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Inaugura-se hoje o MAR – Museu de Arte do Rio, com peças de Aleijadinho a Tarsila do Amaral

Hoje, é inaugurado o tão esperado MAR – Museu de Arte do Rio.

Com uma das mais vastas e impressionantes coleções da América Latina, o museu fica na Praça Mauá, na região central da cidade, e promete recolocar o Rio de Janeiro no centro das atenções do país no cenário cultural (que ao menos nas últimas décadas ficava limitado a São Paulo, com seus muitos museus de arte).

O projeto arquitetônico do MAR é do escritório carioca Bernardes + Jacobsen. O complexo do museu engloba 15 mil metros quadrados e inclui oito salas de exposições e cerca de 2.400 metros quadrados, divididos em quatro andares; a Escola do Olhar e áreas de apoio técnico e de recepção, além de serviços ao público.

Os dois prédios que formam a instituição serão unidos por meio de uma praça, uma passarela e cobertura fluida, em forma de onda – o traço mais marcante da caligrafia dos arquitetos – transformando-os em um conjunto harmônico.

O museu terá, a partir de amanhã, quatro diferentes exibições:

Rio de Imagens: uma paisagem em construção descortina um olhar sobre a representação da cidade ao longo de quatro séculos. A partir de cerca de quatrocentas peças — da cartografia ao vídeo, passando por pintura, gravura, desenho, fotografia, escultura e objetos de design —, a exposição enfoca a criação de um imaginário sobre a cidade, seus desdobramentos e transformações.

Entre os mais de sessenta artistas participantes, estão nomes formadores da arte brasileira, como Burle Marx, Castagneto, Dall’Ara, Di Cavalcanti, Facchinetti, Goeldi, Iberê Camargo, Ismael Nery, Lívio Abramo, Manabu Mabe, Pancetti, Segall, Tarsila, Taunay, Thimóteo da Costa, Vieira da Silva, Vinet e Visconti, juntamente com representantes de destaque da arte contemporânea.

O Colecionador:

Imagine ver reunidos 8 movimentos artísticos de uma só vez, como numa sinfonia de cores e formas.  É o que você irá encontrar na exposição O COLECIONADOR: o modernismo, o surrealismo, a pintura primitiva, a abstração informal, a abstração construtiva, a nova figuração, a pintura russa, a pintura chinesa fazem parte do precioso acervo guardado por Jean Boghici.

Jean fundou a Relevo, uma das primeiras galerias de arte do Rio,  em 1961. A partir daí, ele tornou-se também colecionador. Só que diferente dos demais: ele coleciona para si e para os outros, ajudando a formar as principais coleções do país e trazendo artistas e tendências internacionais para o Brasil.

O COLECIONADOR começa com obras-ícones do século 20 que permearam  a Semana de Arte Moderna de 1922 e que, a partir daí, formaram o gosto artístico de cada década. São cerca de 150 obras de uma centena de artistas: os internacionais Fontana, Calder, Max Bill, Morandi, Kandinsky… e ainda o melhor de  Di Cavalcanti, Tarsila, Rego Monteiro, Guignard, Maria Martins.

Vontade Construtiva na Coleção Fadel dá continuidade à participação da família Fadel no debate cultural brasileiro oferecendo ao público a experiência de sua coleção. A exposição apresenta caminhos do ideário construtivo configurados no Brasil, por pesquisas individuais e movimentos coletivos, desde as primeiras aproximações das vanguardas artísticas europeias nas décadas iniciais do século XX, quando a geometria era usada como indício da razão humana e modo de ordenação da realidade, até os seus desdobramentos entre os anos 1960 e 1980, quando o experimentalismo incorporou a questão sociopolítica, o conceitualismo e a revisão do modernismo.

O abrigo e o terreno inaugura o projeto Arte e sociedade no Brasil, dedicado à atuação da arte brasileira no campo da alteridade e das relações sociais. A exposição reúne artistas e iniciativas de diversas regiões em torno de uma questão que – dadas as reformas urbanísticas que hoje transfiguram o Brasil, principalmente o Rio de Janeiro – se faz especialmente urgente: as concepções de cidade e as forças que se aliam e se conflitam nas transformações urbanísticas, sociais e culturais do espaço público/privado. Entrecruzando distintos horizontes políticos e estéticos – como a ideia de cidade do homem nu de Flávio de Carvalho (1930), a constatação de uma cidade de casas fracas (Clarice Lispector em O Mineirinho, 1962), o projeto de urbanização da favela Brás de Pina (escritório Quadra, década de 1960) ou a atuação de artistas (2003-2007) na Ocupação Prestes Maia, em São Paulo –, a mostra problematiza a propriedade, a posse e o usufruto dos espaços sociais –o terreno – e os modos como produzem política e subjetividade, do direito à habitação ao desejo de abrigo. Concebida como um laboratório de diálogos e antagonismos que percorre o século XX e invade a contemporaneidade, O abrigo e o terreno inclui ainda uma programação de atividades com intervenções, debates, palestras e publicações.

Deu vontade de conhecer?

O MAR ficará aberto de TERÇA a DOMINGO e feriados, apenas das 10h às 17h, e a abertura para o público será no dia 5 de março.

A entrada custará R$ 8, e estudantes de escolas particulares e universitários têm direito a meia-entrada.

Estudantes da rede pública (básica e fundamental), idosos acima de 60 anos e professores da rede pública têm entrada gratuita.

Ah, e às terças-feiras (exceto feriados, claro), todos entram de graça.

*post com informações do site oficial do MAR.

