Arquivo da tag: urbano

Cinco fatos sobre a cidade do futuro

Já parou para pensar como será a organização urbana do futuro? Pode parecer um grande devaneio, mas com base nas dificuldades enfrentadas pelas cidades atualmente é possível imaginar como serão as cidades no futuro. Em 50 ou 100 anos, muita coisa estará diferente: é só observar as fotos e relatos do início do século XX para comprovar isto. Os carros começavam a povoar as ruas, o bonde era a única opção de transporte público (tirando exceções como Londres e Budapeste, que tem os sistemas de trens urbanos mais antigos do mundo).

1)      Cidades/distritos/bairros menores e mais práticos

Deslocamentos menores, menos trânsito!

Morar no Limão, trabalhar no Morumbi e namorar alguém do Carrão é impossível e qualquer pessoa que já precisou se deslocar por São Paulo sabe do que eu estou falando. Essa situação está na fronteira do impraticável, e soluções terão que entrar em prática.

Um primeiro fenômeno é o êxodo urbano, o bom e velho fugere urbem enunciado pelos árcades há alguns séculos. Mas isto não será suficiente, e cada região das grandes cidades precisa ser autossuficiente. No futuro, se você não trabalhar diretamente de casa, trabalhará perto dela. Estudará na mesma região. O mesmo para fazer compras, passeios, etc. E provavelmente, acabará dando de cara com a sua cara-metade num desses momentos…

2)      Cidades sem carros

No lugar de carros, espaços de lazer

“Qual é, você realmente acha que é possível viver em uma cidade sem carros?”

Sim, acho. Não apenas acho, eu tenho certeza. Existem dezenas de alternativas, e o mais provável é que um misto de todas elas ocorram no futuro. Se há 100 anos vivíamos muito bem sem carros, por que não podemos voltar a viver bem sem eles?

Não digo que você não terá mais um possante na cor favorita. Mas ele provavelmente não será seu principal meio de transporte para os deslocamentos diários. Morando, trabalhando e estudando perto, você não precisará mais percorrer longas distâncias com frequência. Um transporte público eficiente suprirá boa parte das suas necessidades.

O deslocamento multi-modal se popularizará: a associação de trens, ônibus, bicicletas e até “personal rapid transit solutions” serão utilizadas. O carro provavelmente ficará estacionado em bolsões na entrada de cada distrito/bairro, e as áreas entre as casas poderão ser melhor utilizadas.

Mais segurança e qualidade de vida para todos da região. Admita… não é uma boa ideia?

3)      Home Office, coworking places e networking

Lugares como o Coffice, em Estocolmo, devem se multiplicar e popularizar

As grandes empresas já são cada vez menos comuns. Atualmente, 90% das companhias de todo o globo tem menos de 10 empregados. Sabe o que isso quer dizer? Que provavelmente, você não trabalhará em um grande prédio na Av. Faria Lima para sempre.

Se você não trabalhar diretamente de casa, é provável que utilize um “coworking space”, um escritório compartilhado com internet de alta velocidade e infraestrutura adequada para a vida profissional.

O networking já é primordial atualmente, mas vai ficar ainda mais importante. Empresas grandes concentravam toda a cadeia da indústria em que trabalhava, mas em empresas menores e mais dinâmicas, isso não vai mais acontecer.

Buscar clientes e parceiros ganhará cada vez mais importância. E para isso, feiras e eventos temáticos serão fundamentais. E eles não necessariamente reunirão todas as pessoas num mesmo espaço: com a internet cada vez mais rápida, multiplicar-se-ão eventos virtuais, com palestras de figurões internacionais frequentados por profissionais de todas as partes do planeta.

Na hora do Coffee Break, você poderá interagir com um indiano ou canadense com ideias alinhadas com as da sua empresa. Já pensou?

4)      Menos empresas, mais espaços públicos

Com maior controle sobre o próprio tempo, as pessoas devem ocupar as áreas públicas das cidades – mesmo para trabalhar

Dos pontos anteriores, já se pode deduzir que grandes corporações serão cada vez mais incomuns, e o trabalho ocorrendo de qualquer lugar se multiplicará. Cidades inteiras cobertas por rede wi-fi devem ser comuns. Parques, praças e outros espaços públicos serão povoados por profissionais realizando suas atividades. É claro que as indústrias sempre existirão. Mas grandes edifícios lotados de escritórios serão cada vez mais incomuns.

