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Veja as propostas para as áreas de Economia e Negócios em Curitiba

Neste domingo, será decidido o futuro prefeito de várias grandes cidades do país, entre elas Curitiba.

Curitiba tem o quarto PIB do Brasil, e é a sexta cidade mais populosa. Não é pouca coisa. Além disso, a cidade vive um momento bastante dinâmico, o que torna as propostas para as áreas de economia e negócios ainda mais importantes.

Veja abaixo as principais propostas dos candidatos que passaram para o segundo turno, como publicado pela Exame:

Gustavo Fruet

1. “Curitiba precisa se redesenhar para a nova fase da economia mundial”, diz o professor Fábio Scatolin, responsável pelo plano de governo de Fruet. Segundo o economista, o governo de Fruet vai promover setores como “economia criativa”, um conceito que agrega setores que vão desde webdesign (e aí entra a indústria do software) até “cadeia produtiva da cultura”, afirma Scatolin.

2. Outra aposta do governo de Fruet será na economia verde: “haverá incentivo para empresas de tecnologia que desenvolvam suas atividades econômicas de maneira sustentável”.

3. “Programa pesado de capacitação para os jovens”. Em relação ao primeiro emprego, Scatolin afirma que o candidato do PDT vai usar os recursos da prefeitura e “promover grande parceria com setor público e privado de escolas técnicas e universidades para qualificar a mão-de-obra”.

4. Fruet também pretende transformar Curitiba em “uma cidade digital”. Segundo Scatolin, “precisamos investir pesado também na mobilidade e na infraestrutura de banda larga e fibra óptica”.

Ratinho Jr

1. “Para estimular a economia, temos propostas de incentivo ao turismo (como redução de impostos) e a várias festas. Curitiba é uma das capitais mais frias do Brasil e nós não exploramos esse potencial festivo”, diz Hélio Amaral, coordenador do plano de governo de Ratinho.

2. “Queremos oferecer outras isenções, também, especialmente para a área de alta tecnologia”, conta. Segundo Amaral, o governo de Ratinho Júnior vai procurar atrair indústrias e empresas de biotecnologia e tecnologia de informação.

3. Outra proposta do plano de governo de Ratinho é a criação de um “conselho de desenvolvimento de Curitiba”. De acordo com Amaral, ele seria composto de entidades, pessoas e instituições que trariam ideias e discutiriam propostas para as próximas décadas da cidade.

4. Em relação ao primeiro emprego dos jovens, Amaral explica que Ratinho defende “parcerias para utilização das escolas em horário noturno para cursos de formação e qualificação de jovens”.

Não é preciso ser nenhum gênio para perceber que, além de longa carreira política e maior estrutura, Fruet está muito mais capacitado para assumir a prefeitura de Curitiba. A cidade precisa de um prefeito preocupado em melhorar a infraestrutura de negócios da cidade e, ainda que genéricas, as propostas do candidato pedetista são muito mais encorpadas.

Curitiba vive um momento especial, e pode aproveitar o protagonismo mundial do Brasil para atrair mais (e melhores) investimentos. 

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Enquanto isso, na Venezuela…

Hugo Chavez se reelegeu ontem para o seu quarto mandato.

Com isso, o populista venezuelano se garante no poder no mínimo até 2018. Ele afirma querer governar o país até 2031.

Dessa vez, o resultado da eleição foi relativamente apertado: Hugo Chavez recebeu pouco mais de 54% dos votos válidos, contra quase 45% de seu principal opositor, Henrique Caprilles.

Da The Economist:

Mr Chávez first tried to take power as the leader of a failed military coup in 1992. Six years later he was elected president, and he has been in office ever since. His stated aim is to make his “21st-century socialist revolution” irreversible and set up a “communal state”, which bears little relation to that enshrined in the 1999 constitution he himself fathered. That document also prohibited him from running for re-election this year, but in 2009 voters approved a referendum to remove presidential term limits.

