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Aquecimento global altera a geoeconomia

A China está redesenhando a geoeconomia há pelo menos 20 anos, e isso não é nenhuma novidade. Agora, eles estão recriando também os caminhos possíveis. A rota que circunda toda a “costa” russa pela região acima do círculo polar ártico é uma fronteira quase imbatível. Mas o aquecimento global está facilitando aquele trajeto e, reduzindo o tempo gasto para se chegar da China à costa ocidental da Europa pelo mar.

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Do Estadão:

As mudanças climáticas se transformaram em uma importante aliada das empresas de navegação chinesas. O navio Yong Sheng, de 19.461 toneladas, da empresa Cosco, deu início no porto de Dalian, província de Liaoning, a uma viagem de 33 dias para chegar a Rotterdam, na Holanda.

O navio vai passar o estreito de Bering e navegar ao longo da costa russa, segundo informou a imprensa oficial chinesa. Trata-se do primeiro navio mercante da China a utilizar a passagem do Noroeste do Ártico, ou rota marinha do Norte, para chegar à Europa.
A via pode representar uma revolução para o comércio mundial a longo prazo. Geralmente a rota não era utilizada porque as geleiras tornavam a navegação impossível.

Com o degelo decorrente do aquecimento global, as empresas acreditam que poderão reduzir em 30% o tempo de duração da viagem, que passaria de 48 para 33 dias. A mudança significa um forte impacto em termos de vantagem econômica para os produtos chineses.

Analistas internacionais ainda são prudentes e advertem que serão necessários vários anos até que o trajeto seja considerado comercialmente viável e uma alternativa ao Canal de Suez.

Há tempos a rota pelo Canal de Suez não é uma opção segura: a costa da Somália está repleta de piratas em um Estado quebrado. E essa não é a única limitação: a redução significativa na distância percorrida pelos navios pode salvar importantes recursos dos exportadores asiáticos.

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PIB da China passará os EUA em 2017 – Brasil será quarto até 2050

Em estudo divulgado recentemente, a consultoria PriceWaterhouseCoopers aponta diversos prognósticos para a economia de diversos países do globo – inclusive a brasileira.

Segundo tal estudo, os habitantes de países tem motivos para comemorar. A soma dos PIBs das sete grandes economias emergentes (conhecida como E7: Brasil, China, Índia, Rússia, Indonésia, Turquia e México) superará a do G7 (EUA, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Canadá) ainda antes de 2020.

A China deverá continuar crescendo muito mais rapidamente que os EUA, e com isso seu PIB em paridade de poder de compra ultrapassaria o da superpotência ocidental até 2017. Em termos cambiais, isso aconteceria em 2027. Isso não quer dizer que a qualidade de vida dos orientais ultrapassará a do Tio Sam: com uma população de 1,3 bilhão de pessoas, o PIB per capita chinês continuará muito inferior ao americano – apesar da diferença cair continuamente.

O Brasil deve ultrapassar a Alemanha até 2030, tornando-se o sexto país mais rico do mundo (em paridade de poder de compra). Em 2050, o Brasil teria o quarto maior PIB do planeta, após ultrapassar Rússia e Japão, ficando atrás apenas de Índia, EUA e China. Na expectativa da consultoria, a economia brasileira deve crescer em média aproximadamente 4% ao ano até lá – estimativa bastante otimista, se observarmos o crescimento pífio de 2012 (provavelmente perto de 1%) e a infraestrutura débil de nosso país.

Naquele ano, o PIB chinês deverá ser quase 50% superior ao americano – enquanto o indiano se aproximará rapidamente dos Estados Unidos, ameaçando ferozmente sua segunda posição na economia global.

Ainda que tendo a maior parte de seu território (e suas riquezas naturais) na Ásia, a Rússia deve se tornar o país mais rico da Europa – ultrapassando a Alemanha – até 2020. México, Nigéria e Indonésia são outros países que podem surpreender e ingressar o top 10 até o meio do século.

O estudo pode ser acessado na íntegra através deste link. Você acha que essas previsões são realistas?

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Conheça os países que querem roubar os holofotes dos BRICS: MIST

México, Indonésia, Coreia do Sul e Turquia. Com um ambiente de negócios mais favorável e menos turbulências, estes países tentam roubar os holofotes de seus concorrentes em desenvolvimento, os BRICS.

Dos MIST, a Coreia do Sul se destaca, tanto pelo nível de desenvolvimento quanto com as possibilidades de crescimento futuro

O próprio “criador” de ambas as alcunhas, Jim O’Neill, presidente do Goldman Sachs já não vê os BRICS como países em desenvolvimento, aliás. Para ele, essas economias já emergiram. Da Veja:

Brics e Mist terão juntos um Produto Interno Bruto (PIB) de cerca de 12 trilhões de dólares ao fim desta década em termos reais – dois terços provenientes dos Brics e um terço do total vindo da China. “Os Brics são muito importantes e ainda não se pode compará-los com os MIST”, afirma O’Neill.

Comparações à parte, a expansão econômica de México, Indonésia, Coreia do Sul e Turquia é inegável, enquanto o mundo desenvolvido agoniza em recessão ou estagnação econômica, e muitos emergentes veem seu dinamismo se esvair claramente. “Os países do MIST estão ganhando visibilidade por causa da desaceleração dos Brics. Brasil, Índia e China estão experimentando taxas de crescimento abaixo do previsto neste ano, não apenas devido ao ciclo econômico, mas também porque tomaram medidas que não foram tão bem recebidas pelos mercados”, afirma Christopher Garman, diretor de estratégia de mercados emergentes da Eurasia Group. No caso do Brasil, em particular, ele diz que o investidor está pessimista, sobretudo, com o baixo crescimento – que deve encerrar o ano em 1,75% segundo previsões do mercado financeiro. Contudo, ele lembra que os mesmos investidores avaliam que os esforços da presidente Dilma Rousseff para estimular o PIB – tais como os pacotes que têm sido anunciados e as medidas para ajudar a indústria – mostram uma “luz no fim do túnel”.