5)      Fazendas urbanas

Hortas e fazendas urbanas já são uma realidade em Nova York e outras metrópoles do exterior, mas no Brasil esse conceito apenas começa a ganhar força. Hortaliças e legumes são extremamente sensíveis, e devem ser produzidos o mais próximo possível do mercado consumidor. No futuro, as plantações invadirão as cidades – e não apenas nas pequenas hortas das senhoras de família. O topo dos prédios é um dos locais priorizados por empresas especializadas em instalar fazendas urbanas, mas a inovação vai além: prédios inteiros poderão ser projetados como estufas verticais, produzindo alimentos suficientes para fornecer alimentos frescos e saudáveis para os habitantes da região.

E aí, gostou do futuro?

Anúncios
Etiquetado , , , , , , , , , , , , , , , ,

Prédios abandonados no centro de SP receberão moradias populares. Seria esta a solução para as cidades brasileiras?

Ocupar os centros das maiores cidades do país fora do horário comercial é uma tarefa árdua, que boa parte das prefeituras não sabe como fazer. Parece que a paulistana acertou a mão. Veja a notícia da Folha:

Eles já foram prédios disputados e reduto da classe alta paulistana. Alguns, abrigaram antigos hotéis imponentes. Hoje, após anos de degradação, se preparam para receber moradores que nos seus “anos áureos” não teriam condições de habitá-los.

Em breve, 2.440 apartamentos nesses prédios serão os novos endereços de moradores de baixa renda. Essas unidades estão em prédios como o que abriga a tradicional cantina Gigetto, na rua Avanhandava -que concentra restaurantes na região.

Ao edifício onde funciona o Gigetto se juntarão os prédios dos antigos hotéis Cineasta, na avenida São João –próximo à Ipiranga–, Lord, na rua das Palmeiras, e Cambridge, na av. Nove de Julho.

Essas 2.440 unidades de apartamentos populares estão hoje em fase de construção ou em projeto, no centro. Entre prédios novos e os que estão sendo reformados para abrigá-las são 17 edifícios.

Desses, sete estão sendo feitos diretamente pela prefeitura. Os demais, em parceria com a iniciativa privada. Em todos os casos o térreo dos prédios terá áreas comerciais –bancos, restaurantes e supermercados, por exemplo.

Estes são os primeiros de uma lista de 53 imóveis já localizados pela prefeitura no centro e onde é possível instalar residências. Com contratos assinados, ao próximo prefeito caberá só concluir as obras.

O objetivo é beneficiar famílias com renda de até dez salários mínimos. O deficit habitacional, segundo a Secretaria Municipal de Habitação, é de 226 mil casas populares.

 

Sinceramente, eu fiquei muito feliz ao ver este antigo projeto realmente tomando corpo.

Há tempos diversas cidades brasileiras tentam (relativamente sem sucesso) ocupar os centros das cidades. Estas regiões geralmente são as mais perigosas, justamente devido à baixa ocupação residencial – o que leva ao rápido esvaziamento das ruas após o horário comercial.

As cidades brasileiras foram construídas com os moldes europeus. Lá, a maior parte das pessoas gosta de morar perto do centro, para economizar tempo (e dinheiro) se deslocando até onde tudo acontece. A maior parte das cidades são muito menores que as principais cidades brasileiras – Lisboa, por exemplo, que é a maior cidade portuguesa, tem pouco mais de 500 mil habitantes. Aqui, esta seria considerada uma cidade média – no estado de SP, até pequena.

Com o tempo, nossos hábitos se aproximaram dos norte-americanos: bairros mais espalhados, condomínios e cidades grandes e descentralizadas. Aí, surgiu o impasse: o que fazer com o centro, quando quem tem dinheiro (e possuía grandes propriedades nas regiões centrais) se mudou para outros bairros, mais tranquilos e afastados?

Redistribuir os espaços e reutilizar pode ser a resposta. Vamos acompanhar. Definitivamente, eu não vejo a hora que investimentos semelhantes sejam feitos em Curitiba, no Rio, em BH, Porto Alegre, Salvador, etc.

Etiquetado , , , , , , ,

Cidades planejadas – Um sonho distante?

Do Estadão:

O que faz uma metrópole ser… uma metrópole? Suas ruas, avenidas e vielinhas? Os bancos, o comércio, as igrejas? Os prédios? Va lá, o trânsito? Mais importante ainda, as pessoas, seus moradores? São justamente essas conexões sem muita explicação aparente entre cidadãos e construções, entre dinheiro e oportunidades, entre forma, função e sensação, que fizeram lugares como Londres, Nova York, Tóquio, Sydney, São Paulo e tantos outros florescerem de pequenas vilas em cidades globais – um processo de centenas de anos, que no fundo nunca tem fim.

