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O que a quase-derrota de Maduro representa para o futuro da Venezuela e suas relações com o Brasil

O caudilhismo está em baixa na América Latina. Ainda bem.

Neste domingo, 14 de abril, a Venezuela manteve no poder o vice-presidente nomeado por Hugo Chavez quando ainda estava vivo e Nicolas Maduro será o presidente do país pelos próximos seis anos.

Mas ao contrário do que se esperava, a vitória não foi fácil. Maduro foi eleito com apenas 50,66% dos votos válidos, uma diferença de menos de 200 mil votos para o segundo colocado, o oposicionista Henrique Capriles, da Mesa de Unidade Democrática.

A campanha foi árdua: e passarinhos falantes, Lula e até Maradona foram usados pelo candidato governista. No fim, o escolhido por Chavez conseguiu seu objetivo e deve manter o estilo de governo de seu antecessor. A “república bolivariana” sempre foi marcada por amplos programas sociais financiados pela receita gerada pelo petróleo. Por outro lado, a ineficiência no país é gigantesca. A inflação é consistentemente uma das mais elevadas do mundo, e 70% dos produtos industrializados consumidos internamente são importados. Por outro lado, a pobreza caiu de 29%, em 1999, para 7%. O analfabetismo também despencou, e o salário mínimo é um dos maiores da região.

A dependência externa venezuelana é boa para o Brasil. Do Ig:

A relação comercial com a Venezuela foi multiplicada por quatro e se tornou amplamente favorável ao Brasil na era Chávez. Entre 1999 e 2012, o volume negociado entre os dois países saltou de US$ 1,5 bilhão para US$ 6 bilhões, com as exportações brasileiras passando de 36%, que tornavam a balança deficitária para o País, para 84% das transações no período, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento (MDIC). Os anos do chavismo também representaram a realização de acordos milionários envolvendo empresas brasileiras – quase sempre com o apoio do BNDES – e o Estado venezuelano.

“A Venezuela se transformou num dos principais parceiros brasileiros em nível mundial, e o Brasil se tornou o terceiro maior parceiro da Venezuela, atrás apenas de Estados Unidos e China, e superando a Colômbia, que historicamente sempre teve uma grande relação comercial com o país”, diz ao iG  Luciano Wexell Severo, ex-assessor do Ministério de Indústrias Básicas e Mineração venezuelano e ex-superintendente da Câmara de Comércio Brasil Venezuela.

A cadeia da proteína, que tinha um peso pequeno em 1999, se tornou um dos principais setores das exportações brasileiras ao país: carnes desossadas de bovinos congeladas, bovinos vivos, carne congelada de galo e galinha e milho corresponderam a um quarto das vendas para a Venezuela em 2012.

“De outro lado, compramos petróleo e derivados. Apenas a Braskem comprou cerca de US$ 400 milhões em 2012 para o pólo petroquímico que possui no Rio Grande do Sul”, diz Severo.  No ano passado, ao todo, coque e naftas para petroquímica corresponderam a 60% das vendas venezuelanas ao Brasil, de acordo com dados do MDIC.

Aviões, metrô e polo graneleiro

Um dos últimos negócios expressivos entre os dois países foi o acordo entre a Embraer e a  Coviasa, para a venda de até 20 aviões à estatal venezuelana de aviação, em 2012. A primeira areonave foi entregue em setembro e, se todas as promessas de compra se confirmarem, o negócio poderá atingir US$ 904 milhões – o equivalente a 18% do total exportado pelo Brasil ao país no ano passado.

Também em 2012, a Odebrecht começou a explorar campos de petróleo no noroeste venezuelano, em parceria com a estatal petroleira PDVSA, e ampliou o contrato com o Metrô de Caracas, para a construção da linha-5.

A Camargo Corrêa, em 2010, venceu um contrato para a construção de uma represa no Rio Tuy. À época, o empreendimento era orçado em US$ 2,2 bilhões. Já a Andrade Gutierrez, em 2008, foi contratada para construir a nova siderurgia nacional e também é responsável pelo novo estaleiro da divisão naval da PDVSA.