Mr Capriles promised to reverse the concentration of power in the presidency and restore the autonomy of parliament, the courts and other branches of state, as well as the powers of regional governors. But Mr Chávez’s autocratic tendencies may well have been what enabled him to hold off Mr Capriles’s surge late in the campaign. He openly deployed the entire apparatus of an oil-rich state, including the judiciary, media and the government’s payroll and services, to help his re-election effort. Doubts about whether the president has stacked the deck too much in his favour to be beaten at the ballot box are now likely to return.

The opposition will have to fend off such defeatism if it hopes to keep Mr Chávez in check during his next term. After years of squabbling, Venezuela’s dozens of anti-chavista parties agreed to hold a primary to choose a single presidential candidate, which Mr Capriles won handily in February. He ran a disciplined and effective campaign, and has a powerful claim to remain as leader of the opposition. Keeping it united and motivated will not be easy. “To know how to win, one must know how to lose,” Mr Capriles said on election day. The MUD has little time to lick its wounds: a round of elections for state governors are due in December.

Mr Chávez, for his part, will not have much time to savour his victory. Despite strong oil-fueled growth this year, the country’s foreign-currency reserves are dwindling, thanks to profligate spending (not least on the election), a rising debt burden and dependency on a single commodity for export earnings and government income. Most analysts believe a big devaluation is inevitable, given an inflation rate of close to 20% and a black-market exchange rate almost three times as high as the official one.

Even if the president can surmount these economic woes, his own health remains a wild card. He was diagnosed last year with a so-far unspecified “abdominal” cancer, for which he has undergone three operations. He now claims to be cured. But he has not released any detailed medical information, and he did not campaign with the same vigour as in prior contests. The president has proven once again his remarkable capacity for political survival. Fending off the disease for another six-year term may turn out to be an even tougher battle.

Se você não foi educado em inglês, não tem problema: eu resumo a história.

Hugo Chavez usou todo o aparato disponível (inclusive recursos das empresas petrolíferas estatais) para sua campanha de reeleição, em prol de sua causa: a construção de um Estado comunista do século XXI. A oposição, do outro lado, vai enfrentar as grandes divergências entre os partidos da coalizão para se manter unida contra o governo.

Chavez terá um árduo trabalho pela frente, visto que a especialização em apenas um produto de exportação (o petróleo) e a elevada necessidade de importação de produtos básicos reduziram drasticamente as reservas internacionais do país. Além disso, sua própria saúde se mantém uma dúvida.

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O que se pode extrair das Eleições 2012?

São Paulo (contribuição de André Vendrami, jornalista e editor do blog Fica Quietinho!)

São Paulo que viveu dias de agonia antes deste 7 de outubro, respira alivado – pelo menos um pouco – depois dos resultados das urnas paulistanas. Diante da possibilidade de Celso Russomano (PRB) chegar à Prefeitura, as estratégias dos concorrentes de primeiro escalão, José Serra (PSBD) e Fernando Haddad (PT), foram, em parte, acertadas na tentativa de derrubar a ascensão do “azarão” durante todo o primeiro turno. O desespero de ambos para passar ao 2º turno era evidente e o clima entre suas equipes de campanha era de muita tensão.

Em partes porque os votos retirados do então candidato do PRB acabaram caindo nas urnas de Gabriel Chalita (PMDB), como uma espécie de aposta dos eleitores em encontrar uma quarta via diante de um pleito em que todos – embora velhos de guerra – se apresentavam como “o novo”. As manifestações da população (como o ato de mobilização “Amor Sim, Russomano Não”, que começou nas redes sociais e invadiu as ruas) também foram pontos importantes nessa cruzada. Russomano que chegou a 35% das intenções, amargou pouco mais de 21% e precisou aceitar a derrota. A capital paulista volta a ter que decidir dentro da velha polarização PSDB X PT.