 O surgimento de levas de países que dão um salto rumo ao desenvolvimento não é fato isolado na história da economia global. Os Estados Unidos e o Japão, por exemplo, já foram nações emergentes que surpreenderam o mundo com seu vigor. Olhar para além dos Brics pode ser considerado, portanto, algo natural. “Muitos investidores começam a olhar para histórias de crescimento fora dos BRICS, e alguns fundos estão apostando em países do segundo escalão dos emergentes”, conta Garman. “O Mist reúne essencialmente os maiores países depois dos Brics”, completa. Apesar de economistas e investidores falarem dessa seleção de países há dois anos, tal predileção ganhou adeptos nos últimos meses por conta do agravamento da crise financeira europeia e seu impacto nos emergentes dos Brics – com destaque para o vexame brasileiro.

Discordo de O’Neill. É só andar pelas ruas de Moscou, São Paulo, Pequim ou Nova Déli para se notar que eles estão longe de já terem emergido. Estes países ainda são extremamente desiguais e tem inserido famílias na classe média aos milhões. As possibilidades são imensas, e as dimensões desses países os tornam os mais importantes países em desenvolvimento.

Algo é notável: os investidores estão fugindo do mundo desenvolvido. As poucas e distantes possibilidades de recuperação do crescimento nessas nações faz com que se busquem mais alternativas, e os países em desenvolvimento são a única saída. Desses, tenta-se desprender quais são mais seguros, mais prósperos e mais atraentes. E exatamente por isso os MIST ganharam importância.

Mas os BRICS ainda estão muito à frente dos MIST em vários aspectos. Politicamente, a influência do grupo é determinante. Economicamente, nem se fala. Eles (nós) representam quase metade da gente do mundo. Movimentam grande parte do comércio internacional. E ainda crescem mais.

Portanto, caros concidadãos dos BRICS, não precisamos ter medo dessa “neblina”. É só fazer a lição de casa direitinho (facilitar os negócios, diminuir a carga tributária, etc) que ainda seremos a estrela da festa.

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BRICS: O desafio de ser mais que uma sigla

Em 2001, o banco Goldman Sachs não tinha ideia da revolução que seu relatório aos investidores causaria. Para simplificar, cunhou a sigla BRICs para apontar economias sobre as quais valia a pena manter a atenção. Brasil, Rússia, Índia e China eram quatro grandes economias, com populações maiúsculas e com dinamismo e força únicos no cenário global.

Onze anos depois, depois da adoção da África do Sul (apoderando-se do “S”), a sigla se tornou uma organização formal, com reuniões periódicas, logo próprio e statements conjuntos. Mais do que nunca, durante e após a cúpula do fim de março, os BRICS conquistaram um espaço gigantesco na mídia internacional. A demonstração de interesse de se fundar um banco de investimento conjunto do grupo, de realizar negociações comerciais e financeiras entre os países nas moedas locais e a postura firme quanto à atual política monetária expansionista de países desenvolvidos mostram grande evolução nesta última década de um grupo que tinha tudo para dar errado.

Some-se a isto um projeto real e já aprovado, da construção do terceiro maior cabo submarino de telecomunicações do planeta, unindo Vladivostok a Miami, passando por Shantou, Cidade do Cabo e Fortaleza. Isto faria com que comunicações entre estes países não precise passar pela Europa, evitando pagamento pelo uso de cabos de outrem e possíveis “grampos”.

Fica clara a disposição de maior interação entre os membros da cúpula. A China já é o maior parceiro comercial do Brasil, e estas conversas podem facilitar negociações e abrir portas para o diálogo de empresários brasileiros com estrangeiros. Quase 20% da economia e 50% da população global se manifestando juntas têm um peso muito expressivo, e o alinhamento dos BRICS pode, de fato, ser muito favorável a seus membros.

Mas não podemos nos iludir. Veja que falei em interação, não em integração. Estes países são EXTREMAMENTE diferentes, em diversos pontos. Estruturas políticas, sociais e econômicas completamente díspares impedem uma integração mais profunda, e em qualquer ponto delicado seus governos devem priorizar suas posturas individuais. Ao mesmo tempo, não podemos esquecer que iniciativas como o comércio em moedas locais e a criação de um banco regional de desenvolvimento já foi assuntado no Mercosul e, mesmo com muito mais pontos em comum, não saiu do papel. Falar é fácil, mas colocar em prática…

Pessoalmente, não sou nem otimista a ponto de achar que os BRICS terão uma união tão próxima quanto à europeia, nem tão distante como a africana, os as tentativas furadas de uma integração americana (não é a toa que ALCA e ALBA ficaram para a história como os projetos que não deram certo).

Acredito sinceramente que os BRICS podem estar redefinindo a forma que as nações interagem no plano internacional. Após o período de grupos e a década de acordos bilaterais, relações multilaterais mais profundas, porém extremamente específicas, podem ser uma nova tendência global, que caracterizem a década de 2010.

Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul possuem divergências crônicas (e até mesmo imutáveis), mas convergem em um ponto crucial: estes países querem mais VOZ no plano internacional. Eles querem ser atores protagonistas nos rumos que a economia global tomará, e a pressão sobre instituições multilaterais como a ONU, o FMI e o Banco Mundial são prova disto. Juntos, estes cinco países exercem uma pressão que estadunidenses e europeus jamais esperavam receber de países mais pobres.

O equilíbrio de poderes está mudando, e os BRICS podem estar no centro desta nova dinâmica global.

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