Arquivo da tag: paris

Sabe qual a cidade mais próspera do mundo?

Adoro os estudos da ONU, e este não ficou devendo em nada.

Em uma análise detalhada dos efeitos das cidades sobre a qualidade de vida das pessoas, tendências regionais e globais, a Organização das Nações Unidas retratou muita coisa interessante. De todas, gostaria de destacar o ranking das cidades mais prósperas do planeta.

Levaram-se em conta cinco categorias, nas quais as cidades receberam notas de 0 a 1: no fim, quem tivesse a maior média ganharia. As categorias são produtividade, Infraestrutura, Qualidade de vida, Sustentabilidade ambiental e, por fim, equidade e inclusão social.

Este tipo de índice desmistifica os fatídicos rankings baseados no PIB, bastante ilusórios se a renda está extremamente concentrada e a qualidade de vida é baixa. Mais dinheiro não necessariamente se reproduz em mais prosperidade (econômica e social).

Entre as dez cidades mais bem colocadas, nenhuma cidade do continente americano. Aliás, apenas uma delas não fica na Europa. Surpresa? Não. Especialmente se olharmos as três primeiras, separadas por apenas um mísero décimo de diferença.

Mas fiquei muito feliz com a grande campeã: sou um verdadeiro apaixonado por essa cidade, e quero muito poder morar lá um dia. Cidade segura, bela, encantadora, de povo elegante e simpático, com uma infraestrutura soberba e diversas oportunidades de lazer, para todos os gostos. Ficou curioso?

Então vamos ao top 10!

10. Paris, França

9. Estocolmo, Suécia

8. Melbourne, Australia

7. Londres, Reino Unido

6. Tóquio, Japão

5. Copenhague, Dinamarca

4. Dublin, Irlanda

3. Helsinque, Finlândia

2. Oslo, Noruega

1. Viena, Áustria

Se quiser ler mais a respeito, o estudo completo pode ser baixado de forma gratuita através deste link. No site da UN-Habitat também tem mais informações bem interessantes, corre lá!

Etiquetado , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

São Paulo é a 7a cidade onde é mais caro se alugar um escritório, à frente de Nova York

Segundo a The Economist, São Paulo é a sétima cidade onde é mais caro se alugar um escritório, em uma lista com as cidades mais importantes do planeta. Há um ano, a maior cidade do Brasil ocupava a oitava posição neste ranking.

Em 2011, o metro quadrado médio de um escritório em São Paulo custava aproximadamente US$ 600, e hoje passa de US$ 800. Por outro lado, o ritmo de crescimento dos preços diminuiu em relação ao ano anterior.

A taxa de desocupação subiu: se há um ano apenas 6% dos imóveis deste tipo estavam vazios, hoje são 11,9%.

A cidade mais cara do mundo é Londres, que ultrapassou Hong Kong – agora na segunda posição. Enquanto os preços dos imóveis na cidade chinesa caíram quase 12%, na capital britânica eles se mantiveram praticamente constantes em US$ 1.700 o metro quadrado.

O grande destaque da lista foi Pequim, onde o aluguel médio disparou 45%, levando a cidade à sexta posição. Por outro lado, quatro cidades da Zona do Euro amargaram desvalorização média de 11%. Ainda assim, Paris é a 4a cidade da lista, logo atrás de Moscou.

Veja abaixo a lista completa:

Etiquetado , , , , , , , , , , , , , ,

Sabe qual a melhor cidade do mundo? Você vai se surpreender…

Surpresa!

Segundo a mais recente pesquisa da divisão de estatísticas da The Economist, a EIU, – Economist Intelligence Unit – em conjunto com o Buzzdata, o melhor lugar do mundo é… HONG KONG!

Isso mesmo, galera. Segundo o novo índice do EIU, que comparou as 70 maiores cidades do planeta, a cidade chinesa conquistou o topo do pódio, completado por Amsterdã e Osaka. São Paulo ficou com a 36a colocação, enquanto o Rio de Janeiro figurou na 42a posição.

Completam a lista das dez melhores cidades: Paris, Sidney, Estocolmo, Berlim, Toronto, Munique e Tóquio.

Para chegar ao resultado, somou-se aos 30 indicadores do índice de melhores cidades para se viver, subdivididos em cinco grandes áreas, uma sexta área, com sete indicadores. Com isto, 75% do resultado final se deve aos já conhecidos Estabilidade, Acesso à Saúde,  Cultura e Ambiente, Educação e Infraestrutura. Para os outros 25%, representando “características espaciais”, foram levados em conta:

– Isolamento

– Espaço Verde

– Poluição

– Conectividade

– Expansão (cidades compactas – mais verticais, no caso – seriam melhores)

– Bens naturais

– Bens culturais

Vocês podem acessar o documento com a metodologia e os resultados através desse link. Esta pesquisa tem um problema SÉRIO: ela não pode ser comparada ao indicador de qualidade de vida já reconhecido internacionalmente, que compara 140 grandes cidades. Isto porque a população mínima das cidades escolhidas excluiu as líderes da pesquisa anterior, como Viena, por exemplo.

Sinceramente, não gostei desse indicador. Enquanto ele não incluir mais cidades, será impossível avaliá-lo plenamente. Outro problema que encontrei foi considerar verticalidade ou proximidade do mar ou de rios – sem observar se estes estão poluídos ou não – como aspectos positivos. E você, o que achou?

Etiquetado , , , , , , , , , , , , , , ,

A esquerda sobe ao poder na França, mas… o que muda?

