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Aquecimento global altera a geoeconomia

A China está redesenhando a geoeconomia há pelo menos 20 anos, e isso não é nenhuma novidade. Agora, eles estão recriando também os caminhos possíveis. A rota que circunda toda a “costa” russa pela região acima do círculo polar ártico é uma fronteira quase imbatível. Mas o aquecimento global está facilitando aquele trajeto e, reduzindo o tempo gasto para se chegar da China à costa ocidental da Europa pelo mar.

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Do Estadão:

As mudanças climáticas se transformaram em uma importante aliada das empresas de navegação chinesas. O navio Yong Sheng, de 19.461 toneladas, da empresa Cosco, deu início no porto de Dalian, província de Liaoning, a uma viagem de 33 dias para chegar a Rotterdam, na Holanda.

O navio vai passar o estreito de Bering e navegar ao longo da costa russa, segundo informou a imprensa oficial chinesa. Trata-se do primeiro navio mercante da China a utilizar a passagem do Noroeste do Ártico, ou rota marinha do Norte, para chegar à Europa.
A via pode representar uma revolução para o comércio mundial a longo prazo. Geralmente a rota não era utilizada porque as geleiras tornavam a navegação impossível.

Com o degelo decorrente do aquecimento global, as empresas acreditam que poderão reduzir em 30% o tempo de duração da viagem, que passaria de 48 para 33 dias. A mudança significa um forte impacto em termos de vantagem econômica para os produtos chineses.

Analistas internacionais ainda são prudentes e advertem que serão necessários vários anos até que o trajeto seja considerado comercialmente viável e uma alternativa ao Canal de Suez.

Há tempos a rota pelo Canal de Suez não é uma opção segura: a costa da Somália está repleta de piratas em um Estado quebrado. E essa não é a única limitação: a redução significativa na distância percorrida pelos navios pode salvar importantes recursos dos exportadores asiáticos.

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Yes, nós temos banana

Goiânia, 02 de julho de 2013

Chiquita querida,

Contigo continua tudo bacana? Não sei como anda a situação aí na Martinica, mas aqui entre nós está alarmante. Não temos, pra vestir, nem uma casca de banana nanica.

Tó, procês.

Não sei se você se lembra, Chiquita, mas o Borges diz uma coisa linda em O Milagre Secreto: “Não há homem que fora de sua especialidade não seja crédulo”. Você sabe que economia em seus mais diversos campos semânticos nunca foi meu forte. E num vem que ontem, meu patrãozinho me mandou uma matéria acachapante? O Brasil teve sua pior balança comercial em 18 anos [gritos ao fundo, explosões, raios, trovões, pessoas correndo em desespero].

Eu não tenho certeza de que eu saiba o que exatamente significa ter uma balança comercial mais pior de ruim dos últimos 18 anos, mas credulamente eu me ressinto de que seja assim. Primeiro, Chiquita, porque 18 anos é muito tempo. A última vez que aconteceu de haver um tempo dezoito anos atrás eu tinha 09 anos de idade e isso é uma tragédia na vida de qualquer pessoa. Só de lembrar que desde minha tenra e gaiata idade de nove anos o Brasil não estava tão ruim quanto está agora eu me arrepio todo. Tudo bem que aos nove anos eu não tinha lá muita certeza de que o Brasil estivesse uma bosta, mas enfim são dezoito anos não tão ruins que poderiam ter-se mantido.

La Revolution Populaire Bresilienne arrefeceu um tico, o Brasil ganhou a Copa das Confederações [É GOL! GOOOOOOOOOOOLLLL] e todo esse patriotismo embutido nesses eventos coetâneos me fizeram lembrar dos bons tempos… Lembra, Chiquita? Esse Brasil já foi uma beleza, né?

Magina só: ano da graça de mil quinhentos e alguma coisa e lá vem a portuguesada desbravar as terras brasileiras em busca de riquezas nunca dantes exploradas. E a Terra de Santa Cruz se torna a terra do pau-brasil. Como você não deve estar muito familiarizada com o atualmente extinto pau-brasil faço uma recomendação: não pesquise no google o que seja pau-brasil sem estar no safe mode. Repito: não pesquise sem estar no safe mode!

Depois fomos a terra da cana-de-açúcar, terra do ouro, terra do café, terra da borracha e finalmente, Chiquita, chegamos à melhor posição entre as nações: a terra da banana [musa paradisiaca]. Veja só, Chiquita, sempre tivemos um carro chefe nas nossas queridas exportações pra contrabalançar a importação de todos os outros gêneros básicos pra sobrevivência humana fossem manufaturados fossem industrializados. Quando chega a banana, nós começamos com aquelas industriazinhas que todo mudo conhece e fomos crescendo. Aos trancos e barrancos conseguimos diversificar nossa exportação. Tudo bem que ainda jogamos matéria prima pro mundo que nos devolve tudo devidamente processado, selado, carimbado, rotulado e industrializado.

E nos sobrevém esse golpe! Dezoito, Chica, dezoito! Deus sabe o que faz. Embora eu tenha um pouco de receio de deixar tudo nas mãos de Deus. Afinal, dizem que ele é brasileiro. E veja só o que conseguimos: o pau-brasil de tão explorado foi quase extinto; o açúcar, feito mal e porcamente, perdeu espaço pro açúcar de beterraba feito por holandeses nas Antilhas; o ouro quase todo foi parar em Inglaterra por via de Portugal; os barões do café quebraram tão estrambolicamente que queimavam café em praça pública porque era mais lucrativo que vender; a borracha perdeu espaço para o cultivo organizado do sudeste africano. Ficamos nós aqui, olhando os estrangeiros nos comprarem as bananas que ainda vendemos a preço de banana e nos dando uma bela de uma banana em troca.

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