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Revolução com moderação

Eu nem deveria estar aqui. Você também não. Nós dois deveríamos estar na rua fazendo algo pelo futuro do Brasil. Mas como temos esse minutinho aqui, bora conversar?

VIVE LA REVOLUTION!

É impossível pra qualquer cem gramas de cérebro ambulante falar contra o movimento social que tem tomado conta do meu amado país neste último mês. E a primavera tupiniquim me deixa felicíssimo. Mundos de gente na rua cumprindo algo que eu pedi no meu primeiro texto por aqui: o fim do ativismo de sofá.

Tamo levantando tudo do nosso berço esplêndido e nada pode ser melhor pra nós. Ver a história e o povo se fazendo juntos, nas casas, nas mídias [nas mídias que não são obtusamente amordaçadas por interesses escusos], nas ruas, nas chuvas ou nas casinhas de sapê.

No entanto [eu adoro ser o sujeitinho nojento que vem sempre com a adversativa] não podemos permitir que esse movimento se balburdie. A falta de um programa claro e de uma vontade dirigida pode fazer o gigante agir como uma criança estabanada. Algumas notícias envolvendo depredação e afins são sintomas menores disso. Cuidado, meu gigante! Claro que isso se resolve depois e a mudança é mais importante que o patrimônio. Mas não podemos espalhar essa desorganização organizada mais do que já está. Corremos o risco de criar uma besta acéfala. E da última vez que isso aconteceu muitos corpos ficaram acéfalos nas guilhotinas da Revolution.

Espero que tudo se encaminhe. Que o movimento continue crescendo. Que realmente haja uma mudança de pensamento. Que não acabe tudo numa enorme mixórdia de um guignol carnavalesco. Que o povo mude. Que o pensamento mude. Que o Brasil mude. Especialmente, que eu mude com ele. Já estou saindo daqui pra procurar minha vaga na caminhada da história. Bora?

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Morre Hobsbawm, um dos maiores historiadores do nosso tempo.

Da Reuters:

O renomado historiador britânico de esquerda Eric Hobsbawm, cuja obra influenciou estudantes e políticos por toda a Europa e em outras partes do mundo, morreu em um hospital de Londres nesta segunda-feira, aos 95 anos, disse a BBC.

Hobsbawn morreu no início da manhã no Royal Free Hospital, em Londres, onde estava internado para receber tratamento para uma pneumonia.

“Ele fará muita falta, não apenas para sua esposa há mais de 50 anos, Marlene, e seus três filhos, sete netos e um bisneto, mas também para os vários milhares de leitores e estudantes em todo o mundo”, afirmou a família em comunicado.

Hobsbawm recebeu a consagração da crítica com uma obra de quatro volumes sobre a Europa nos séculos 19 e 20, que foi traduzida para 40 línguas. Suas memórias, que foram best-seller, elencaram os momentos cruciais na história europeia moderna nos quais ele viveu.

 

Tive o prazer de ler parte da trilogia mais importante de Hobsbawm durante a faculdade, e por isso preciso me pronunciar sobre esta gigantesca perda para o estudo de história econômica mundial.

A mídia tende a valorizar proeminentemente o posicionamento político do historiador, mas eu gostaria de me dedicar a outros aspectos deste grande indivíduo. Sua capacidade de análise e síntese tornou seus textos imprescindíveis à compreensão da economia mundial e da evolução do capitalismo.

Hobsbawm tinha uma memória impressionante, e conseguia desprender os fatos mais relevantes de qualquer documento para destacá-lo com maestria. Foram dezenas de publicações que elucidaram de forma única o nosso conhecimento sobre o passado e o presente.

“History is being invented in vast quantities … it’s more important to have historians, especially sceptical historians, than ever before.” – Obrigado, mestre. E vá em paz.

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