Nas simulações do 2º turno, José Serra perde em todas para o candidato petista. Até 28 de outubro, os eleitores paulistanos irão enfrentar uma guerra – provavelmente sem modos, dó ou piedade – nas campanhas de ambos os lados. De um lado, Haddad irá explorar o abandono da Prefeitura por José Serra em 2006, quando este deixou o cargo para concorrer à presidência. Também irá se aproveitar da altíssima rejeição do prefeito Gilberto Kassab, herdeiro do trono e principal apoiador do tucano. Já o PSDB irá com tudo para cima do caso do mensalão e do chamado “kit gay”, proposta do petista intensamente criticada durante sua gestão no Ministério da Educação, além da aliança com o PP de Paulo Maluf.

Apostas? Haddad deve ganhar o apoio de Gabriel Chalita – desafeto assumido de Serra – e talvez o de Russomano – que seria melhor não ter -, mas o PRB é aliado do governo Dilma Rousseff e deve seguir a tendência. A presidenta também deve entrar ainda mais na campanha paulistana, ao lado de Lula, Marta e demais figuras, digamos, fortes do PT. Serra deve ficar sozinho – além daquilo que já tem em sua coligação, claro. As urnas devem confirmar as simulações e levar o candidato do ex-presidente Lula à Prefeitura da capital. Vamos acompanhar.

Curitiba:

Contrariando todas as pesquisas de opinião, Fruet superou o atual prefeito e foi para o segundo turno com Ratinho Jr. Três grandes grupos disputavam a liderança da maior cidade do sul do país: o Grupo Massa (SBT local) e a popularidade de um apresentador de um lado, governo federal de outro, governos municipal e estadual de outro. Os dois primeiros seguiram em frente e prometem uma disputa acirrada daqui a duas semanas. Mas a história dessas eleições começou há um ano.

Fruet, então PSDB, queria ser prefeito. Sempre quis. Beto Richa apoiava o seu ex-vice (que herdou o cargo quando o governador foi promovido). Os dois romperam. Fruet foi para o PDT, arrecadou o apoio de Gleisi Hoffman (ministra chefe da casa civil) e entrou na briga. O embate era claro em todos os debates: Fruet e Ducci se degladiaram ferozmente.

Agora, como fica? O ex-prefeito e quarto colocado com 10%, Rafael Greca, deve abraçar a campanha de Fruet. Para PSB/PSDB (e consequentemente, prefeitura e governo estadual), ficará feio assumir qualquer lado. Mas os eleitores de Ducci, mais conservadores, provavelmente migrarão majoritariamente para Fruet. Minha aposta? Fruet leva.

Rio de Janeiro

De um lado, a segurança da pacificação de favelas.

Do outro, a oposição à truculência da polícia na pacificação das favelas.

A eleição do Rio de Janeiro podia ter sido marcada pelas UPPs, mas foi definida pela empolgação dos cariocas com o momento de protagonismo mundial que a cidade vive. Eduardo Paes trouxe a olimpíada, e trocentos caminhões de dinheiro em investimentos com ela. Teve total apoio federal. E ainda tem a final da Copa do Mundo. É, fica difícil lutar contra tudo isso.

No primeiro turno, a disputa foi massacrante: perto de 70% dos votos válidos foram para o atual prefeito.

Belo Horizonte

A disputa em Belo Horizonte significou muito mais que a escolha do próximo gestor do terceiro maior colégio eleitoral do país, foi o confronto direto de poder entre a presidente da república e seu provável opositor daqui a dois anos, Aécio Neves. Patrus Ananias, apoiado por Dilma, tentava desbancar o atual prefeito, Márcio Lacerda – que na última eleição tinha o apoio do PT. A quebra da aliança foi sintoma da briga lá em cima, e a necessidade de segundo turno era incerta até a apuração final.

Em 2012 e em seu curral eleitoral, Aécio levou. Vamos ver o que acontece no Brasil inteiro em 2014…

Porto Alegre

Confesso que não acompanhei bem a disputa na capital sul riograndense, mas José Fortunati mostra que tem sua gestão aprovada pela grande maioria da população. Com pouco mais de 65% dos votos válidos, ele acabou com os sonhos de Manuela D’Avila. O transporte público e a saúde foram os pilares da campanha vencedora. A questão agora é: Será que ele vai cumprir? Fiquem VIGILANTES.

