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Porque evitar (muitos) sócios pode ser fundamental para o sucesso do seu negócio

Mais uma contribuição do empreendedor Zeca Dib, para garantir o sucesso na sua empreitada rumo ao posto de empresário do ano. Boa leitura!

Amigo,

você pensa em dar start no seu tão sonhado negócio próprio, mas não possui todas as skills necessárias para fazê-lo, nem grana para contratar ninguém. Na hora, vai parecer uma excelente idéia se juntar com mais X pessoas com habilidades multidisciplinares a quem pomposamente chamará de “sócios”. No entanto, além da parte “tio patinhas” da equação (o “X” de sócios é o coeficiente divisor do seu lucro depois), há um problema maior. Muito maior.

Já viajou em grupo? Se sim, já se viu na situação chata de tentar administrar todas as vontades e frescuras individuais de cada um para estabelecer o rumo que a viagem vai tomar. O que iremos visitar primeiro, quanto tempo em cada local, pizza ou hamburguer? Se questões triviais em momentos de lazer podem muitas vezes se tornar selvagens discussões, imagine comandar uma empresa pequena da mesma forma? Coloque 4 pessoas conduzindo o mesmo fusca ao mesmo tempo, e a chance de um acidente aumenta consideravelmente.

Como fazer então? Desdobre-se para aprender aquilo que não sabe ou, melhor ainda, comece com projetos mais simples, e tenha apenas sócios essenciais. Terceirize o que puder, as funções menores. Ou desenvolva um bom plano/modelo de negócios e vá atrás de investidor. Se for sua primeira vez empreendendo, é legal começar com algo simples, que com mais poucos sócios você possa colocar em ação.

Não compensa, a longo prazo, começar uma empresa com um sócio para cada função, o ideal aliás é seguir á risca o lema do Balu: “o necessário, somente o necessário, o extraordinário é demais.” Isso serve como princípio para todos os aspectos das startups, e ignorar este princípio impede ótimos projetos de sair do papel.

Se você não leu o primeiro post do Zeca aqui no blog, clique aqui e saiba porque uma boa ideia não garante o sucesso do seu negócio.

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O Brasil vive uma crise aérea absurda, e só o governo não vê

Caos aéreo não é de hoje: capa da revista Veja já apontava para o problema na década de 1970

Entre em qualquer aeroporto de grande porte do país e você ouvirá por todos os lados usuários comentando: “Imagina na copa…” Mas o Brasil já vive uma crise aérea hoje. Não é preciso ter habilidades psíquicas para perceber isto.

Faltam investimentos no setor, e a possibilidade de intervenção privada é bastante limitada. Para vocês terem ideia, o mais novo aeroporto de grande porte do Brasil foi inaugurado há mais de dez anos (em Palmas, no Tocantins, em 2001), e os terminais existentes são pequenos demais para a demanda existente.

Se em horários normais a movimentação já é intensa, em saídas ou chegadas de feriados ela se torna caótica. Fui a Santiago, no Chile e pude comparar a situação brasileira com a chilena. Embarquei no sábado sem maiores transtornos, ainda que a movimentação no freeshop do aeroporto de Guarulhos se assemelhasse a dos shoppings em dezembro. As filas para despacho de bagagens também eram longínquas, e infelizmente já começamos a nos acostumar a isto.

No retorno, o drama foi ainda maior. Por precisar retirar as bagagens para passar pela alfândega, enfrentei duas lentidões: a da retirada da bagagem e a fila de despacho (ainda que especial para passageiros em transferência doméstica).

Desembarcar via fingers (e não via escadas e ônibus) é um luxo que poucos sortudos conseguem com frequência, visto que o aeroporto está operando muito acima da sua capacidade. E isto não é exclusividade dos aeroportos de São Paulo: Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, BH, Salvador… Em praticamente todas as grandes cidades brasileiras, os aeroportos estão constantemente superlotados, sem oferecer conforto algum a seus usuários.

Há pouco mais de um ano, a revista Flight International destacou, em um artigo sobre a aviação brasileira, a situação dos aeroportos brasileiros: dos 137 em que há operação comercial, 35 sequer possuem pistas pavimentadas, e apenas CINCO possuem instrumentos modernos e adequados. É assustador.

Aeroporto de Congonhas, em SP, vive o caos na última sexta-feira

Quanto aos atrasos, nem preciso me prolongar: a novela é antiga e conhecida de todos. Na última sexta-feira, quase metade dos voos programados operavam com atraso em Congonhas, por exemplo. Dizem que o apagão aéreo acabou, mas eu não reconheço isto. Ele pode ter sido disfarçado ou dissimulado, mas está bem presente.

Outros problemas já são pouco comentados, de tão corriqueiros que viraram: constantes mudanças de portão de embarque, desorganização, preços abusivos de produtos alimentícios, poluição sonora com o desespero de funcionários despreparados… ontem, passei pelo constrangimento de observar dois embarques sendo realizados simultaneamente NO MESMO portão de embarque, e atendentes se desdobrando para evitar um incidente digno de “Esqueceram de mim 2”, enviando passageiros do voo a Salvador para Porto Alegre (ou vice-versa).

As obras previstas (que apenas ocorrem para que o Brasil não passe vergonha na Copa do Mundo, e não por uma gestão estratégica preocupada com o desenvolvimento e o planejamento) são simplesmente paliativas, e de pouca monta. Expansão de pistas, por exemplo: aumenta a capacidade de tráfego, mas não melhora em nada a qualidade do serviço.

Aeroporto de Santiago, que é controlado pela iniciativa privada em regime de concessão

 

Enquanto isto, vi uma realidade contrastante no aeroporto Arturo Merino Benitez, em Santiago. Entregue há 14 anos para a iniciativa privada (em um sistema semelhante às privatizações realizadas no Brasil em três aeroportos neste ano), o aeroporto foi reformado e ampliado algumas vezes nos últimos anos. Ele recebe muito bem seus usuários, com uma quantidade incrível de lojas, restaurantes, bares e até unidades de redes internacionais, como Starbucks e Dunkin’ Dunuts, cobrando os mesmos preços que nas ruas da cidade.

 

Quando teremos conforto para viajar no Brasil, e não apenas promessas e inaugurações fictícias? Por que não se constroem novos aeroportos no Brasil, dada a demanda latente por transporte aéreo?

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