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A política brasileira está velha e louca?

A The Economist divulgou recentemente um gráfico bastante interessante, que compara a idade média das populações de diversos países com a de seus líderes. Vejam abaixo.

Dos onze países avaliados, o Brasil tem a terceira população mais jovem. Por outro lado, a idade média dos ministros do país é a quarta mais alta, próxima a 60 anos. Nossa presidente, Dilma Rousseff, fará 65 anos de idade neste ano, e Michel Temer, seu vice, fará 72.

Ao contrário de Mallu Magalhães, que compôs a frase como um ato de rebeldia e auto-afirmação no auge de sua juventude, a política brasileira de fato está velha e louca.

O Brasil é liderado por dinossauros. Sarneys, ACMs e Malufs são apenas as arestas mais aparentes de uma complicada teia de trocas de favores e patronalismos baratos.

O congresso não tem discussões políticas relevantes e de interesse do Estado (ou seja, de todos nós). Ao invés de partidos motivados por planos de gestão e de país, há bancadas. Bancadas que não passam de bandos organizados por lobbies de grupos poderosos. Bancada ruralista, bancada evangélica, bancadas regionalistas.

Nos níveis inferiores, a mamata, o nepotismo e a falta de bom senso são ainda piores: câmaras municipais e assembleias regionais se reúnem para, no máximo, votar mudança em nome de rua. Isso quando aparecem: são cada vez mais frequentes as notícias relacionadas a faltas exageradas de políticos que usam o tempo em que deveriam estar trabalhando pelo povo para visitar currais eleitorais, ou para viajar a lazer.

Até quando?

Os jovens e jovens adultos brasileiros não se interessam pela política. Poucos conseguem ascender, pois a estrutura já está montada e é impossível avançar sem padrinhos políticos. Os poucos que surgem ou são parentes de antigos políticos (filhos, netos, sobrinhos, etc) ou conseguiram fama anterior (ex-bbbs, sub-celebridades, ex-jogadores de futebol, e por aí vai).

Infelizmente, eu não consigo ver uma saída. A única forma de mudar isto seria uma reforma profunda da política brasileira, ou uma mudança ideológica e cultural. Enquanto as pessoas votarem em rostos conhecidos, e não em ideias, pouco se pode acreditar em mudanças.

PIOR: políticos velhos dificilmente terão ideias novas para o país. Serão retrógrados e conservadores. Reformas? Pff.

O país vai se engessando, com burocracias desnecessárias, infraestrutura decrépita e produtividade (de)cadente.

Novamente, eu pergunto: até quando?

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A economia para, e o governo só atrapalha… Brasil, a República das Bananas.

O IBGE divulgou nesta manhã:

O PIB teve variação positiva de 0,2% na comparação com o quarto trimestre de 2011. Indústria (1,7%) e serviços (0,6%) se expandiram, mas a agropecuária caiu 7,3%. O crescimento da indústria foi puxado pela indústria de transformação, que cresceu 1,9%. Construção civil e eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana também registraram crescimento de 1,5% em relação ao trimestre anterior. Já a extrativa mineral recuou 0,5%.
No setor de serviços, as atividades de administração, saúde e educação pública (1,8%), comércio (1,3%) e transporte, armazenagem e correio (0,9%) cresceram. Serviços de informação aumentaram 0,6%, enquanto outros serviços (0,2%) e atividades imobiliárias e aluguel (0,1%) mantiveram-se estáveis. Intermediação financeira e seguros recuou 0,8%.
Sob a ótica do gasto, o consumo da administração pública (1,5%) e o consumo das famílias (1,0%) subiram, enquanto que a formação bruta de capital fixo caiu 1,8%.
No que se refere ao setor externo, as importações de bens e serviços cresceram em ritmo superior ao das exportações: 1,1% contra 0,2%.

Abaixo a imagem bonitinha publicada pela Folha.

Pois bem, vamos analisar. O PIB surpreendeu para baixo devido a uma queda mais forte da Agropecuária. Isto não é importante, porque este setor é volátil e, assim como caiu rapidamente agora, consegue se reerguer com certa facilidade. O clima doido dos primeiros meses do ano (seca no nordeste e no sul, principalmente) derrubou a produtividade do setor.

Vamos olhar o que realmente é importante.

No comparativo com o primeiro trimestre de 2011, enquanto os consumos do governo e das famílias subiram 3,4% e 2,5% respectivamente, o investimento caiu 2,1%. Ou seja, pelo lado da demanda, a economia continua vendendo, mas as empresas reduziram o investimento por menor confiança no futuro.

A indústria cresceu 1,7% no comparativo com o trimestre anterior (na análise dessazonalizada*) e foi o setor mais representativo. No interanual, ela ficou praticamente estável (+0,1%). Porém, olhando pormenorizadamente, notamos que a indústria de transformação caiu 2,6%, enquanto a extrativa mineral subiu 2,2% e a construção civil, 3,3%.

(*dessazonalizado: sem os efeitos sazonais, ou seja, típicos daquele período do ano. Em todo natal o comércio aquece, por exemplo, e é importante tirar estes efeitos – ou seja, dessazonalizar – para evitar análises erradas).

Tanto número pode confundir… Mas vamos analisar.

O governo reduziu o IPI do setor automotivo, mas nada fez pela indústria farmacêutica, por exemplo, que caiu 11,4% em um ano. Como Carlos Sardenberg lembrou ontem no Jornal da Globo, o governo tira imposto de um lado e coloca do outro, e penaliza cada dia mais o contribuinte. Nos primeiros quatro meses deste ano, os gastos do governo subiram 13,1% – enquanto a receita de impostos subiu 12,5%. OU SEJA: além de aumentar a (já criminosamente alta) carga tributária, o aumento nos gastos é tão grande que é preciso aumentar o endividamento.

PIOR: não se tem aumentado o investimento em infra-estrutura. Vendem-se mais carros, mas sem estradas apropriadas. Facilita-se o crédito para o consumo, sendo que as famílias brasileiras já estão atoladas em dívidas.

Simplificando: o governo está governando para ganhar voto, aumentando gastos de forma discriminada mirando o eleitor. Pouco se faz pelo Estado, e as reformas necessárias para dinamizar a economia ficam para escanteio. E sim, acho apropriada a metáfora futebolística, dada que a política do pão e circo corre solta na República das Bananas…

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