Salvador

Influência do governo federal contra influência dos velhos coronelismos. Em poucas palavras, esse foi o centro da disputa na capital baiana. E é assim que será o segundo turno. Sinceramente, não sei o que pensar.

BRASIL

E para o Brasil, o que essas eleições significaram? São quase 140 milhões de eleitores: um dos maiores pleitos jamais realizados no planeta. Mas em cada parte do país, realidades diferentes se desenharam. O passado e o futuro se confrontam duramente, e sobra sangue para todos os lados.

Candidatos se engalfinharam nas últimas semanas tentando assegurar um lugar no segundo turno nas principais capitais. Semi-famosos, ex-jogadores e sub-celebridades disputaram o espaço na mídia da forma que conseguiram. A maior parte deles apenas conseguiu passar vergonha. Mas nisso eles já são craques. Sem contar a multidão de pastores, padres, tias do doce, joão do posto e semelhantes.

Duas grandes conclusões:

1) O embate PT vs PSDB cansou o eleitor.

O Brasil não quer isso. Estes partidos não são assim tão diferentes quanto afirmam ser, e o eleitor já percebeu isso. E ele cansou da briga vazia, sem argumentos. Ele buscou alternativas, ainda que tenha se desiludido com a maior parte delas. Falta seriedade na política brasileira. Falta comprometimento.  E o eleitor cansou.

2) O brasileiro (ainda) não sabe votar.

Reclama-se veementemente da sujeira na política, mas reelege-se a maior parte dos vereadores. Essa é a realidade em boa parte das cidades brasileiras. Sem contar o alto índice de anulação de votos. Em Curitiba, por exemplo, aproximadamente 15% dos votos para vereador foram anulados, mesmo com mais de 700 candidatos. Será que nenhum deles tinha ideias alinhadas aos eleitores que anularam, ou o eleitor teve PREGUIÇA de pesquisar. É isso mesmo. PREGUIÇA.

Brasil: vamos começar a levar a política mais a sério.

E vamos eleger candidatos com ideias concretas, com valores sólidos e com boa capacidade de gestão.

(Não concorda com o que falei da sua cidade? Ou tá descontente que ela não foi citada? Comenta aí!)

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A partir de hoje (e por uma semana), ninguém* poderá ser preso no Brasil

É isso mesmo! De acordo com a legislação eleitoral, não se pode prender eleitores de hoje até 9 de outubro.

Veja o texto da Agência Brasil:

A uma semana das eleições municipais, a Justiça Eleitoral aumenta a fiscalização sobre o cumprimento da legislação que determina uma série de regras às vésperas da votação. Aproximadamente 140 milhões deverão ir às urnas para escolher prefeito e vereador.  De terça-feira (2) até o dia 9 nenhum eleitor poderá ser preso ou detido, exceto em flagrante delito ou devido a sentença criminal condenatória por crime inafiançável e desrespeito a salvo-conduto.

Três dias antes das eleições, na quinta-feira (4), está fixado o limite para os candidatos fazerem campanhas de rua e comícios. Também a partir dessa data os juízes eleitorais poderão expedir salvo-conduto em favor de eleitor ameaçado de violência moral ou física que ponha em risco sua liberdade de votar.

Na quinta-feira (4) será o último dia para a veiculação da propaganda eleitoral gratuita nas emissoras de  rádio e televisão, assim como em reuniões públicas ou comícios, com a utilização de aparelhagem de som.

Dois dias antes das eleições, na sexta-feira (5), será o último momento para a divulgação paga, na imprensa escrita e na internet, de jornal de propaganda eleitoral. A véspera da votação, no dia 6, é o último dia para o eleitor receber a segunda via do título. Também é a última oportunidade de fazer propaganda eleitoral usando alto-falantes e amplificadores de som.

As votações, no dia 7, ocorrem das 8h às 17h. Nesse dia, os eleitores podem manifestar publicamente suas preferências, usando camisas, bonés e adereços dos candidatos, mas é proibida a propaganda eleitoral por meio de grupos de pessoas e carros de som. A partir do fechamento das urnas, há a emissão dos boletins de urna e o início da apuração e da totalização dos resultados.