Será que, além de definir os conceitos de uma metrópole ideal, é possível construir uma do zero, de uma hora para outra, no meio do nada?

Com um investimento de quase R$ 80 bilhões, o governo coreano está tentando responder a todas essas perguntas em um terreno de seis quilômetros quadrados à beira do Mar Amarelo. Ali, a 65 quilômetros de Seul, está sendo erguida a cidade global do futuro, uma metrópole com o que há de mais moderno em tecnologia e noções de urbanismo, onde tudo é planejado para facilitar a vida do cidadão. Trata-se do maior investimento imobiliário privado já realizado. A ideia é criar um novo centro financeiro da Ásia, uma mistura de Paris, Nova York e Dubai, que deve ficar pronta em 2015 com 80 mil apartamentos residenciais, 4,6 km² de escritórios e um parque com 41 hectares.

Songdo quer ser pioneira em absolutamente todos os aspectos. Será uma cidade “verde”, com 40% de sua área destinada a parques e praças. Será a cidade sem trânsito, com todo o sistema viário planejado para aumentar a fluidez, além de altos investimentos em metrô, bondes elétricos e até táxis aquáticos elétricos. As ruas têm sensores no asfalto, que ajudam a entender em tempo real os deslocamentos, aumentar o tempo dos sinais em caso de congestionamentos e até diminuir a iluminação das vias quando ninguém estiver passando, para economizar energia.

Também será uma cidade “wireless”, totalmente conectada – para se ter ideia, até as garrafas de refrigerante vendidas no supermercado terão uma etiqueta eletrônica; depois de usadas, se as garrafas forem jogadas no cesto de lixo correto para reciclagem, o morador ganhará descontos nos impostos.

Mimos. Outras inovações são invisíveis, mas igualmente surpreendentes. A água das residências, por exemplo, será reutilizada na irrigação. Já o lixo, tanto o orgânico quanto o reciclável, será transportado por meio de canos pressurizados, dispensando a necessidade de coleta. A nova metrópole ainda terá outros “mimos”, como uma universidade totalmente tecnológica onde as aulas serão em inglês; uma ponte de 21 quilômetros que liga o centro ao aeroporto; um prédio de 68 andares, o mais alto da Coreia do Sul; um centro de artes que inclui salas de concerto, museus e uma escola de design; um dos maiores clubes de golfe do mundo; e até um hospital que teve o planejamento de empresas como 3M e Microsoft.

Songdianos. “A ideia é ter uma metrópole digital, com o que há de melhor nas outras cidades como Nova York, Dubai ou Londres, mas juntando com o que a tecnologia oferece hoje”, diz o inglês David Moore, um dos diretores de incorporação do projeto. “Songdo será uma cidade global da Ásia, a poucas horas da grandes cidades da região, e não apenas um parque de diversões.”

Apesar da megalomania do projeto, ele já está saindo do papel – algo em torno de 40% da estrutura da cidade de Songdo está pronta e operante. Cem prédios já foram erguidos, ao custo de R$ 10 bilhões. E interessados em virar “songdianos” não faltam: no início da venda dos primeiros 2.600 apartamentos, apareceram quase 21 mil compradores. Já na segunda leva de apartamentos, 25 mil unidades, que somavam R$ 2 bilhões, foram vendidas em apenas um dia.

Songdo parece uma cidade dos sonhos, mas vai mesmo sair do papel.

Você gostaria de morar em uma cidade complemente planejada desde o princípio?

Acha que seria possível fazer algo semelhante no Brasil, possivelmente até contendo o inchaço em metrópoles já existentes? Ou com o tempo esta metrópole virtual se tornaria mais uma Brasília, lotada de cidades-satélite desorganizadas, perigosas e empobrecidas? Aumentaria o fosso social, ou diminuiria?

Cena infelizmente corriqueiras em grandes cidades brasileiras

Pessoalmente, acho que o planejamento urbano é fundamental para evitar desperdícios e caos posteriores. No documentário de 25min do fim deste post, pode-se observar como o mau planejamento comprometeu a cidade de São Paulo.

Ainda há solução para as grandes cidades brasileiras? Há. Mas não é simples, e exige comprometimento da sociedade, dos governantes e investimentos vultosos em reestruturação do que já existe. Não adianta criticar a falta de opções de transporte e desrespeitar os poucos que se arriscam a andar a pé ou de bicicleta, por exemplo. É preciso uma mudança drástica de atitude.

E você, acha que as cidades brasileiras ainda conseguem escapar do caos?

Between Rivers from Caio Ferraz on Vimeo.

Etiquetado , , , , , ,
Anúncios