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Um dos maiores empreendimentos de reforma urbana da história está em curso. E é no Brasil.

Talvez até pessoas que frequentam o Rio de Janeiro não tenham percebido, mas está a cidade está realizando uma das maiores reformas urbanas da história em sua região portuária: o plano Porto Maravilha. Seguindo o exemplo de cidades como Baltimore, Londres, Buenos Aires e, principalmente, Barcelona, o Rio de Janeiro realiza um ambicioso e complexo plano, que dará nova cara à região central da sede dos próximos Jogos Olímpicos.

O MAR (Museu de Arte do Rio) e o Museu do Amanhã, projetado pelo renomado arquiteto Santiago Calatrava, serão construídos na região, dando vigor cultural e artístico a região. A demolição da perimetral, a construção de túneis e a priorização dos pedestres, além de um VLT, darão uma nova região de lazer à cidade.

Além disto, o plano inclui:

  • Construção de 4 km de túneis;
  • Reurbanização de 70 km de vias e 650.000 m² de calçadas;
  • Reconstrução de 700 km de redes de infraestrutura urbana (água, esgoto, drenagem);
  • Implantação de 17 km de ciclovias;
  • Plantio de 15.000 árvores;
  • Construção de três novas estações de tratamento de esgoto.

Vale a pena conferir o vídeo institucional, que dá mais vida às obras mencionadas:

Como a Exame pontuou, a forma que este grande empreendimento está sendo financiada é inovadora:

No conjunto, a reforma no porto carioca é a maior obra de revitalização urbana do Brasil e, segundo levantamento da consultoria KPMG, uma das dez maiores do mundo, lista que inclui a reconstrução da área do World Trade Center, em Nova York.

“Não resta dúvida de que agora a revitalização do porto é uma realidade”, diz Richard Dubois, sócio da consultoria PwC no Brasil. Além daquilo que já foi iniciado, há mais de 70 obras aprovadas para a área, incluindo prédios de escritórios e residenciais privados.

Atrair as empresas privadas, aliás, foi essencial para tirar o Porto Maravilha do papel. Isso foi possível porque a prefeitura do Rio criou condições para firmar parcerias, dar segurança aos investidores e acelerar as obras. Por um lado, adotou um modelo diferente de parceria público-privada.

Normalmente, uma PPP é feita para uma só obra. Por essa lógica, a prefeitura teria de firmar dezenas de PPPs na área do porto, uma para cada empreendimento, o que tenderia a arrastar a empreitada. A saída foi juntar todas as obras de infraestrutura e serviços num pacote e levá-lo a uma licitação.

Com uma oferta de 7,6 bilhões de reais, venceu o consórcio Porto Novo (que reúne as construtoras OAS, Carioca e Odebrecht). A concessionária tem até 2016, ano da Olimpíada, para entregar obras como duas avenidas e 700 quilômetros de redes de água, esgoto, luz e telecomunicações.

A Porto Novo ainda será responsável pela prestação de serviços como manutenção das vias e controle do tráfego até 2026. A ideia é ganhar em eficiência. “A iluminação da região será em LED, e os coletores de lixo, subterrâneos”, afirma José Renato Ponte, presidente da Porto Novo.

“São tecnologias mais caras agora, mas que irão gerar economia no longo prazo.” Para levantar o dinheiro necessário à infraestrutura, a prefeitura adotou um sistema de venda de títulos às incorporadoras interessadas em construir prédios mais altos do que normalmente seria permitido.

Os recursos arrecadados com os títulos são aplicados na melhoria da região onde o prédio ficará. Esse sistema foi usado em São Paulo na reurbanização da avenida Faria Lima. A prefeitura paulistana leiloou os títulos gradualmente ao longo de anos. No caso do Rio, todos os títulos foram vendidos em 2011 para a Caixa Econômica Federal.

O banco estatal assegurou assim uma bolada de uma só vez — pondo 3,5 bilhões de reais em um fundo que vai financiar as obras. Agora, a Caixa está revendendo os papéis para incorporadoras. “A estratégia mostrou ao mercado que há recursos garantidos para a urbanização”, diz Maurício Endo, sócio da KPMG.

Mais que recuperar prédios e ruas estragados, a proposta do Porto Maravilha é criar um ambiente agradável para trabalho, moradia e passeio. Hoje, há 20 000 moradores na área, boa parte em ocupações ilegais. A expectativa é que, em oito anos, abrigue 100 000 usufruindo de qualidade de vida.

A reforma busca tornar o local também atração para turistas. De 1992 a 2010, o número de visitantes de Barcelona foi de 2 milhões anuais para 8 milhões.

O Rio demorou 30 anos para que uma revitalização de fato começasse pelo mesmo motivo que Buenos Aires levou mais de 50 anos até concretizar a reforma de Puerto Madero e São Paulo ainda pena para repaginar seu centro: faltam ações integradas, com abertura de espaço para a chegada de pessoas que morem e deem vida nova ao lugar.

“Normalmente, uma revitalização urbana tão grande só acontece quando não uma, mas uma série de obras de infraestrutura são feitas conjuntamente”, diz Trent Lethco, urbanista da Arup, um dos maiores escritórios de planejamento urbano de Nova York. “O Rio inovou porque concedeu todo o pacote a uma empresa privada.” O começo é promissor — para o bem do Rio, tomara que o plano vingue.

Se o plano der certo, o Rio se colocará no centro do mundo turístico. E é essa a ideia. Leia mais sobre o Porto Maravilha no site oficial, através deste link.

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