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Como Dilma construiu e agora desconstrói sua imagem

A presidente Dilma construiu, em seu primeiro ano de mandato (e desde os tempos de ministra, sob a presidência de lula-molusco), uma imagem séria, responsável e até mesmo um pouco sisuda. Mas isto vem se desconstruindo nos últimos tempos, sob a pressão cada vez mais forte de sua base aliada – inclusive de seu antecessor. Copio abaixo um texto do jornalista Fernando Rodrigues, o qual assino em baixo. Leiam, analisem e comentem. Vocês acham que a presidente está certa em ceder às pressões?

Dilma está desconstruindo sua imagem

Marta e Crivella ministros e apoio ostensivo a Haddad na TV…

….contrastam com reputação pública criada pela presidente

Imagem e credibilidade são difíceis de construir. Dilma Rousseff foi montando sua reputação, tijolo a tijolo, desde o início do governo Lula. Ela é durona, gosta de administrar, é intransigente com a politicagem. O episódio das demissões em série de ministros encrencados em 2011 conferiu à presidente a fama de ter comandado uma faxina ética no governo.

De maneira premeditada ou inadvertida, Dilma foi ficando como uma espécie de ponto de equilíbrio entre o que foram Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva. Nem é tão elitista e distante do povão como o tucano nem tão populista e condescendente com mazelas brasileiras como o petista. De repente, Dilma até virou personagem de programas de um curioso “humor a favor”, algo raríssimo na história política do país.

Estava indo tudo muito bem. Até que o processo eleitoral deste ano começou.

Uma romaria de políticos do PT passou a frequentar o ex-presidente Lula para reclamar de Dilma. “Ela não trata o PT como deveria” e “Dilma está se arriscando a perder apoio político ao não aceitar demandas dos aliados” são duas frases que sintetizam os resmungos no muro das lamentações do PT e adjacências. Sem contar o desgarramento virtual do PSB, do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, virtual candidato a presidente daqui a dois anos.

Candidata à reeleição em 2014, Dilma se sentiu premida pela conjuntura política adversa que se formava no seu entorno. Começou a tomar atitudes erráticas. Cede e depois age como se fosse para dizer: “Eu sou do PT, mas o PT não manda em mim”. É um risco. Sinais trocados podem desconstruir a imagem que criou para si própria desde sua posse no Planalto.

Eis 4 fatos que podem até ter contribuído para Dilma dar mais coesão política ao seu governo e melhorar sua relação com o PT, mas que contrastam com sua reputação pública:

1) Ministério da Pesca – depois de dizer no final de 2011 ao programa Fantástico, da TV Globo, que não fazia “toma lá dá cá” (vídeo e texto), a presidente convidou em março passado, para a pasta da Pesca, o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ). O objetivo foi apenas político. O PRB tem fortes ligações com a Igreja Universal do Reino de Deus e com a TV Record.

Dilma deu um ministério para acalmar um grupo político-midiático relevante. Enfim, toma lá, dá cá.

2) Resposta a FHC em rede nacional de TV – o ex-presidente escreveu um artigo que teve pouca repercussão no dia de sua divulgação, no início de setembro. A presidente maximizou a crítica recebida do tucano e respondeu com nota oficial da Presidência da República. Não satisfeita, usou parte do seu discurso em comemoração ao 7 de Setembro para fazer um forte ataque às privatizações da administração de FHC. Segundo ela, o tucano “torrou patrimônio público para pagar dívida, e ainda terminou por gerar monopólios, privilégios, frete elevado e baixa eficiência”. Tudo em rede nacional de TV.

Não se trata aqui de negar ou confirmar os problemas das privatizações tucanas. O ponto é outro: convém a uma presidente da República usar uma rede nacional de TV para fazer política partidária? Afinal, Dilma poderia dizer tudo o que falou e muito mais no programa partidário semestral que o PT tem na TV.