Neste último domingo, o candidato socialista à presidência da França, François Hollande, foi eleito o mais novo líder da 5a maior economia do globo. Em uma disputa apertada (até o fechamento desta “edição/post”, as contagens ainda não haviam sido concluídas), a esquerda limou do poder o candidato à reeleição, Nicolas Sarkozy. Esta foi apenas a segunda vez na quinta república que um candidato a reeleição não conseguiu o feito (o anterior foi Valery Giscard; não considerei a tentativa de Alain Poher que foi candidato após a presidência interina, que durou 3 meses em 1969).

Mas vocês devem querer saber: O que muda com isso?

Povo francês lota as ruas de Paris. (foto por Marcel Badan)

Antes de responder a essa pergunta, vamos dar uma olhada quem é François Hollande:

– Primeiro-secretário do partido socialista por doze anos, ao qual se juntou em aos 25 anos. Atualmente, tem 58.

– Foi escolhido candidato ao ganhar as primárias do partido, após o escândalo sexual do então presidente do FMI, Strauss-Kahn, favorito à eleição naquele momento.

– Entre os pontos de seu programa estão a criação de uma agência europeia para regulamentar o sistema financeiro, a redução do uso da energia nuclear de 75% para 50% na produção energética nacional, a construção de 500 mil moradias por ano e a regularização de imigrantes ilegais com base em critérios objetivos (emprego, moradia e tempo de residência na França).*

Ao contrário da revista britânica The Economist, acho pouco provável que a eleição de Hollande fará um grande estrago às economias francesa e europeia. Antes de opinar, confiram alguns trechos do ponto de vista da TE:

With a Socialist president, France would get one big thing right. Mr Hollande opposes the harsh German-enforced fiscal tightening which is strangling the euro zone’s chances of recovery. But he is doing this for the wrong reasons—and he looks likely to get so much else wrong that the prosperity of France (and the euro zone) would be at risk.

France desperately needs reform. Public debt is high and rising, the government has not run a surplus in over 35 years, the banks are undercapitalised, unemployment is persistent and corrosive and, at 56% of GDP, the French state is the biggest of any euro country.

Mr Hollande’s programme seems a very poor answer to all this—especially given that France’s neighbours have been undergoing genuine reforms. He talks a lot about social justice, but barely at all about the need to create wealth. Although he pledges to cut the budget deficit, he plans to do so by raising taxes, not cutting spending. Mr Hollande has promised to hire 60,000 new teachers. By his own calculations, his proposals would splurge an extra €20 billion over five years. The state would grow even bigger.

Optimists retort that compared with the French Socialist Party, Mr Hollande is a moderate who worked with both François Mitterrand, the only previous French Socialist president in the Fifth Republic, and Jacques Delors, Mitterrand’s finance minister before he became president of the European Commission. He led the party during the 1997-2002 premiership of Lionel Jospin, who was often more reformist than the Gaullist president, Jacques Chirac. They dismiss as symbolic Mr Hollande’s flashy promises to impose a 75% top income-tax rate and to reverse Mr Sarkozy’s rise in the pension age from 60 to 62, arguing that the 75% would affect almost nobody and the pension rollback would benefit very few. They see a pragmatist who will be corralled into good behaviour by Germany and by investors worried about France’s creditworthiness.

If so, no one would be happier than this newspaper. But it seems very optimistic to presume that somehow, despite what he has said, despite even what he intends, Mr Hollande will end up doing the right thing. Mr Hollande evinces a deep anti-business attitude. He will also be hamstrung by his own unreformed Socialist Party and steered by an electorate that has not yet heard the case for reform, least of all from him. Nothing in the past few months, or in his long career as a party fixer, suggests that Mr Hollande is brave enough to rip up his manifesto and change France (see article). And France is in a much more fragile state than when Mitterand conducted his Socialist experiment in 1981-83. This time the response of the markets could be brutal—and hurt France’s neighbours too.

 

Não acho que Hollande seja tão extremista quanto a The Economist coloca, ainda que a revista tenha suas ressalvas. Mas mesmo que fosse, não acho que ele teria liberdade para isto.

Ao contrário do que os britânicos temem, a França não se desalinhará totalmente da Alemanha devido a esta vitória. Berlim já vinha se aproximando dos comunistas nas últimas semanas com os prognósticos de vitória. Do outro lado, Hollande já amenizava seu discurso paulatinamente, evitando um confronto mais árduo com Angela Merkel, chanceler alemã. Algo próximo a um acordo na área fiscal já vem sendo desenhado no backstage da Zona do Euro. Importante relembrar que a Alemanha também passará por eleições no próximo ano e, se Merkel sonha com a reeleição, precisa se preocupar com o público interno. Isto, claro, não necessariamente vem de encontro aos objetivos de longo prazo da região, mas converge com o discurso de Hollande.

Ao contrário do que os mais pessimistas afirmam, não acho que a França seguirá o caminho das trevas dos países periféricos da Zona Euro, tampouco que seu risco-país descolará drasticamente do alemão, inviabilizando o refinanciamento de sua (crescente) dívida pública.

Porém, de tudo isto se tirará uma experiência muito interessante para a história: um grande confronto ideológico entre socialismo e social-democracia se delineia, e boas conclusões poderão surgir com o passar dos anos. Para os economistas, um prato cheio. Para os franceses, só o tempo dirá…

Etiquetado , , , , , , , , , , , , , , ,