iria virar ministra até o final do ano. Entrou então na campanha de Haddad. Só que a nomeação de Marta como ministra da Cultura explicitou um certo de descontrole no gerenciamento político de Dilma. O cargo estava acertado, mas seria dado oficialmente após a eventual eleição de Haddad –o custo político seria assim mitigado.

Ocorre que a notícia foi publicada na internet na manhã de 11.set.2012  por Valdo Cruz eNatuza Nery. Por volta de meio-dia, a notícia foi ampliada pela repórter Cátia Seabra. Dilma Rousseff resolveu então antecipar o fato.

Por quê? A presidente detesta quando informações reservadas de seu governo chegam à imprensa sem sua permissão. Nessas ocasiões, há sempre reações intempestivas –como não avaliar com mais vagar a relação custo-benefício de uma ação subsequente.

Dilma poderia muito bem ter segurado a nomeação para depois do período eleitoral, mas não quis mais postergar porque se sentiu traída pela informação ter sido publicada sem o seu consentimento.

Aliás, essa relação de Dilma com a mídia, de desejar controlar 100% do que é publicado sobre seu governo, é assunto para uma outra análise.

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Quais sinais são emitidos por esses 4 fatos acima?

Para a maioria dos brasileiros é comum políticos se atacarem e presidentes nomearem ministros por indicação partidária. Sem problemas. Esses episódios fazem parte da paisagem.

Ocorre que parcelas da classe média e dos eleitores mais instruídos estavam encantadas com o primeiro ano do governo Dilma e as atitudes “low profile” da presidente.

Enfim estava no Palácio do Planalto uma pessoa de hábitos mais republicanos. Dilma podia ser até meio áspera e ríspida no contato com as pessoas em geral, mas esse traço era até visto como um predicado e não um defeito.

Agora, aos poucos, a presidente vai cedendo aos vícios da micropolítica. O PRB quer um ministério? Eis aqui o da Pesca, não importando se quem vai ocupá-lo não entende nada de peixes. O PT está em apuros em São Paulo com o candidato de Lula que empacou nas pesquisas? Olhem aqui Dilma dando uma ordem aos eleitores paulistanos na TV. O político aposentado FHC faz uma crítica em jornal impresso ao governo Lula? Sem problemas: Dilma convoca uma cadeia nacional de TV para falar do 7 de Setembro e sentar a pua no tucano.

Essas atitudes são (com o perdão pelo uso do clichê) como as ondas produzidas pela pedra jogada no lago. Aos poucos, as ondas se espalham e chegam à margem.

Pior ainda quando são várias pedras jogadas no mesmo lago.

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Dilma é a 3a mais poderosa do mundo, diz Forbes

Pelo segundo ano consecutivo, nossa querida presidente alcançou o pódio das mulheres mais poderosas do mundo, de acordo com a Forbes.

Em uma repetição do trio que liderava em 2011, Angela Merkel, Chanceler alemã, e Hillary Clinton, secretária de estado dos Estados Unidos, ficaram nas duas primeiras posições.

Veja abaixo a lista completa das 1o primeiras colocadas:

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