3) Vídeo pró-Haddad – pressionada por Lula, a presidente aceitou que gravar e deixar divulgar já um vídeo no qual defende Fernando Haddad, o candidato do PT a prefeito de São Paulo.

Dilma havia procurado o vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), há alguns meses e disse que não faria campanha para ninguém no primeiro turno destas eleições. Ou seja, falou uma coisa e fez outra.

Pior um pouco foi o tom e o palavreado usado por Dilma. A presidente foi além de recomendar o voto no PT em São Paulo –o que seria compreensível. Ela fez uma ameaça velada aos eleitores paulistanos ao dizer que Haddad é “a pessoa certa” para a cidade “consolidar projetos fundamentais do governo federal”. Com Haddad, os paulistanos terão “muitas creches” e “novas moradias”.

Ou seja, contrário senso, se Haddad é “a pessoa certa”, as outras pessoas na disputa são as erradas. Em outras palavras, se Haddad não for eleito, São Paulo não vai “consolidar projetos” com dinheiro federal para ter “muitas creches” e “novas moradias”.

4) Marta Suplicy na Cultura – esse é outro exemplo explícito de toma lá, dá cá. A senadora pelo PT de São Paulo, Marta Suplicy, ficou emburrada por vários meses por ter sido alijada da disputa pela Prefeitura de São Paulo. Recusava-se a participar da campanha de Fernando Haddad, uma escolha pessoal de Lula.

Aí Marta Suplicy se acertou com Dilma Rousseff e Lula: iria virar ministra até o final do ano. Entrou então na campanha de Haddad. Só que a nomeação de Marta como ministra da Cultura explicitou um certo de descontrole no gerenciamento político de Dilma. O cargo estava acertado, mas seria dado oficialmente após a eventual eleição de Haddad –o custo político seria assim mitigado.

Ocorre que a notícia foi publicada na internet na manhã de 11.set.2012  por Valdo Cruz eNatuza Nery. Por volta de meio-dia, a notícia foi ampliada pela repórter Cátia Seabra. Dilma Rousseff resolveu então antecipar o fato.

Por quê? A presidente detesta quando informações reservadas de seu governo chegam à imprensa sem sua permissão. Nessas ocasiões, há sempre reações intempestivas –como não avaliar com mais vagar a relação custo-benefício de uma ação subsequente.

Dilma poderia muito bem ter segurado a nomeação para depois do período eleitoral, mas não quis mais postergar porque se sentiu traída pela informação ter sido publicada sem o seu consentimento.

Aliás, essa relação de Dilma com a mídia, de desejar controlar 100% do que é publicado sobre seu governo, é assunto para uma outra análise.

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Quais sinais são emitidos por esses 4 fatos acima?

Para a maioria dos brasileiros é comum políticos se atacarem e presidentes nomearem ministros por indicação partidária. Sem problemas. Esses episódios fazem parte da paisagem.

Ocorre que parcelas da classe média e dos eleitores mais instruídos estavam encantadas com o primeiro ano do governo Dilma e as atitudes “low profile” da presidente.

Enfim estava no Palácio do Planalto uma pessoa de hábitos mais republicanos. Dilma podia ser até meio áspera e ríspida no contato com as pessoas em geral, mas esse traço era até visto como um predicado e não um defeito.

Agora, aos poucos, a presidente vai cedendo aos vícios da micropolítica. O PRB quer um ministério? Eis aqui o da Pesca, não importando se quem vai ocupá-lo não entende nada de peixes. O PT está em apuros em São Paulo com o candidato de Lula que empacou nas pesquisas? Olhem aqui Dilma dando uma ordem aos eleitores paulistanos na TV. O político aposentado FHC faz uma crítica em jornal impresso ao governo Lula? Sem problemas: Dilma convoca uma cadeia nacional de TV para falar do 7 de Setembro e sentar a pua no tucano.

Essas atitudes são (com o perdão pelo uso do clichê) como as ondas produzidas pela pedra jogada no lago. Aos poucos, as ondas se espalham e chegam à margem.

Pior ainda quando são várias pedras jogadas no mesmo lago.

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