A Petrobras, que atua na Venezuela em 2003, aguarda a entrada da PDVSA num negócio feito entre as duas empresas para a construção de uma refinaria em Pernambuco. Para isso, a estatal venezuelana precisa assumir parte do empréstimo tomado pela companhia brasileira junto ao BNDES e pagar uma parcela dos investimentos já feitos.

O que a eleição de Maduro representa?

A princípio, pouca coisa deve mudar. Maduro foi eleito com sua imagem completamente colada à de Chavez, e inclusive por isto não deve mexer na base do governo: programas sociais fortes com base nos petrodólares.

Por outro lado, o sinal amarelo foi claramente aceso: se a situação estivesse tão boa, a vitória não teria sido tão apertada. Logo de cara, Maduro não é tão carismático quanto Chavez era. Além disso, a desmantelação da indústria nacional e a elevada dependência de importações afetam gravemente a população.

Se reformas não forem promovidas, o governo dificilmente resistirá nas próximas eleições. Mas até lá, as empresas brasileiras ainda podem aproveitar a recente entrada da Venezuela no Mercosul.

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Enquanto isso, na Venezuela…

Hugo Chavez se reelegeu ontem para o seu quarto mandato.

Com isso, o populista venezuelano se garante no poder no mínimo até 2018. Ele afirma querer governar o país até 2031.

Dessa vez, o resultado da eleição foi relativamente apertado: Hugo Chavez recebeu pouco mais de 54% dos votos válidos, contra quase 45% de seu principal opositor, Henrique Caprilles.

Da The Economist:

Mr Chávez first tried to take power as the leader of a failed military coup in 1992. Six years later he was elected president, and he has been in office ever since. His stated aim is to make his “21st-century socialist revolution” irreversible and set up a “communal state”, which bears little relation to that enshrined in the 1999 constitution he himself fathered. That document also prohibited him from running for re-election this year, but in 2009 voters approved a referendum to remove presidential term limits.

Mr Capriles promised to reverse the concentration of power in the presidency and restore the autonomy of parliament, the courts and other branches of state, as well as the powers of regional governors. But Mr Chávez’s autocratic tendencies may well have been what enabled him to hold off Mr Capriles’s surge late in the campaign. He openly deployed the entire apparatus of an oil-rich state, including the judiciary, media and the government’s payroll and services, to help his re-election effort. Doubts about whether the president has stacked the deck too much in his favour to be beaten at the ballot box are now likely to return.

The opposition will have to fend off such defeatism if it hopes to keep Mr Chávez in check during his next term. After years of squabbling, Venezuela’s dozens of anti-chavista parties agreed to hold a primary to choose a single presidential candidate, which Mr Capriles won handily in February. He ran a disciplined and effective campaign, and has a powerful claim to remain as leader of the opposition. Keeping it united and motivated will not be easy. “To know how to win, one must know how to lose,” Mr Capriles said on election day. The MUD has little time to lick its wounds: a round of elections for state governors are due in December.

Mr Chávez, for his part, will not have much time to savour his victory. Despite strong oil-fueled growth this year, the country’s foreign-currency reserves are dwindling, thanks to profligate spending (not least on the election), a rising debt burden and dependency on a single commodity for export earnings and government income. Most analysts believe a big devaluation is inevitable, given an inflation rate of close to 20% and a black-market exchange rate almost three times as high as the official one.

Even if the president can surmount these economic woes, his own health remains a wild card. He was diagnosed last year with a so-far unspecified “abdominal” cancer, for which he has undergone three operations. He now claims to be cured. But he has not released any detailed medical information, and he did not campaign with the same vigour as in prior contests. The president has proven once again his remarkable capacity for political survival. Fending off the disease for another six-year term may turn out to be an even tougher battle.

Se você não foi educado em inglês, não tem problema: eu resumo a história.

Hugo Chavez usou todo o aparato disponível (inclusive recursos das empresas petrolíferas estatais) para sua campanha de reeleição, em prol de sua causa: a construção de um Estado comunista do século XXI. A oposição, do outro lado, vai enfrentar as grandes divergências entre os partidos da coalizão para se manter unida contra o governo.

Chavez terá um árduo trabalho pela frente, visto que a especialização em apenas um produto de exportação (o petróleo) e a elevada necessidade de importação de produtos básicos reduziram drasticamente as reservas internacionais do país. Além disso, sua própria saúde se mantém uma dúvida.

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